{"id":132401,"date":"2026-06-29T07:40:00","date_gmt":"2026-06-29T10:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/diego-borges-engenheiro-especializado-em-infraestrutura-e-saneamento-explica-como-a-digitalizacao-esta-transformando-o-planejamento-e-a-gestao-de-grandes-obras-hidricas\/"},"modified":"2026-06-29T07:40:00","modified_gmt":"2026-06-29T10:40:00","slug":"diego-borges-engenheiro-especializado-em-infraestrutura-e-saneamento-explica-como-a-digitalizacao-esta-transformando-o-planejamento-e-a-gestao-de-grandes-obras-hidricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/diego-borges-engenheiro-especializado-em-infraestrutura-e-saneamento-explica-como-a-digitalizacao-esta-transformando-o-planejamento-e-a-gestao-de-grandes-obras-hidricas\/","title":{"rendered":"Diego Borges, engenheiro especializado em infraestrutura e saneamento, explica como a digitaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 transformando o planejamento e a gest\u00e3o de grandes obras h\u00eddricas"},"content":{"rendered":"<p><b>Sensores, dados em tempo real e modelos preditivos est\u00e3o mudando a forma como projetos de infraestrutura sanit\u00e1ria s\u00e3o concebidos, monitorados e entregues.<\/b><\/p>\n<p>Por d\u00e9cadas, o planejamento de obras de infraestrutura de saneamento dependeu de levantamentos manuais, plantas em papel e decis\u00f5es tomadas com base em dados desatualizados. Esse modelo funcionou dentro de suas limita\u00e7\u00f5es, mas gerou um padr\u00e3o conhecido de problemas: projetos que chegam \u00e0 execu\u00e7\u00e3o sem informa\u00e7\u00e3o suficiente sobre o terreno, sistemas que operam abaixo da capacidade porque foram dimensionados com dados imprecisos e obras que acumulam aditivos por surpresas que uma base de dados mais robusta teria antecipado. Esse cen\u00e1rio est\u00e1 mudando. <\/p>\n<p>A incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologias digitais no planejamento e na gest\u00e3o de obras de saneamento est\u00e1 alterando de forma estrutural a qualidade das decis\u00f5es t\u00e9cnicas ao longo de todo o ciclo dos projetos. Diego Borges, engenheiro com atua\u00e7\u00e3o em infraestrutura e saneamento, acompanha esse movimento de perto e nota que a transforma\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 no in\u00edcio, mas j\u00e1 produz resultados concretos nos projetos que adotaram essa abordagem com consist\u00eancia.<\/p>\n<p><b>Do levantamento de campo ao modelo digital<\/b><\/p>\n<p>A primeira mudan\u00e7a significativa veio com a digitaliza\u00e7\u00e3o dos levantamentos topogr\u00e1ficos e geot\u00e9cnicos. Drones equipados com sensores LiDAR conseguem mapear grandes extens\u00f5es de terreno em fra\u00e7\u00e3o do tempo que equipes de campo levariam para cobrir a mesma \u00e1rea com m\u00e9todos convencionais. O resultado \u00e9 uma base cartogr\u00e1fica mais precisa, atualizada e detalhada, que alimenta os modelos hidr\u00e1ulicos usados no dimensionamento das redes e sistemas.<\/p>\n<p>Diego Borges sublinha que a qualidade do levantamento inicial \u00e9 um dos fatores que mais influencia a precis\u00e3o do projeto executivo e, consequentemente, a ader\u00eancia do or\u00e7amento ao custo real da obra. Projetos que come\u00e7am com base cartogr\u00e1fica deficiente acumulam incertezas que se materializam como aditivos contratuais durante a execu\u00e7\u00e3o. A digitaliza\u00e7\u00e3o dessa etapa n\u00e3o \u00e9 um custo adicional. \u00c9 uma redu\u00e7\u00e3o de risco com retorno mensur\u00e1vel ao longo de todo o ciclo do projeto.