{"id":132341,"date":"2026-06-26T15:40:00","date_gmt":"2026-06-26T18:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/o-que-as-empresas-de-cobranca-sabem-sobre-sua-divida-que-voce-ainda-nao-sabe-felipe-rassi-especialista-em-creditos-estressados-revela-a-logica-do-outro-lado-da-mesa\/"},"modified":"2026-06-26T15:40:00","modified_gmt":"2026-06-26T18:40:00","slug":"o-que-as-empresas-de-cobranca-sabem-sobre-sua-divida-que-voce-ainda-nao-sabe-felipe-rassi-especialista-em-creditos-estressados-revela-a-logica-do-outro-lado-da-mesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/o-que-as-empresas-de-cobranca-sabem-sobre-sua-divida-que-voce-ainda-nao-sabe-felipe-rassi-especialista-em-creditos-estressados-revela-a-logica-do-outro-lado-da-mesa\/","title":{"rendered":"O que as empresas de cobran\u00e7a sabem sobre sua d\u00edvida que voc\u00ea ainda n\u00e3o sabe: Felipe Rassi, especialista em cr\u00e9ditos estressados, revela a l\u00f3gica do outro lado da mesa"},"content":{"rendered":"<p><b>Quem cobra conhece o mercado por dentro. Quem deve raramente sabe como esse mercado funciona. Essa assimetria define quem sai ganhando na negocia\u00e7\u00e3o.<\/b><\/p>\n<p>Quando uma empresa de cobran\u00e7a liga oferecendo condi\u00e7\u00f5es para resolver uma d\u00edvida em atraso, a conversa parece equilibrada: tem um lado que quer receber e outro que quer pagar menos. Na pr\u00e1tica, o equil\u00edbrio n\u00e3o existe. A empresa que est\u00e1 cobrando conhece informa\u00e7\u00f5es sobre aquela d\u00edvida que o devedor raramente tem acesso: quanto pagou por ela, qual \u00e9 sua margem real de negocia\u00e7\u00e3o, quanto tempo tem para fechar um acordo antes que o custo de manter o ativo se torne um problema e quais argumentos o devedor poderia usar, mas provavelmente n\u00e3o vai usar porque n\u00e3o sabe que existem. <\/p>\n<p>Para Felipe Rassi, especialista em cr\u00e9ditos estressados e no mercado financeiro, essa assimetria n\u00e3o \u00e9 acidental. \u00c9 estrutural e funciona a favor de quem cobra em praticamente todas as negocia\u00e7\u00f5es em que o devedor n\u00e3o entende como o mercado por tr\u00e1s da sua d\u00edvida opera. O tamanho desse mercado d\u00e1 a dimens\u00e3o do problema. Em 2025, R$ 34 bilh\u00f5es em d\u00edvidas foram vendidas no Brasil, crescimento de 21,4% sobre o ano anterior, segundo dados da Recovery. Cada bilh\u00e3o transacionado representa milhares de pessoas f\u00edsicas cujas d\u00edvidas mudaram de dono sem que elas soubessem, e que agora negociam sem entender que a empresa do outro lado da linha comprou aquela d\u00edvida por uma fra\u00e7\u00e3o do valor que est\u00e1 sendo cobrado.<\/p>\n<p><b>O que elas sabem sobre o pre\u00e7o que pagaram pela sua d\u00edvida?<\/b><\/p>\n<p>Empresas que compram carteiras de d\u00edvidas inadimplentes n\u00e3o pagam o valor nominal do que est\u00e1 sendo cobrado. Pagam uma fra\u00e7\u00e3o desse valor, que varia conforme o perfil da carteira, o tempo de inadimpl\u00eancia, a qualidade dos documentos e a chance estimada de recupera\u00e7\u00e3o. D\u00edvidas antigas, sem garantia e com hist\u00f3rico longo de tentativas frustradas de cobran\u00e7a s\u00e3o compradas com des\u00e1gios que podem superar 80% do valor nominal. Isso significa que uma d\u00edvida de R$ 10 mil pode ter sido adquirida por R$ 2 mil ou menos.