{"id":135129,"date":"2026-08-07T15:35:00","date_gmt":"2026-08-07T18:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/empreenda-mais\/ia-na-musica-e-no-cinema-artistas-questionam-ate-onde-a-tecnologia-pode-substituir-o-humano\/"},"modified":"2026-08-07T15:35:00","modified_gmt":"2026-08-07T18:35:00","slug":"ia-na-musica-e-no-cinema-artistas-questionam-ate-onde-a-tecnologia-pode-substituir-o-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/empreenda-mais\/ia-na-musica-e-no-cinema-artistas-questionam-ate-onde-a-tecnologia-pode-substituir-o-humano\/","title":{"rendered":"IA na m\u00fasica e no cinema: artistas questionam at\u00e9 onde a tecnologia pode substituir o humano"},"content":{"rendered":"<p><i>Ap\u00f3s cr\u00edtica de Maria Rita ao uso da intelig\u00eancia artificial na m\u00fasica, cantores, atores e profissionais do audiovisual discutem limites da ferramenta e defendem criatividade, autoria e emo\u00e7\u00e3o<\/i><\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial j\u00e1 faz parte da rotina da ind\u00fastria criativa. Est\u00e1 presente na produ\u00e7\u00e3o audiovisual, na m\u00fasica, na publicidade e no mercado de influ\u00eancia, ajudando a organizar ideias, editar conte\u00fados, criar refer\u00eancias e reduzir custos. O avan\u00e7o, por\u00e9m, tamb\u00e9m provoca resist\u00eancia entre artistas que temem que a ferramenta deixe de ser um recurso de apoio e passe a ocupar o lugar de quem cria.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o ganhou for\u00e7a ap\u00f3s a cantora Maria Rita criticar o uso indiscriminado da IA na m\u00fasica. O debate tamb\u00e9m chegou a Hollywood, onde atores e profissionais do audiovisual discutem o uso de r\u00e9plicas digitais, personagens artificiais e performances geradas por tecnologia. O sindicato norte-americano SAG-AFTRA ampliou em seu acordo de 2026 as prote\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0s r\u00e9plicas digitais e performances sint\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Entre artistas brasileiros independentes, a posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente de rejei\u00e7\u00e3o completa. O ponto de converg\u00eancia est\u00e1 no limite entre utilizar a tecnologia para facilitar o trabalho e permitir que ela substitua o processo art\u00edstico.<\/p>\n<p>O ator, criador de conte\u00fado e apresentador Lu\u00eds Augusto Brito (@luisaugustobrito), conhecido por seus esquetes de com\u00e9dia e trabalhos no teatro e na televis\u00e3o, v\u00ea utilidade da IA desde a pesquisa de personagens at\u00e9 aspectos t\u00e9cnicos das produ\u00e7\u00f5es. Para ele, a ferramenta pode acelerar processos, mas n\u00e3o reproduz o que existe por tr\u00e1s de uma interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A IA pode ajudar muito na pesquisa de personagens, na an\u00e1lise de roteiros, em refer\u00eancias e at\u00e9 na parte t\u00e9cnica. Ao mesmo tempo, gra\u00e7as \u00e0 intelig\u00eancia artificial, as produ\u00e7\u00f5es audiovisuais est\u00e3o ficando mais r\u00e1pidas e acess\u00edveis. Mas, no fim das contas, ela n\u00e3o passa de uma ferramenta, quem d\u00e1 vida ao personagem continua sendo o ator, com sua interpreta\u00e7\u00e3o, sensibilidade e presen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Brito considera que personagens digitais podem ter espa\u00e7o em anima\u00e7\u00f5es ou homenagens, mas rejeita a substitui\u00e7\u00e3o de atores em produ\u00e7\u00f5es realistas. &#8220;\u00c9 importante que os direitos dos artistas sejam respeitados e que a tecnologia complemente o trabalho humano, em vez de substitu\u00ed-lo&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A mesma fronteira aparece entre os m\u00fasicos. Maf\u00e9 Peccin (@mafepeccin), cantora, compositora, produtora musical e criadora de conte\u00fado digital, conhecida pela carreira solo independente e por trabalhos em trilhas sonoras de novelas, n\u00e3o utiliza IA para compor ou criar arranjos. A ferramenta, em seu caso, fica restrita \u00e0s tarefas estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>&#8220;Na hora de compor, pensar nos arranjos ou decidir o que eu quero dizer em uma letra, prefiro que esse processo venha de mim e das pessoas com quem eu estou criando. Onde a IA entra na minha rotina \u00e9 muito mais na parte estrat\u00e9gica. Como sou uma artista independente e n\u00e3o tenho uma grande equipe por tr\u00e1s, ela acaba sendo uma ferramenta de apoio para planejamento de marketing, organiza\u00e7\u00e3o de ideias e divulga\u00e7\u00e3o do meu trabalho.