{"id":135443,"date":"2026-08-12T15:40:00","date_gmt":"2026-08-12T18:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/o-sistema-de-recuperacao-judicial-funciona-o-debate-ganha-forca-com-valdoir-slapak\/"},"modified":"2026-08-12T15:40:00","modified_gmt":"2026-08-12T18:40:00","slug":"o-sistema-de-recuperacao-judicial-funciona-o-debate-ganha-forca-com-valdoir-slapak","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/o-sistema-de-recuperacao-judicial-funciona-o-debate-ganha-forca-com-valdoir-slapak\/","title":{"rendered":"O sistema de recupera\u00e7\u00e3o judicial funciona? O debate ganha for\u00e7a com Valdoir Slapak"},"content":{"rendered":"<p><b>Mudan\u00e7as recentes na legisla\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o judicial reacendem a discuss\u00e3o sobre a efic\u00e1cia do sistema brasileiro em evitar a fal\u00eancia de empresas vi\u00e1veis.<\/b><\/p>\n<p>O n\u00famero de pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial no Brasil voltou a chamar aten\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos. O movimento reabriu um debate que vai al\u00e9m do notici\u00e1rio econ\u00f4mico: at\u00e9 que ponto o sistema legal e institucional brasileiro est\u00e1 preparado para permitir que empresas em dificuldade se reorganizem, em vez de simplesmente fechar as portas. A resposta envolve n\u00e3o apenas a lei, mas tamb\u00e9m a forma como empresas, credores e o pr\u00f3prio Judici\u00e1rio lidam com processos de reestrutura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Criada para dar \u00e0s companhias um caminho alternativo \u00e0 fal\u00eancia, a recupera\u00e7\u00e3o judicial depende de uma engrenagem que envolve tribunais, administradores judiciais, credores e a pr\u00f3pria gest\u00e3o das empresas. Quando essa engrenagem funciona de forma coordenada, o resultado costuma ser a preserva\u00e7\u00e3o de empregos e de cadeias produtivas inteiras. Quando falha, o processo se arrasta e reduz as chances de recupera\u00e7\u00e3o efetiva do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A reforma da Lei de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial e Fal\u00eancias, em vigor desde 2021, tentou endere\u00e7ar parte desses gargalos. Entre as mudan\u00e7as, passou a ser permitido o financiamento de empresas em recupera\u00e7\u00e3o por meio de credores dispostos a assumir prioridade de pagamento, mecanismo conhecido como DIP financing. A medida buscava resolver um problema hist\u00f3rico: sem caixa novo, muitas empresas em recupera\u00e7\u00e3o simplesmente paravam de operar antes de conseguir aprovar um plano.<\/p>\n<p><b>Entre a lei e a pr\u00e1tica, uma dist\u00e2ncia que ainda persiste<\/b><\/p>\n<p>Executivo com atua\u00e7\u00e3o em administra\u00e7\u00e3o, finan\u00e7as e reestrutura\u00e7\u00e3o empresarial, Valdoir Slapak observa que a legisla\u00e7\u00e3o avan\u00e7ou nos \u00faltimos anos, mas ainda enfrenta obst\u00e1culos pr\u00e1ticos que comprometem sua efetividade. Muitos processos chegam ao Judici\u00e1rio em est\u00e1gio avan\u00e7ado de deteriora\u00e7\u00e3o financeira, o que reduz as op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para uma reestrutura\u00e7\u00e3o bem-sucedida.<\/p>\n<p>Ele pondera que parte do problema est\u00e1 fora do texto legal. Empresas costumam buscar o instrumento tarde demais, quando j\u00e1 esgotaram alternativas de negocia\u00e7\u00e3o direta com credores, como alongamento de d\u00edvidas ou renegocia\u00e7\u00e3o bilateral de contratos. Essa demora transforma um mecanismo pensado para reorganiza\u00e7\u00e3o em uma etapa quase terminal, pr\u00f3xima da fal\u00eancia que deveria evitar.<\/p>\n<p>Esse padr\u00e3o aparece com frequ\u00eancia em setores c\u00edclicos, como constru\u00e7\u00e3o civil, varejo e agroneg\u00f3cio, nos quais oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o e cr\u00e9dito afetam o caixa de forma abrupta. Nessas \u00e1reas, o intervalo entre o primeiro sinal de estresse financeiro e o pedido formal de recupera\u00e7\u00e3o costuma ser maior do que em setores com fluxo de caixa mais previs\u00edvel, o que reduz o espa\u00e7o de manobra quando o processo finalmente come\u00e7a.