{"id":134683,"date":"2026-08-03T12:25:00","date_gmt":"2026-08-03T15:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/o-verdadeiro-custo-de-exportar-as-barreiras-que-travam-o-brasil\/"},"modified":"2026-08-03T12:25:00","modified_gmt":"2026-08-03T15:25:00","slug":"o-verdadeiro-custo-de-exportar-as-barreiras-que-travam-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/o-verdadeiro-custo-de-exportar-as-barreiras-que-travam-o-brasil\/","title":{"rendered":"O verdadeiro custo de exportar: as barreiras que travam o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Toda vez que o com\u00e9rcio exterior brasileiro entra na pauta, a conversa tende a girar em torno das tarifas que os pa\u00edses compradores imp\u00f5em aos produtos nacionais. \u00c9 o n\u00famero mais f\u00e1cil de apontar, o vil\u00e3o mais \u00f3bvio. O problema \u00e9 que ele conta s\u00f3 uma parte da hist\u00f3ria. Antes de qualquer mercadoria cruzar a fronteira, o exportador brasileiro j\u00e1 pagou um pre\u00e7o (em tempo, burocracia e juros) que raramente aparece nas manchetes sobre tarifa\u00e7o. Segundo o Logistics Performance Index (LPI) do Banco Mundial, o Brasil ocupa posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria entre economias com estrutura produtiva compar\u00e1vel, atr\u00e1s de concorrentes diretos em setores como agroneg\u00f3cio e manufatura.<\/p>\n<p>Burocracia que custa tempo e dinheiro<\/p>\n<p>O primeiro gargalo est\u00e1 no despacho aduaneiro. Documenta\u00e7\u00e3o redundante, exig\u00eancias que variam entre \u00f3rg\u00e3os e prazos de libera\u00e7\u00e3o acima da m\u00e9dia de pa\u00edses da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico) encarecem cada etapa do processo, segundo dados do Siscomex, sistema do MDIC (Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os) que centraliza o com\u00e9rcio exterior brasileiro. Enquanto a libera\u00e7\u00e3o de mercadorias no Brasil pode levar em m\u00e9dia de 5 a 8 dias no fluxo geral de importa\u00e7\u00e3o, podendo ultrapassar 12 dias quando h\u00e1 necessidade de anu\u00eancia de \u00f3rg\u00e3os reguladores ou canal vermelho, a m\u00e9dia de processamento aduaneiro nos pa\u00edses da OCDE gira em torno de 24 a 48 horas, conforme dados consolidados do Portal \u00danico Siscomex (MDIC\/RFB) e do Trade Facilitation Indicators (OCDE). Para empresas que operam com margens apertadas, um atraso de poucos dias pode inviabilizar um contrato inteiro.<\/p>\n<p>Um sistema tribut\u00e1rio que penaliza quem exporta<\/p>\n<p>A complexidade tribut\u00e1ria \u00e9 o segundo obst\u00e1culo, e talvez o mais dif\u00edcil de navegar sem assessoria especializada. Cr\u00e9ditos de impostos que demoram para ser ressarcidos, regras que mudam de estado para estado e uma carga de obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias sem paralelo direto em pa\u00edses concorrentes tornam o planejamento tribut\u00e1rio do exportador brasileiro um exerc\u00edcio constante de tentativa e erro.<\/p>\n<p>Estudos comparativos do Banco Mundial (Paying Taxes\/OCDE) indicam que as empresas no Brasil chegam a dedicar cerca de 1.500 horas por ano apenas para apurar, preparar e pagar tributos e cumprir obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias, um n\u00famero discrepante frente \u00e0 m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE, que gira em torno de 160 a 170 horas anuais. E, segundo levantamentos da CNI (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria) e do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o), o custo de conformidade fiscal e a gest\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias consomem em m\u00e9dia de 1% a 1,5% do faturamento das empresas brasileiras, enquanto o prazo para ressarcimento de cr\u00e9ditos de PIS\/Cofins e ICMS acumulados na exporta\u00e7\u00e3o pode superar 400 dias, contra a devolu\u00e7\u00e3o em poucas semanas praticada nos pa\u00edses da OCDE.<\/p>\n<p>Estradas, ferrovias e portos que encarecem o frete interno<\/p>\n<p>Rodovias em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es, malha ferrovi\u00e1ria insuficiente e portos com filas recorrentes formam o terceiro entrave. O Brasil aparece mal posicionado no Business Ready (B-READY), indicador do Banco Mundial lan\u00e7ado em 2024 que tamb\u00e9m avalia o ambiente log\u00edstico para o com\u00e9rcio internacional. No levantamento, o Brasil apresentou baixas pontua\u00e7\u00f5es no pilar de servi\u00e7os p\u00fablicos e infraestrutura para o com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o frete de uma f\u00e1brica at\u00e9 o porto pode custar, proporcionalmente, mais do que o frete internacional at\u00e9 o destino final. Estudos da CNT (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte) e da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral mostram que o custo log\u00edstico interno consome, em m\u00e9dia, de 12% a 15% do faturamento bruto das empresas brasileiras, contra cerca de 8% nos EUA, impulsionado pela depend\u00eancia