&#8221;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Maf\u00e9 reconhece que a tecnologia pode democratizar o acesso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o musical. Para um artista que trabalha com or\u00e7amento reduzido, uma ferramenta capaz de viabilizar determinados recursos pode significar a diferen\u00e7a entre conseguir ou n\u00e3o colocar uma ideia em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que a intelig\u00eancia artificial pode ampliar ainda mais esse acesso. Um artista independente pode querer muito ter um violino ou algum instrumento espec\u00edfico em uma m\u00fasica, mas n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de contratar um m\u00fasico para grav\u00e1-lo naquele momento. A IA pode ser uma ferramenta para viabilizar ideias que, por uma quest\u00e3o financeira, talvez n\u00e3o fossem poss\u00edveis.&#8221;<\/p>\n<p>A cantora, por\u00e9m, aponta uma contradi\u00e7\u00e3o que considera cada vez mais dif\u00edcil de ignorar: enquanto a tecnologia amplia possibilidades, tamb\u00e9m cria d\u00favidas sobre autoria e remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 dif\u00edcil se sentir completamente seguro como compositor e artista diante de tecnologias que s\u00e3o treinadas a partir de m\u00fasicas j\u00e1 lan\u00e7adas. Quando uma m\u00fasica que \u00e9 criada praticamente inteira por intelig\u00eancia artificial alcan\u00e7a milh\u00f5es de reprodu\u00e7\u00f5es e gera receita, surgem perguntas importantes: quem est\u00e1 ganhando por essa obra? Quem comp\u00f4s? Quem interpretou? Quem tocou?&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que Maf\u00e9 estabelece o limite entre ferramenta e substitui\u00e7\u00e3o. &#8220;Existe uma linha muito t\u00eanue entre utilizar a IA como uma ferramenta que auxilia e potencializa o trabalho de um artista e entregar a ela todo o processo criativo. Para mim, s\u00e3o coisas muito diferentes.&#8221;<\/p>\n<figure>\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/MKB20260807153503675280-musica-2.jpg\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o 2\"><figcaption>Divulga\u00e7\u00e3o 2<\/figcaption><\/figure>\n<p>A cantora Malu Rodrigues (@itsmalurdz) tamb\u00e9m separa o uso operacional da IA da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Para ela, planejamento e organiza\u00e7\u00e3o podem se beneficiar da tecnologia, mas composi\u00e7\u00e3o e arranjos dependem de um processo emocional que n\u00e3o deveria ser automatizado.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que para uma produ\u00e7\u00e3o emocional como composi\u00e7\u00f5es ou cria\u00e7\u00f5es de arranjos, a IA tira parte do processo org\u00e2nico que \u00e9 essencial para criar a conex\u00e3o emocional da m\u00fasica. A arte consumida por humanos deve ser feita por humanos.&#8221;<\/p>\n<p>O cantor Pedro Bustamante (@pedrobustamanteofc), por outro lado, utiliza IA justamente nas \u00e1reas estrat\u00e9gicas de sua carreira. Como artista independente, ele considera que ferramentas capazes de economizar tempo podem ajudar quem precisa cuidar de v\u00e1rias etapas da pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje eu uso a IA mais como uma ferramenta de apoio na parte de comunica\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gia. Ela me ajuda a organizar ideias de conte\u00fado, pensar em campanhas e at\u00e9 melhorar alguns textos. Mas, quando o assunto \u00e9 m\u00fasica, fa\u00e7o quest\u00e3o de que tudo continue sendo autoral.&#8221;<\/p>\n<p>Para Bustamante, o limite est\u00e1 em quem permanece respons\u00e1vel pelas decis\u00f5es criativas. &#8220;A tecnologia pode potencializar o processo, mas n\u00e3o substituir a ess\u00eancia de quem est\u00e1 fazendo a arte.&#8221;<\/p>\n<p>A cantora e compositora Bea Duarte (@beadarte) adota uma posi\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica e afirma que a IA n\u00e3o participa de nenhuma etapa de seu trabalho. Ela tamb\u00e9m questiona a ideia de que a ferramenta seria uma solu\u00e7\u00e3o para os artistas independentes que n\u00e3o possuem grandes or\u00e7amentos.