{"id":132435,"date":"2026-06-29T11:30:00","date_gmt":"2026-06-29T14:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/o-risco-geotecnico-em-obras-de-saneamento-e-o-passivo-que-as-concessoes-nao-colocam-no-prospecto-aponta-marcio-andre-savi\/"},"modified":"2026-06-29T11:30:00","modified_gmt":"2026-06-29T14:30:00","slug":"o-risco-geotecnico-em-obras-de-saneamento-e-o-passivo-que-as-concessoes-nao-colocam-no-prospecto-aponta-marcio-andre-savi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/o-risco-geotecnico-em-obras-de-saneamento-e-o-passivo-que-as-concessoes-nao-colocam-no-prospecto-aponta-marcio-andre-savi\/","title":{"rendered":"O risco geot\u00e9cnico em obras de saneamento \u00e9 o passivo que as concess\u00f5es n\u00e3o colocam no prospecto, aponta M\u00e1rcio Andr\u00e9 Savi"},"content":{"rendered":"<p><b>Atrasos, aditivos contratuais e obras paralisadas t\u00eam uma causa t\u00e9cnica comum que analistas financeiros raramente consideram nos modelos de valuation do setor.<\/b><\/p>\n<p>Quando investidores avaliam uma concess\u00e3o de saneamento, os modelos financeiros costumam projetar cronogramas de obras, fluxo de caixa de longo prazo e metas regulat\u00f3rias com uma precis\u00e3o que o campo raramente confirma. O que esses modelos quase nunca incorporam \u00e9 o risco geot\u00e9cnico, a vari\u00e1vel t\u00e9cnica que determina o comportamento do solo onde as obras ser\u00e3o executadas e que, quando mal avaliada, transforma cronogramas otimistas em aditivos contratuais, obras paralisadas e resultados financeiros muito abaixo do projetado. M\u00e1rcio Andr\u00e9 Savi, engenheiro especializado em obras de infraestrutura e saneamento, acompanhou de perto projetos que enfrentaram esse tipo de problema. Na sua leitura, o risco geot\u00e9cnico \u00e9 um dos passivos mais subestimados do setor de concess\u00f5es de infraestrutura sanit\u00e1ria, e o mercado financeiro ainda n\u00e3o desenvolveu ferramentas adequadas para precific\u00e1-lo.<\/p>\n<p><b>O que o solo esconde e o prospecto n\u00e3o revela?<\/b><\/p>\n<p>Obras de saneamento s\u00e3o, em sua ess\u00eancia, obras subterr\u00e2neas. Redes coletoras de esgoto, adutoras, galerias de drenagem e estruturas de funda\u00e7\u00e3o de esta\u00e7\u00f5es de tratamento dependem diretamente das condi\u00e7\u00f5es do solo onde ser\u00e3o implantadas. Quando os estudos geot\u00e9cnicos realizados na fase de projeto n\u00e3o s\u00e3o suficientemente detalhados, ou quando o terreno apresenta condi\u00e7\u00f5es diferentes das previstas durante a execu\u00e7\u00e3o, o impacto sobre o cronograma e o custo da obra pode ser substancial.<\/p>\n<p>M\u00e1rcio Andr\u00e9 Savi aponta que solos com presen\u00e7a de rocha n\u00e3o mapeada, len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos mais rasos do que o previsto ou camadas de argila mole em \u00e1reas urbanas densas s\u00e3o ocorr\u00eancias que exigem mudan\u00e7as de projeto, equipamentos especializados e prazos adicionais que n\u00e3o estavam no contrato original. Cada uma dessas ocorr\u00eancias se traduz em um aditivo contratual que pressiona o or\u00e7amento da concess\u00e3o e, dependendo da escala, impacta diretamente a gera\u00e7\u00e3o de caixa projetada para o per\u00edodo.<\/p>\n<p><b>Aditivos contratuais: onde o risco geot\u00e9cnico vira n\u00famero<\/b><\/p>\n<p>O mercado de infraestrutura p\u00fablica brasileiro tem uma caracter\u00edstica que amplifica o problema: contratos de obras s\u00e3o frequentemente licitados com projetos b\u00e1sicos incompletos, sem o n\u00edvel de detalhamento geot\u00e9cnico necess\u00e1rio para uma estimativa de custo confi\u00e1vel. Isso transfere o risco das condi\u00e7\u00f5es do subsolo para a fase de execu\u00e7\u00e3o, onde ele se materializa na forma de aditivos contratuais que elevam o valor final da obra em rela\u00e7\u00e3o ao contrato original.