{"id":132403,"date":"2026-06-29T07:45:00","date_gmt":"2026-06-29T10:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/o-licenciamento-ambiental-como-risco-financeiro-em-concessoes-de-saneamento-por-diego-borges\/"},"modified":"2026-06-29T07:45:00","modified_gmt":"2026-06-29T10:45:00","slug":"o-licenciamento-ambiental-como-risco-financeiro-em-concessoes-de-saneamento-por-diego-borges","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/o-licenciamento-ambiental-como-risco-financeiro-em-concessoes-de-saneamento-por-diego-borges\/","title":{"rendered":"O licenciamento ambiental como risco financeiro em concess\u00f5es de saneamento, por Diego Borges"},"content":{"rendered":"<p><b>Atrasos na obten\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as comprometem cronogramas, elevam custos e impactam o retorno projetado de investidores no setor de infraestrutura h\u00eddrica.<\/b><\/p>\n<p>Quando fundos de infraestrutura e analistas de mercado modelam o retorno financeiro de uma concess\u00e3o de saneamento, os principais vetores de risco que entram nos modelos s\u00e3o conhecidos: inadimpl\u00eancia tarif\u00e1ria, risco regulat\u00f3rio, custo de capital e capacidade de execu\u00e7\u00e3o das obras. H\u00e1, por\u00e9m, uma vari\u00e1vel que aparece com frequ\u00eancia perturbadora nos projetos que atrasam e que raramente \u00e9 precificada com a seriedade que merece: o licenciamento ambiental. <\/p>\n<p>Diego Borges, engenheiro com atua\u00e7\u00e3o em infraestrutura e saneamento, acompanhou de perto projetos cujos cronogramas foram comprometidos n\u00e3o por falta de recursos nem por falhas de engenharia, mas por processos de licenciamento que se arrastaram muito al\u00e9m do previsto. Na sua leitura, esse risco est\u00e1 sistematicamente ausente dos modelos financeiros que sustentam as teses de investimento no setor.<\/p>\n<p><b>O que o licenciamento representa na pr\u00e1tica?<\/b><\/p>\n<p>Obras de saneamento que afetam corpos d&#8217;\u00e1gua, \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o permanente, zonas de recarga de aqu\u00edfero ou regi\u00f5es com presen\u00e7a de comunidades tradicionais precisam percorrer um processo de licenciamento ambiental que envolve estudos t\u00e9cnicos detalhados, consultas p\u00fablicas e aprova\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os em diferentes esferas. Esse processo n\u00e3o tem prazo fixo garantido. Depende da qualidade da documenta\u00e7\u00e3o apresentada, da capacidade de resposta dos \u00f3rg\u00e3os licenciadores e da aus\u00eancia de contesta\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas por parte de terceiros.<\/p>\n<p>Diego Borges observa que a maioria dos projetos que enfrenta atrasos significativos no licenciamento chegou ao processo com documenta\u00e7\u00e3o incompleta ou com estudos que n\u00e3o anteciparam os questionamentos mais previs\u00edveis dos \u00f3rg\u00e3os ambientais. Cada rodada de complementa\u00e7\u00e3o de documenta\u00e7\u00e3o consome semanas ou meses, empurra o in\u00edcio das obras para frente e corr\u00f3i a precis\u00e3o do cronograma que foi apresentado aos investidores no momento da capta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>O impacto financeiro que os modelos ignoram<\/b><\/p>\n<p>Um atraso de seis meses no in\u00edcio de obras de uma concess\u00e3o de saneamento n\u00e3o \u00e9 apenas um problema operacional. \u00c9 um problema financeiro com consequ\u00eancias diretas sobre o fluxo de caixa projetado, o custo de carregamento do capital imobilizado e o cumprimento das metas regulat\u00f3rias que estruturam o contrato. Concess\u00f5es com cl\u00e1usulas de penalidade por descumprimento de cronograma de obras podem acumular multas significativas enquanto aguardam licen\u00e7as que deveriam ter sido obtidas antes da assinatura do contrato.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica financeira que sustenta muitas das teses de investimento em saneamento assume implicitamente que o licenciamento \u00e9 um processo linear e previs\u00edvel. Diego Borges destaca que essa suposi\u00e7\u00e3o raramente se confirma no campo, especialmente em projetos que envolvem interven\u00e7\u00f5es em rios urbanos, \u00e1reas perif\u00e9ricas com hist\u00f3rico de conflito fundi\u00e1rio ou regi\u00f5es com sobreposi\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias entre \u00f3rg\u00e3os licenciadores municipais, estaduais e federais.<\/p>\n<p><b>Como transformar risco em vantagem competitiva?<\/b><\/p>\n<p>Empresas que desenvolvem compet\u00eancia interna em gest\u00e3o de licenciamento ambiental transformam um risco sist\u00eamico do setor em vantagem competitiva real. Isso significa investir em equipes t\u00e9cnicas capazes de antecipar as exig\u00eancias dos \u00f3rg\u00e3os licenciadores, estruturar estudos de impacto com n\u00edvel de detalhe superior ao m\u00ednimo exigido e manter relacionamento institucional proativo com as ag\u00eancias reguladoras ambientais.<\/p>\n<p>Concession\u00e1rias que tratam o licenciamento como etapa burocr\u00e1tica a ser cumprida no menor tempo poss\u00edvel tendem a enfrentar os maiores atrasos. As que o tratam como processo t\u00e9cnico que exige planejamento, recursos e aten\u00e7\u00e3o desde a fase de concep\u00e7\u00e3o do projeto chegam \u00e0s obras com cronogramas mais confi\u00e1veis e menor exposi\u00e7\u00e3o a surpresas que comprometem o retorno projetado.<\/p>\n<p><b>O risco que o mercado vai aprender a precificar<\/b><\/p>\n<p>O ciclo atual de concess\u00f5es de saneamento no Brasil ainda est\u00e1 em fase de matura\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que os projetos avan\u00e7am da fase de estrutura\u00e7\u00e3o para a fase de execu\u00e7\u00e3o, os atrasos associados ao licenciamento ambiental v\u00e3o aparecer com mais frequ\u00eancia nos resultados operacionais das concession\u00e1rias e nos relat\u00f3rios de acompanhamento dos reguladores. Esse movimento vai for\u00e7ar o mercado financeiro a incorporar essa vari\u00e1vel nos modelos de an\u00e1lise de risco do setor.<\/p>\n<p>Como ressalta Diego Borges, investidores que j\u00e1 incorporam o risco de licenciamento ambiental em suas an\u00e1lises hoje t\u00eam uma leitura mais precisa do perfil real de risco das concess\u00f5es de saneamento do que os que ainda tratam esse fator como detalhe operacional. Em infraestrutura, os riscos que o mercado subestima s\u00e3o exatamente os que mais afetam o retorno no longo prazo.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Atrasos na obten\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as comprometem cronogramas, elevam custos e impactam o retorno projetado de investidores no setor de infraestrutura h\u00eddrica. 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