{"id":132795,"date":"2026-07-03T11:05:00","date_gmt":"2026-07-03T14:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/diohn-do-prado-detalha-o-desafio-dos-residuos-que-o-setor-de-rochas-deixa-pelo-caminho-e-as-saidas-da-economia-circular\/"},"modified":"2026-07-03T11:05:00","modified_gmt":"2026-07-03T14:05:00","slug":"diohn-do-prado-detalha-o-desafio-dos-residuos-que-o-setor-de-rochas-deixa-pelo-caminho-e-as-saidas-da-economia-circular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/diohn-do-prado-detalha-o-desafio-dos-residuos-que-o-setor-de-rochas-deixa-pelo-caminho-e-as-saidas-da-economia-circular\/","title":{"rendered":"Diohn do Prado detalha o desafio dos res\u00edduos que o setor de rochas deixa pelo caminho e as sa\u00eddas da economia circular"},"content":{"rendered":"<p><b>O Brasil bate recordes de exporta\u00e7\u00e3o de m\u00e1rmores, granitos e quartzitos, mas cada chapa produzida deixa para tr\u00e1s lama e cacos que ainda terminam, na maior parte, em aterros. Para o diretor administrativo da Agiliza Marmoraria, o res\u00edduo da pedra \u00e9 um problema com solu\u00e7\u00e3o conhecida e ado\u00e7\u00e3o lenta.<\/b><\/p>\n<p>O setor brasileiro de rochas ornamentais vive seu melhor momento comercial, com exporta\u00e7\u00f5es recordes e o quartzito nacional disputado pelo mercado de luxo internacional. H\u00e1, por\u00e9m, uma conta que n\u00e3o aparece nas estat\u00edsticas de embarque. Da pedreira \u00e0 bancada instalada, cada etapa da cadeia deixa res\u00edduos pelo caminho: blocos descartados na extra\u00e7\u00e3o, a lama gerada na serragem das chapas e os cacos e aparas do corte final nas marmorarias. O destino mais comum desse material, segundo \u00f3rg\u00e3os ambientais, ainda s\u00e3o os aterros de res\u00edduos industriais, uma solu\u00e7\u00e3o que enterra, junto com o rejeito, qualquer chance de aproveitamento futuro.<\/p>\n<p>O problema tem uma caracter\u00edstica que o diferencia de outros passivos industriais: a pedra n\u00e3o se decomp\u00f5e. Diohn do Prado, diretor administrativo da Agiliza Marmoraria, no Paran\u00e1, lida com essa sobra todos os dias. &#8220;Pedra n\u00e3o apodrece nem vira fuma\u00e7a. Tudo o que entra na marmoraria e n\u00e3o sai como produto fica no p\u00e1tio. A pergunta que todo gestor do setor carrega \u00e9 o que fazer com isso&#8221;, define. A resposta existe, e passa pela economia circular. O que falta, como em boa parte da agenda ambiental brasileira, \u00e9 a ponte entre a solu\u00e7\u00e3o conhecida e a pr\u00e1tica cotidiana.<\/p>\n<p><b>O que sobra quando a pedra vira produto?<\/b><\/p>\n<p>A cadeia da rocha ornamental gera dois tipos principais de res\u00edduo. O primeiro \u00e9 s\u00f3lido: casqueiros e blocos sem aproveitamento na pedreira, cacos e aparas nas serrarias e marmorarias. O segundo \u00e9 a chamada lama de beneficiamento, mistura de p\u00f3 de rocha e \u00e1gua que resulta da serragem e do polimento das chapas, conhecida no setor pela sigla LBRO. Estudos t\u00e9cnicos apontam que esse material, quando descartado sem tratamento, pode contaminar solos e cursos d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>O peso do problema se distribui de forma desigual pela cadeia. Grandes serrarias, concentradas no Esp\u00edrito Santo, t\u00eam escala e capital para investir em filtros-prensa e centrais de tratamento. J\u00e1 o elo final, formado por milhares de marmorarias de pequeno porte espalhadas pelo pa\u00eds, enfrenta o res\u00edduo com estrutura m\u00ednima. Pesquisas sobre o setor apontam o baixo investimento em tecnologia das pequenas e m\u00e9dias empresas como um dos gargalos centrais da gest\u00e3o de res\u00edduos. Para essas empresas, o descarte correto \u00e9 um custo recorrente de frete e taxas de aterro, sem retorno algum.<\/p>\n<p><b>A dist\u00e2ncia entre a lei e o p\u00e1tio da empresa<\/b><\/p>\n<p>Desde 2010, a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos obriga as empresas a dar destina\u00e7\u00e3o ambientalmente adequada ao que produzem de rejeito, com responsabilidade compartilhada ao longo da cadeia. No papel, o arcabou\u00e7o existe. Na pr\u00e1tica, a fiscaliza\u00e7\u00e3o desigual e a falta de alternativas locais de reaproveitamento empurram o res\u00edduo da rocha para o caminho mais simples, o aterro, ou, nos piores casos, para o descarte irregular. O padr\u00e3o se repete em outros setores, mas na rocha ele tem um agravante econ\u00f4mico: o material enterrado tem valor.