do modal rodovi\u00e1rio, onde o frete terrestre por tonelada-quil\u00f4metro chega a ser at\u00e9 3 vezes mais caro do que o transporte mar\u00edtimo de longa dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O Custo Brasil que corr\u00f3i a competitividade de pre\u00e7o<\/p>\n<p>O chamado Custo Brasil, conjunto de inefici\u00eancias que vai de tributos a burocracia trabalhista, \u00e9 medido periodicamente pelo MBC (Movimento Brasil Competitivo). Estudos do MBC em parceria com o MDIC estimam que o Custo Brasil consome cerca de R$ 1,7 trilh\u00e3o por ano, o equivalente a 19,5% do PIB nacional, drenando recursos que poderiam ser reinvestidos em tecnologia, produtividade e amplia\u00e7\u00e3o de mercados. Levantamentos da CNI refor\u00e7am o diagn\u00f3stico: tributa\u00e7\u00e3o e infraestrutura aparecem, de forma recorrente, entre os principais obst\u00e1culos citados por industriais que buscam expandir vendas externas.<\/p>\n<p>Cr\u00e9dito escasso trava as m\u00e9dias empresas<\/p>\n<p>O quinto gargalo \u00e9 financeiro. Linhas de cr\u00e9dito espec\u00edficas para exporta\u00e7\u00e3o, e capital de giro para sustentar o ciclo entre produ\u00e7\u00e3o e recebimento, ainda s\u00e3o escassas para empresas de m\u00e9dio porte. Dados da ABGF (Ag\u00eancia Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social) apontam que a alta exig\u00eancia de colaterais e a baixa cobertura por SCE (Seguro de Cr\u00e9dito \u00e0 Exporta\u00e7\u00e3o) fazem com que menos de 10% das pequenas e m\u00e9dias empresas exportadoras consigam acessar linhas oficiais de capital de giro pr\u00e9-embarque no pa\u00eds. Sem esse f\u00f4lego financeiro, muitas companhias com produto competitivo no exterior simplesmente n\u00e3o conseguem sustentar a opera\u00e7\u00e3o at\u00e9 o primeiro pagamento chegar.<\/p>\n<p>Os principais motivos que impedem empresas brasileiras de exportar mais somam-se em cadeia: alta burocracia aduaneira e documental, complexidade do sistema tribut\u00e1rio, infraestrutura log\u00edstica prec\u00e1ria, Custo Brasil (que reduz a competitividade de pre\u00e7os) e escassez de capital de giro ou cr\u00e9dito voltado ao com\u00e9rcio exterior. Juntos, esses cinco fatores formam uma barreira que se acumula antes mesmo de qualquer tarifa internacional entrar na conta.<\/p>\n<p>Para <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/pamellagiteribeiro\/\" target=\"_blank\"><u>Pamella Gite Ribeiro, especialista em Com\u00e9rcio Exterior<\/u><\/a>, com mais de 12 anos de experi\u00eancia na \u00e1rea e especializa\u00e7\u00e3o em Global Business Management pela University of California, Los Angeles, reduzir o debate sobre competitividade internacional apenas \u00e0s tarifas significa ignorar alguns dos principais fatores que determinam o sucesso das exporta\u00e7\u00f5es. &#8220;O debate costuma concentrar aten\u00e7\u00e3o nas tarifas impostas pelos pa\u00edses compradores. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, muitas empresas perdem competitividade antes mesmo de enfrentar qualquer barreira tarif\u00e1ria. Exportar exige planejamento integrado de log\u00edstica, conformidade regulat\u00f3ria, tributa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o financeira. Quando esses fatores n\u00e3o s\u00e3o considerados desde o in\u00edcio, o custo da opera\u00e7\u00e3o cresce silenciosamente, reduz a competitividade e, em muitos casos, compromete a capacidade da empresa de se manter no mercado internacional. Superar esses gargalos n\u00e3o beneficia apenas empresas exportadoras; \u00e9 um passo essencial para aumentar a competitividade do Brasil no com\u00e9rcio internacional e fortalecer cadeias de suprimentos mais resilientes&#8221;.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da especialista, enfrentar esses gargalos \u00e9 uma etapa indispens\u00e1vel para ampliar a competitividade das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. Reduzir o Custo Brasil e destravar os cinco entraves internos depende menos de novos acordos comerciais e mais de reformas dom\u00e9sticas, o tipo de agenda que raramente vira manchete, mas que influencia diretamente a capacidade das empresas de competir no mercado internacional.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>PulseBrand<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Toda vez que o com\u00e9rcio exterior brasileiro entra na pauta, a conversa tende a girar em torno das tarifas que os pa\u00edses compradores imp\u00f5em aos produtos nacionais. \u00c9 o n\u00famero mais f\u00e1cil de","protected":false},"author":1,"featured_media":134684,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[7691],"tags":[],"class_list":["post-134683","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pulsebrand"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134683"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134683\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134684"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}