{"id":133672,"date":"2026-07-17T11:10:00","date_gmt":"2026-07-17T14:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/empreenda-mais\/o-brasil-ja-alimenta-o-mundo-o-proximo-desafio-e-agregar-valor-ao-que-produz\/"},"modified":"2026-07-17T11:10:00","modified_gmt":"2026-07-17T14:10:00","slug":"o-brasil-ja-alimenta-o-mundo-o-proximo-desafio-e-agregar-valor-ao-que-produz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/empreenda-mais\/o-brasil-ja-alimenta-o-mundo-o-proximo-desafio-e-agregar-valor-ao-que-produz\/","title":{"rendered":"O Brasil j\u00e1 alimenta o mundo. O pr\u00f3ximo desafio \u00e9 agregar valor ao que produz"},"content":{"rendered":"<p><i>*Por Henrique Galvani, CEO da <\/i> <a href=\"http:\/\/araraseed.com.br\/\" target=\"_blank\"><u><i>Arara Seed<\/i><\/u><\/a><\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio brasileiro vive um momento hist\u00f3rico. No primeiro trimestre de 2026, o setor alcan\u00e7ou US$ 38 bilh\u00f5es em exporta\u00e7\u00f5es e super\u00e1vit de US$ 33 bilh\u00f5es, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa), consolidando mais uma vez sua posi\u00e7\u00e3o entre os principais motores da economia nacional. Novamente, o Brasil mostrou ao mundo sua capacidade de produzir em escala, com competitividade e relev\u00e2ncia global.<\/p>\n<p>Mas talvez o dado mais estrat\u00e9gico esteja menos no recorde e mais na sua composi\u00e7\u00e3o: no mesmo per\u00edodo, o volume exportado pelo agro brasileiro cresceu 3,8%, enquanto o pre\u00e7o m\u00e9dio caiu 2,8%. Em outras palavras, seguimos vendendo muito, mas nem sempre capturando proporcionalmente mais valor.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o ponto central da discuss\u00e3o. O Brasil j\u00e1 venceu o desafio da produ\u00e7\u00e3o. Temos tecnologia tropical, escala, solos produtivos, produtores altamente eficientes e uma cadeia que se profissionalizou muito nas \u00faltimas d\u00e9cadas. O pr\u00f3ximo desafio \u00e9 outro: agregar valor ao que produzimos.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, a grande miss\u00e3o do agro brasileiro foi aumentar a oferta de alimentos. E fizemos isso com enorme compet\u00eancia. O pa\u00eds se tornou protagonista global na soja, nas carnes, no caf\u00e9, no a\u00e7\u00facar, no milho, no algod\u00e3o e em tantos outros segmentos. Mas o futuro do agro n\u00e3o ser\u00e1 definido apenas por quem produz mais. Ser\u00e1 definido por quem consegue produzir melhor, perder menos, processar mais, rastrear com mais precis\u00e3o, certificar com credibilidade, construir marcas, acessar consumidores e transformar sustentabilidade em vantagem competitiva.<\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o ganha relev\u00e2ncia porque o problema deixou de ser apenas aumentar a oferta de alimentos. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) alerta que o mundo praticamente n\u00e3o avan\u00e7ou na redu\u00e7\u00e3o das perdas de alimentos desde o in\u00edcio do monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), mantendo distante a meta de reduzir o desperd\u00edcio pela metade at\u00e9 2030. Em outras palavras, produzir mais j\u00e1 n\u00e3o basta. \u00c9 preciso aproveitar melhor o que j\u00e1 produzimos.<\/p>\n<p>Esse ponto deveria estar no centro da estrat\u00e9gia do agro brasileiro. Reduzir perdas log\u00edsticas, melhorar armazenagem, ampliar processamento, desenvolver embalagens inteligentes, usar dados para gest\u00e3o de risco, rastrear cadeias, certificar pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e aproximar o produtor do consumidor s\u00e3o caminhos concretos para aumentar a efici\u00eancia e capturar mais valor.<\/p>\n<p><b>Precisamos urgentemente agregar valor ao que \u00e9 produzido internamente<\/b><\/p>\n<p>Quando olhamos para pa\u00edses menores, a li\u00e7\u00e3o fica evidente. A Holanda, por exemplo, n\u00e3o construiu sua relev\u00e2ncia agroalimentar global apenas com escala territorial. O pa\u00eds investiu em tecnologia, log\u00edstica, processamento, pesquisa, estufas, gen\u00e9tica, alimentos preparados, equipamentos e marcas. \u00c9 um exemplo claro de que a lideran\u00e7a no agro n\u00e3o depende apenas de produzir muito em muitas \u00e1reas, mas de transformar produ\u00e7\u00e3o em valor.<\/p>\n<p>Essa compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser vista como uma cr\u00edtica ao Brasil, mas como uma inspira\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. Temos algo que poucos pa\u00edses t\u00eam: escala produtiva, biodiversidade, clima, \u00e1gua, empreendedorismo rural e uma nova gera\u00e7\u00e3o de empresas desenvolvendo solu\u00e7\u00f5es para os gargalos do campo. Se combinarmos esses ativos com tecnologia, capital e vis\u00e3o de longo prazo, podemos deixar de ser apenas grandes fornecedores de mat\u00e9ria-prima para nos tornarmos protagonistas em solu\u00e7\u00f5es agroalimentares.