<\/p>\n<p><b>Monitoramento em tempo real e decis\u00f5es mais r\u00e1pidas<\/b><\/p>\n<p>Uma vez que as obras est\u00e3o em andamento, a digitaliza\u00e7\u00e3o muda a forma como as equipes de gest\u00e3o acompanham o progresso e respondem a problemas. Sensores instalados em pontos cr\u00edticos das redes em constru\u00e7\u00e3o, sistemas de telemetria que monitoram press\u00e3o e vaz\u00e3o em tempo real e plataformas de gest\u00e3o que integram dados de campo com cronogramas e or\u00e7amentos permitem que gestores identifiquem desvios antes que se tornem problemas irrevers\u00edveis.<\/p>\n<p>Esse n\u00edvel de visibilidade sobre o andamento das obras era impratic\u00e1vel h\u00e1 dez anos. Hoje, concession\u00e1rias que investiram em plataformas digitais de gest\u00e3o de obras conseguem tomar decis\u00f5es t\u00e9cnicas com base em dados atualizados, n\u00e3o em relat\u00f3rios semanais que chegam com atraso suficiente para que o problema j\u00e1 tenha se agravado. Para Diego Borges, essa capacidade de resposta r\u00e1pida \u00e9 um dos ganhos mais concretos da digitaliza\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o de infraestrutura, e um dos que mais impacta o cumprimento de prazos e or\u00e7amentos contratuais.<\/p>\n<p><b>Modelos preditivos e a manuten\u00e7\u00e3o que previne falhas<\/b><\/p>\n<p>A fronteira mais avan\u00e7ada da digitaliza\u00e7\u00e3o no saneamento est\u00e1 na opera\u00e7\u00e3o dos sistemas depois que as obras s\u00e3o entregues. Redes de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e sistemas de coleta de esgoto que operam com sensores conectados geram um volume cont\u00ednuo de dados sobre press\u00e3o, vaz\u00e3o, qualidade da \u00e1gua e comportamento estrutural das tubula\u00e7\u00f5es. Algoritmos de an\u00e1lise preditiva conseguem identificar padr\u00f5es que antecedem falhas, permitindo interven\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o antes que o problema cause interrup\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o ou dano \u00e0 infraestrutura.<\/p>\n<p>Diego Borges indica que concession\u00e1rias que adotam manuten\u00e7\u00e3o preditiva baseada em dados reduzem significativamente o \u00edndice de perdas nas redes e o custo operacional associado a reparos emergenciais. A transi\u00e7\u00e3o de um modelo de manuten\u00e7\u00e3o reativa, que age depois que a falha acontece, para um modelo preditivo, que age antes, \u00e9 uma das mudan\u00e7as de maior impacto sobre a efici\u00eancia operacional dos sistemas de saneamento e sobre a qualidade do servi\u00e7o entregue ao usu\u00e1rio final.<\/p>\n<p><b>A transforma\u00e7\u00e3o que ainda est\u00e1 no come\u00e7o<\/b><\/p>\n<p>O setor de saneamento brasileiro ainda est\u00e1 nos est\u00e1gios iniciais dessa transforma\u00e7\u00e3o digital. A maior parte dos sistemas em opera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds foi constru\u00edda antes da era dos sensores conectados e das plataformas de gest\u00e3o integrada, e a moderniza\u00e7\u00e3o desse parque instalado exige investimento e tempo. Mas o ciclo atual de concess\u00f5es, que est\u00e1 trazendo capital privado e press\u00e3o por efici\u00eancia operacional, est\u00e1 acelerando essa transi\u00e7\u00e3o de forma consistente.<\/p>\n<p>Como refor\u00e7a Diego Borges, a digitaliza\u00e7\u00e3o do planejamento e da gest\u00e3o de obras de saneamento n\u00e3o \u00e9 uma tend\u00eancia futura. \u00c9 uma mudan\u00e7a em curso que j\u00e1 diferencia as concession\u00e1rias que entregam resultados das que acumulam atrasos e aditivos. Para o setor de infraestrutura h\u00eddrica, dados e tecnologia deixaram de ser diferenciais e est\u00e3o se tornando requisitos. E esse movimento, uma vez iniciado, n\u00e3o tem volta.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sensores, dados em tempo real e modelos preditivos est\u00e3o mudando a forma como projetos de infraestrutura sanit\u00e1ria s\u00e3o concebidos, monitorados e entregues. 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