<\/p>\n<p>\u00c9 essa a mudan\u00e7a de olhar que a economia circular prop\u00f5e. O caco de granito e a lama de m\u00e1rmore n\u00e3o s\u00e3o lixo, s\u00e3o mat\u00e9ria-prima fora do lugar. &#8220;O res\u00edduo que vai para o aterro custa duas vezes: o frete para tirar do p\u00e1tio e a taxa para enterrar. Quando vira piso, brita ou artefato, ele para de custar e come\u00e7a a valer&#8221;, afirma Diohn Prado. O racioc\u00ednio que ele descreve \u00e9 o argumento central de quem defende a economia circular no setor: o material que hoje \u00e9 despesa pode virar receita, desde que exista estrutura para transform\u00e1-lo.<\/p>\n<p><b>As rotas que j\u00e1 transformam rejeito em produto<\/b><\/p>\n<p>O que acontece com as sobras de m\u00e1rmore e granito quando h\u00e1 reaproveitamento? As rotas j\u00e1 mapeadas pela pesquisa e pela ind\u00fastria s\u00e3o variadas. Os cacos triturados viram brita para p\u00e1tios, jardins e base de estradas. O p\u00f3 e a lama entram na composi\u00e7\u00e3o de artefatos de concreto, pisos intertravados, lajotas e argamassas, agregando resist\u00eancia ao material. Aparas maiores se transformam em soleiras, tampos, mosaicos e pe\u00e7as de decora\u00e7\u00e3o. H\u00e1 at\u00e9 pesquisa do Instituto Nacional de Tecnologia para o uso do res\u00edduo de granito e m\u00e1rmore na fabrica\u00e7\u00e3o de vidro, que aproveita os \u00f3xidos presentes na composi\u00e7\u00e3o da rocha.<\/p>\n<p>Algumas experi\u00eancias coletivas mostram o caminho em escala. No noroeste do Esp\u00edrito Santo, uma associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane dezenas de serrarias comprou um terreno para destinar os res\u00edduos da regi\u00e3o e acabou transformando o espa\u00e7o em um complexo de reaproveitamento, com projetos que v\u00e3o de pr\u00e9-moldados de concreto a uma escola de artesanato feita com sobras de rocha, cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9 doada. O caso ilustra o que a literatura sobre economia circular repete: a solu\u00e7\u00e3o individual raramente fecha a conta para o pequeno neg\u00f3cio, mas a solu\u00e7\u00e3o coletiva, organizada por regi\u00e3o ou por polo produtivo, muda a conta do res\u00edduo.<\/p>\n<p><b>O teste de maturidade de um setor em alta<\/b><\/p>\n<p>A discuss\u00e3o chega em boa hora. O momento de recordes do setor amplia a produ\u00e7\u00e3o e, com ela, o volume de rejeito, ao mesmo tempo em que o mercado internacional passa a cobrar credenciais ambientais de quem fornece. A rocha ornamental carrega ainda uma particularidade que torna o desperd\u00edcio mais grave: \u00e9 um recurso natural n\u00e3o renov\u00e1vel. Cada jazida tem fim, e cada tonelada extra\u00edda que termina em aterro \u00e9 uma fra\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f4nio geol\u00f3gico convertida em passivo, n\u00e3o em produto.<\/p>\n<p>Para as milhares de pequenas empresas que formam a base do setor, a transi\u00e7\u00e3o depende de tr\u00eas coisas: tecnologia acess\u00edvel de tratamento, log\u00edstica regional de coleta e um mercado comprador para os produtos do reaproveitamento. Nenhuma delas se constr\u00f3i sozinha, e \u00e9 nesse ponto que o tema deixa de ser setorial e vira quest\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica, envolvendo licenciamento, incentivo e articula\u00e7\u00e3o local. A experi\u00eancia de quem trabalha com isso todos os dias, como Diohn do Prado, indica que a disposi\u00e7\u00e3o existe onde a conta fecha. O desafio do pa\u00eds \u00e9 fazer a conta fechar em mais lugares.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Brasil bate recordes de exporta\u00e7\u00e3o de m\u00e1rmores, granitos e quartzitos, mas cada chapa produzida deixa para tr\u00e1s lama e cacos que ainda terminam, na maior parte, em aterros. 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