<\/p>\n<p><b>Oportunidade para acelerar a inova\u00e7\u00e3o no agro<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 aqui que as agtechs e foodtechs assumem um papel cada vez mais estrat\u00e9gico. Elas s\u00e3o parte essencial dessa nova fase do agro brasileiro. S\u00e3o empresas capazes de desenvolver solu\u00e7\u00f5es para efici\u00eancia operacional, cr\u00e9dito, seguro, rastreabilidade, bioinsumos, agricultura regenerativa, redu\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcio, novos alimentos, intelig\u00eancia de mercado, log\u00edstica, carbono e conex\u00e3o direta entre produtores, ind\u00fastrias e consumidores.<\/p>\n<p>O produtor rural brasileiro j\u00e1 mostrou que sabe adotar tecnologia quando ela resolve problemas reais. Agora, o desafio \u00e9 criar um ecossistema que permita que essas solu\u00e7\u00f5es ganhem escala. Isso exige capital, governan\u00e7a, conex\u00e3o com grandes empresas, acesso a mercado e uma agenda regulat\u00f3ria que favore\u00e7a a inova\u00e7\u00e3o sem perder seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m exige uma mudan\u00e7a de mentalidade. O agro brasileiro n\u00e3o pode aceitar que a maior parte da margem fique fora da porteira, fora da ind\u00fastria nacional ou fora do pa\u00eds. Exportar soja, caf\u00e9, carne, frutas e a\u00e7\u00facar continuar\u00e1 sendo importante. Mas precisamos fazer uma pergunta mais ambiciosa: quanto valor adicional podemos capturar se exportarmos tamb\u00e9m ingredientes, alimentos processados, marcas, tecnologia, dados, certifica\u00e7\u00f5es, bioinsumos, m\u00e1quinas, gen\u00e9tica, plataformas e solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas?<\/p>\n<p>O debate p\u00fablico sobre o agro ainda est\u00e1 muito concentrado em safra, produtividade e exporta\u00e7\u00f5es. Esses indicadores continuam fundamentais, mas j\u00e1 n\u00e3o explicam sozinhos a competitividade do setor. Investidores, consumidores e compradores internacionais observam cada vez mais como os alimentos s\u00e3o produzidos, quanto se perde ao longo da cadeia, quais tecnologias est\u00e3o sendo utilizadas e qual impacto ambiental e social est\u00e1 associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil re\u00fane condi\u00e7\u00f5es \u00fanicas para liderar essa agenda. Temos escala, conhecimento t\u00e9cnico, produtores eficientes, empresas inovadoras e um ecossistema crescente de agtechs e foodtechs. O que precisamos agora \u00e9 transformar essa combina\u00e7\u00e3o em uma nova narrativa econ\u00f4mica para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ser um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo continuar\u00e1 sendo motivo de orgulho. Mas, daqui para frente, isso ser\u00e1 apenas parte da hist\u00f3ria. A lideran\u00e7a do agro brasileiro depender\u00e1, cada vez mais, da capacidade de mostrar ao mercado global que produtividade, inova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade podem caminhar juntas.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 alimenta o mundo. Agora, precisa liderar uma nova etapa: produzir com intelig\u00eancia, transformar com efici\u00eancia e vender com mais valor. A pr\u00f3xima d\u00e9cada do agro brasileiro n\u00e3o ser\u00e1 apenas sobre produzir mais. Ser\u00e1 sobre capturar mais valor por tonelada, por hectare, por tecnologia, por marca e por impacto positivo gerado.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 \u00e9 uma pot\u00eancia agropecu\u00e1ria. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 se tornar uma pot\u00eancia agroindustrial, tecnol\u00f3gica e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><b><i>Henrique Galvani<\/i><\/b> <i> \u00e9 s\u00f3cio-fundador e CEO da Arara Seed, primeira plataforma de equity crowdfunding voltada exclusivamente para o agroneg\u00f3cio. Formado em Ci\u00eancias Cont\u00e1beis pela Universidade Paulista, Galvani atua h\u00e1 14 anos no setor, com passagens pelo Grupo BLB e pela BLB Ventures. Em 2024, foi reconhecido pela Forbes como um dos talentos do agro na lista Under 30.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"*Por Henrique Galvani, CEO da Arara Seed O agroneg\u00f3cio brasileiro vive um momento hist\u00f3rico. 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