<\/p>\n<p>Concession\u00e1rias que n\u00e3o realizam investiga\u00e7\u00f5es geot\u00e9cnicas aprofundadas antes de fechar os contratos de obras est\u00e3o essencialmente apostando que o solo vai se comportar conforme o esperado. Quando essa aposta n\u00e3o se confirma, o resultado \u00e9 previs\u00edvel: obras que atrasam, custos que sobem e metas regulat\u00f3rias que ficam para tr\u00e1s. Para investidores que modelaram o fluxo de caixa da concess\u00e3o com base no cronograma original, o impacto pode ser significativo.<\/p>\n<p><b>O que os analistas deveriam perguntar e raramente perguntam?<\/b><\/p>\n<p>A incorpora\u00e7\u00e3o do risco geot\u00e9cnico nos modelos de valuation de concess\u00f5es de saneamento exige que analistas financeiros fa\u00e7am perguntas t\u00e9cnicas que normalmente ficam fora do escopo das an\u00e1lises de cr\u00e9dito e de equity. Qual \u00e9 o n\u00edvel de detalhamento dos estudos geot\u00e9cnicos realizados antes da licita\u00e7\u00e3o das obras? H\u00e1 provis\u00f5es contratuais para ocorr\u00eancias de subsolo imprevistas? Qual \u00e9 o hist\u00f3rico da concession\u00e1ria em gest\u00e3o de aditivos em projetos anteriores?<\/p>\n<p>M\u00e1rcio Andr\u00e9 Savi ressalta que empresas com processos robustos de investiga\u00e7\u00e3o geot\u00e9cnica pr\u00e9via e gest\u00e3o t\u00e9cnica qualificada na fase de execu\u00e7\u00e3o t\u00eam desempenho consistentemente melhor no cumprimento de cronogramas e or\u00e7amentos. Esse diferencial operacional se traduz em resultados financeiros mais pr\u00f3ximos do projetado e em menor volatilidade na entrega de metas regulat\u00f3rias, dois fatores que impactam diretamente o risco percebido pelo mercado.<\/p>\n<p><b>Um risco que o ciclo de concess\u00f5es vai trazer \u00e0 tona<\/b><\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 no in\u00edcio de um longo ciclo de obras de saneamento. \u00c0 medida que as concess\u00f5es avan\u00e7am da fase de contrata\u00e7\u00e3o para a fase de execu\u00e7\u00e3o, os riscos geot\u00e9cnicos que hoje est\u00e3o enterrados nos prospectos v\u00e3o come\u00e7ar a aparecer nos resultados operacionais das empresas do setor. Concess\u00f5es que realizaram investiga\u00e7\u00f5es adequadas e contrataram equipes t\u00e9cnicas experientes v\u00e3o entregar o que prometeram. As que n\u00e3o fizeram esse trabalho v\u00e3o encontrar no campo uma realidade diferente da que modelaram.<\/p>\n<p>Como destaca M\u00e1rcio Andr\u00e9 Savi, o risco geot\u00e9cnico n\u00e3o \u00e9 uma vari\u00e1vel imposs\u00edvel de gerenciar. \u00c9 uma vari\u00e1vel que exige conhecimento t\u00e9cnico, investimento em investiga\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e capacidade de tomar decis\u00f5es r\u00e1pidas quando o subsolo surpreende. Incorporar essa dimens\u00e3o na an\u00e1lise de concess\u00f5es de saneamento n\u00e3o \u00e9 preciosismo t\u00e9cnico. \u00c9 o que separa uma tese de investimento s\u00f3lida de uma aposta no escuro.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Atrasos, aditivos contratuais e obras paralisadas t\u00eam uma causa t\u00e9cnica comum que analistas financeiros raramente consideram nos modelos de valuation do setor. 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