{"id":134477,"date":"2026-07-30T15:25:00","date_gmt":"2026-07-30T18:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/por-que-a-mortalidade-por-cancer-de-mama-nao-caiu-no-brasil-como-em-paises-ricos-dr-vinicius-tadeu-sattin-rodrigues-analisa-a-lacuna-de-cobertura-do-rastreamento\/"},"modified":"2026-07-30T15:25:00","modified_gmt":"2026-07-30T18:25:00","slug":"por-que-a-mortalidade-por-cancer-de-mama-nao-caiu-no-brasil-como-em-paises-ricos-dr-vinicius-tadeu-sattin-rodrigues-analisa-a-lacuna-de-cobertura-do-rastreamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/por-que-a-mortalidade-por-cancer-de-mama-nao-caiu-no-brasil-como-em-paises-ricos-dr-vinicius-tadeu-sattin-rodrigues-analisa-a-lacuna-de-cobertura-do-rastreamento\/","title":{"rendered":"Por que a mortalidade por c\u00e2ncer de mama n\u00e3o caiu no Brasil como em pa\u00edses ricos: Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues analisa a lacuna de cobertura do rastreamento"},"content":{"rendered":"<p><b>Em na\u00e7\u00f5es com programas de rastreamento consolidados, a incid\u00eancia da doen\u00e7a sobe e a mortalidade cai. No Brasil, a mortalidade cresceu nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, um descompasso que estudos associam \u00e0 cobertura insuficiente de mamografia.<\/b><\/p>\n<p>Em boa parte dos pa\u00edses desenvolvidos, o padr\u00e3o epidemiol\u00f3gico do c\u00e2ncer de mama segue uma l\u00f3gica conhecida: a incid\u00eancia da doen\u00e7a aumenta \u00e0 medida que a popula\u00e7\u00e3o envelhece e os m\u00e9todos diagn\u00f3sticos se tornam mais sens\u00edveis, enquanto a mortalidade cai, gra\u00e7as a programas de rastreamento consolidados e tratamento mais precoce. No Brasil, estudos indicam que a taxa de mortalidade por c\u00e2ncer de mama cresceu de forma sistem\u00e1tica nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, um padr\u00e3o que destoa do observado em na\u00e7\u00f5es com sistemas de rastreamento mais maduros.<\/p>\n<p><b>Uma meta de cobertura que o pa\u00eds est\u00e1 longe de alcan\u00e7ar<\/b><\/p>\n<p>O Instituto Nacional de C\u00e2ncer estima que o Brasil deve registrar 73.610 novos casos de c\u00e2ncer de mama em 2025. Em 2023, mais de 20 mil mulheres morreram em decorr\u00eancia da doen\u00e7a, com maior concentra\u00e7\u00e3o de \u00f3bitos nas regi\u00f5es Sul, Sudeste e Nordeste. Segundo dados do pr\u00f3prio instituto, a meta de cobertura de rastreamento seria de 70% da popula\u00e7\u00e3o-alvo, mas a realidade brasileira est\u00e1 longe disso: a cobertura varia de cerca de 5,3% em alguns estados do Norte a 33% no Esp\u00edrito Santo, o estado com melhor desempenho no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Dr. Vinicius Rodrigues observa que uma meta de 70% n\u00e3o alcan\u00e7ada nem pelo estado mais bem posicionado do pa\u00eds revela um problema estrutural de cobertura, n\u00e3o um caso isolado de regi\u00e3o carente. Segundo ele, rastreamento organizado s\u00f3 produz impacto real sobre mortalidade quando atinge parcela suficiente da popula\u00e7\u00e3o-alvo de forma continuada, e n\u00e3o como iniciativa pontual.<\/p>\n<p><b>Uma desigualdade que tamb\u00e9m \u00e9 social<\/b><\/p>\n<p>O acesso ao rastreamento no Brasil varia de forma expressiva conforme escolaridade: levantamentos do INCA mostram cobertura de cerca de 49% entre mulheres sem instru\u00e7\u00e3o ou com ensino fundamental incompleto, contra 77,8% entre aquelas com ensino superior completo. Essa disparidade se soma a diferen\u00e7as regionais e, segundo estudos da \u00e1rea, tamb\u00e9m a diferen\u00e7as por ra\u00e7a e cor.<\/p>\n<p>Para o Dr. Vinicius Rodrigues, essa desigualdade de acesso ajuda a explicar por que o Brasil n\u00e3o reproduz o padr\u00e3o observado em pa\u00edses ricos: parte da popula\u00e7\u00e3o segue realizando o exame com regularidade, enquanto outra parcela significativa permanece fora do radar do sistema de rastreamento, o que tende a resultar em diagn\u00f3sticos mais tardios justamente entre quem tem menos acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e ao sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p><b>Um sinal recente de melhora, ainda insuficiente<\/b><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio mais recente do INCA aponta um dado positivo: entre 2000 e 2023, houve redu\u00e7\u00e3o proporcional na mortalidade por c\u00e2ncer de mama entre mulheres de 40 a 49 anos, faixa et\u00e1ria que passou a ter acesso ampliado ao exame no SUS em 2025. Ainda assim, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade realizou 4,4 milh\u00f5es de mamografias em 2024, das quais apenas 2,6 milh\u00f5es corresponderam \u00e0 faixa et\u00e1ria priorit\u00e1ria de 50 a 74 anos, volume que especialistas consideram aqu\u00e9m do necess\u00e1rio para uma cobertura populacional efetiva.<\/p>\n<p><b>O que essa lacuna estrutural exige da pol\u00edtica p\u00fablica?<\/b><\/p>\n<p>O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues pondera que ampliar regras de acesso, como ocorreu recentemente, tem valor limitado se n\u00e3o vier acompanhado de esfor\u00e7o concreto para elevar a cobertura efetiva do rastreamento, sobretudo entre popula\u00e7\u00f5es historicamente menos alcan\u00e7adas pelo sistema de sa\u00fade. Para ele, fechar esse descompasso entre meta e realidade \u00e9 o que efetivamente vai determinar se o Brasil conseguir\u00e1, no futuro, reproduzir a trajet\u00f3ria de queda de mortalidade j\u00e1 observada em pa\u00edses com programas de rastreamento mais consolidados.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em na\u00e7\u00f5es com programas de rastreamento consolidados, a incid\u00eancia da doen\u00e7a sobe e a mortalidade cai. 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