<\/p>\n<p><b>O papel da governan\u00e7a antes da crise chegar aos tribunais<\/b><\/p>\n<p>Um dos pontos centrais do debate institucional \u00e9 o papel da governan\u00e7a corporativa na preven\u00e7\u00e3o de crises mais graves. Valdoir explica que empresas com estruturas de decis\u00e3o mais claras e processos financeiros transparentes tendem a identificar sinais de deteriora\u00e7\u00e3o com mais anteced\u00eancia, o que amplia as chances de uma negocia\u00e7\u00e3o bem-sucedida fora do ambiente judicial, por meio da chamada recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial.<\/p>\n<p>Essa antecipa\u00e7\u00e3o depende diretamente de pr\u00e1ticas de gest\u00e3o consolidadas antes da crise, e n\u00e3o de medidas emergenciais tomadas sob press\u00e3o. Conselhos de administra\u00e7\u00e3o ativos, auditorias financeiras recorrentes e comit\u00eas de risco funcionam, na avalia\u00e7\u00e3o do executivo, como um sistema de alerta antecipado que muitas empresas de m\u00e9dio porte ainda n\u00e3o adotam de forma estruturada.<\/p>\n<p>Quando o problema chega ao Judici\u00e1rio sem esse preparo pr\u00e9vio, credores e administradores judiciais t\u00eam menos elementos para avaliar a viabilidade real do plano apresentado. O resultado \u00e9 um processo mais longo, com maior desconfian\u00e7a entre as partes envolvidas e menor previsibilidade sobre o desfecho.<\/p>\n<p><b>Reformas recentes e os limites do sistema atual<\/b><\/p>\n<p>Al\u00e9m do financiamento DIP, a reforma de 2021 ampliou instrumentos como a vota\u00e7\u00e3o virtual de credores e criou regras mais claras para a recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial, pensada para casos em que a negocia\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 poss\u00edvel fora dos tribunais. Ainda assim, especialistas apontam que a efetividade dessas mudan\u00e7as depende da capacidade de execu\u00e7\u00e3o dos tribunais e da qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos envolvidos em cada processo.<\/p>\n<p>O sistema evoluiu em termos formais, mas a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica segue desigual entre diferentes tribunais e regi\u00f5es do pa\u00eds. Varas especializadas em recupera\u00e7\u00e3o judicial, mais comuns em grandes centros como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, tendem a conduzir processos com mais agilidade do que comarcas sem experi\u00eancia acumulada no tema. Essa disparidade cria incerteza para empresas que avaliam se o caminho da recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9, de fato, vi\u00e1vel para o seu caso espec\u00edfico.<\/p>\n<p><b>Um sistema em transforma\u00e7\u00e3o, mas ainda incompleto<\/b><\/p>\n<p>O debate sobre a efic\u00e1cia da recupera\u00e7\u00e3o judicial no Brasil deve continuar nos pr\u00f3ximos anos, \u00e0 medida que mais empresas recorrem ao instrumento em um cen\u00e1rio de juros elevados e cr\u00e9dito mais restrito. Para especialistas da \u00e1rea, o aperfei\u00e7oamento do sistema passa tanto por ajustes legais quanto pela mudan\u00e7a de cultura dentro das pr\u00f3prias empresas, que precisam tratar a reestrutura\u00e7\u00e3o como parte do planejamento estrat\u00e9gico, e n\u00e3o apenas como \u00faltimo recurso.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o institucional em torno do tema ganha contornos cada vez mais t\u00e9cnicos, reunindo advogados, magistrados, credores e executivos com experi\u00eancia pr\u00e1tica em processos de reestrutura\u00e7\u00e3o, entre eles Valdoir Slapak.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mudan\u00e7as recentes na legisla\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o judicial reacendem a discuss\u00e3o sobre a efic\u00e1cia do sistema brasileiro em evitar a fal\u00eancia de empresas vi\u00e1veis. 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