<\/p>\n<p>&#8220;A IA n\u00e3o faz parte de absolutamente nenhuma parte do meu trabalho, nem na cria\u00e7\u00e3o, na produ\u00e7\u00e3o e jamais na divulga\u00e7\u00e3o e, no que depender de mim, nunca far\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>Para Bea, existe ainda um problema relacionado \u00e0 pr\u00f3pria ideia de cria\u00e7\u00e3o. &#8220;Reproduzir e jamais produzir. Copiar, roubar, fazer um compilado de tra\u00e7os, estilos, timbres e muito mais criado por artistas de verdade. Isso \u00e9 tudo que a IA pode fazer, imitar, mas gerar sentimento real n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>No audiovisual, a discuss\u00e3o ganha uma perspectiva diferente quando observada por quem j\u00e1 utiliza a tecnologia na produ\u00e7\u00e3o. Gabriel Nascimento (@eu.gabrielnascimento), s\u00f3cio fundador e diretor executivo da Novelo Produ\u00e7\u00f5es, radialista e p\u00f3s-graduado em Dire\u00e7\u00e3o de Arte para Propaganda, v\u00ea ganhos concretos de produtividade em processos como brainstorming, refer\u00eancias visuais, edi\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o de conte\u00fado.<\/p>\n<p>&#8220;A IA est\u00e1 redesenhando a r\u00e9gua de tempo e custo da produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o substituindo a ess\u00eancia criativa. Processos que levavam dias agora levam horas.&#8221;<\/p>\n<p>Para ele, o risco est\u00e1 em transformar a tecnologia em um atalho para eliminar profissionais e etapas criativas. &#8220;Quem trata IA como atalho perde qualidade; quem trata como aceleradora de processo ganha competitividade.&#8221;<\/p>\n<figure>\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/MKB20260807153503675280-musica-1.jpg\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o 1\"><figcaption>Divulga\u00e7\u00e3o 1<\/figcaption><\/figure>\n<p>A discuss\u00e3o tamb\u00e9m chegou ao mercado de influ\u00eancia. Isabela Soller (@isabelasoller), fundadora e CEO do Grupo Soller, que atua na gest\u00e3o de carreira de influenciadores, afirma que marcas j\u00e1 recorrem \u00e0 IA para encontrar criadores e desenvolver estrat\u00e9gias. O problema \u00e9 que dados dispon\u00edveis na internet n\u00e3o conseguem medir completamente fatores subjetivos, como comportamento, autenticidade e capacidade de conex\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A IA precisa ser um organizador de ideias e\/ou um lapidador. A ideia macro ainda precisa da autenticidade e da identifica\u00e7\u00e3o humana, para que impacte os humanos. Pessoas se conectam com pessoas, e isso \u00e9 irrefut\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>Para os profissionais ouvidos, portanto, a discuss\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 mais em decidir se a intelig\u00eancia artificial far\u00e1 parte do mercado criativo. Ela j\u00e1 faz. A quest\u00e3o \u00e9 definir qual ser\u00e1 o seu lugar.<\/p>\n<p>Na m\u00fasica, no cinema e no mercado de influ\u00eancia, a defesa \u00e9 semelhante: a IA pode acelerar processos, reduzir custos e ampliar possibilidades, mas n\u00e3o deveria assumir o controle daquilo que d\u00e1 identidade \u00e0 arte. Em um cen\u00e1rio em que m\u00e1quinas conseguem reproduzir vozes, rostos, estilos e estruturas musicais, artistas defendem que ainda existe uma diferen\u00e7a fundamental entre reproduzir uma obra e ter uma experi\u00eancia humana que d\u00ea origem a ela.<\/p>\n<p>Maf\u00e9 resume esse limite a partir da pr\u00f3pria experi\u00eancia: &#8220;A gente tem que tratar a IA como se fosse um amigo te dando uma opini\u00e3o. N\u00e3o vai ser ela que vai come\u00e7ar a ideia, vai ser voc\u00ea. Para mim, \u00e9 muito diferente usar a IA como algu\u00e9m que est\u00e1 ali te dando uma opini\u00e3o e deixar que ela fa\u00e7a todo o processo por voc\u00ea. Esse \u00e9 o limite.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s cr\u00edtica de Maria Rita ao uso da intelig\u00eancia artificial na m\u00fasica, cantores, atores e profissionais do audiovisual discutem limites da ferramenta e defendem criatividade, autoria e emo\u00e7\u00e3o A","protected":false},"author":1,"featured_media":135130,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[552],"tags":[],"class_list":["post-135129","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-empreenda-mais"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135129","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135129"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135129\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/135130"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}