<\/p>\n<p>Esse n\u00famero, que a empresa conhece com precis\u00e3o, define a margem real de negocia\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel. Uma proposta de quita\u00e7\u00e3o por 40% do saldo nominal representa, nesse exemplo, retorno de 100% sobre o que foi investido, mesmo que pare\u00e7a um desconto generoso para quem est\u00e1 pagando. Felipe Rassi observa que o devedor que chega \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o sem saber que essa margem existe tende a aceitar as primeiras condi\u00e7\u00f5es oferecidas, que raramente refletem o limite real at\u00e9 onde a empresa pode ir para fechar o acordo.<\/p>\n<p><b>O que elas sabem sobre o tempo que t\u00eam para negociar?<\/b><\/p>\n<p>Manter uma carteira de d\u00edvidas sem conseguir recupera\u00e7\u00e3o tem custo financeiro real para a empresa cobradora. Capital imobilizado em ativos que n\u00e3o est\u00e3o gerando retorno representa custo de oportunidade crescente, e carteiras que ficam sem solu\u00e7\u00e3o por muito tempo deterioram ainda mais a perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o. Isso cria uma press\u00e3o de tempo que opera no lado de quem cobra, n\u00e3o apenas no de quem deve, mas que raramente \u00e9 percebida pelo devedor.<\/p>\n<p>Empresas com carteiras antigas e sem perspectiva de execu\u00e7\u00e3o judicial eficaz t\u00eam incentivo concreto para fechar acordos abaixo do ideal em vez de continuar carregando o ativo. Felipe Rassi destaca que identificar em que est\u00e1gio a d\u00edvida est\u00e1 nesse ciclo pode mudar completamente a estrat\u00e9gia de negocia\u00e7\u00e3o do devedor. Uma d\u00edvida rec\u00e9m-adquirida por uma empresa ainda em fase de tentativa de recupera\u00e7\u00e3o ativa tem din\u00e2mica diferente de uma que circula h\u00e1 anos sem solu\u00e7\u00e3o e que representa, para quem a det\u00e9m, mais um problema de gest\u00e3o de portf\u00f3lio do que uma expectativa real de recupera\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p><b>O que elas sabem que voc\u00ea provavelmente n\u00e3o vai questionar?<\/b><\/p>\n<p>Empresas de cobran\u00e7a sabem, com base em experi\u00eancia acumulada, quais argumentos os devedores raramente usam, mesmo quando t\u00eam direito a us\u00e1-los. A verifica\u00e7\u00e3o da cadeia de cess\u00e3o, que \u00e9 o conjunto de documentos que comprova que a empresa tem de fato o direito de cobrar aquela d\u00edvida, \u00e9 um dos mais frequentes. A solicita\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de c\u00e1lculo detalhada do saldo, que permite identificar encargos calculados incorretamente ou cobrados em duplicidade, \u00e9 outro. A verifica\u00e7\u00e3o do prazo prescricional, que determina se a d\u00edvida ainda pode ser executada judicialmente, \u00e9 um terceiro.<\/p>\n<p>Cada um desses argumentos, quando levantado pelo devedor, muda o equil\u00edbrio da negocia\u00e7\u00e3o. Uma empresa que n\u00e3o consegue apresentar a cadeia documental completa da cess\u00e3o perde a base jur\u00eddica para exigir o pagamento perante aquele devedor espec\u00edfico. Um saldo com encargos calculados incorretamente pode ser reduzido com base no contrato original. Uma d\u00edvida prescrita n\u00e3o pode ser executada judicialmente, o que elimina a principal fonte de press\u00e3o que a empresa usa para motivar o acordo. Felipe Rassi ressalta que o devedor que conhece esses argumentos e sabe como us\u00e1-los est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o completamente diferente do que aquele que negocia apenas com base no quanto consegue pagar.<\/p>\n<p><b>O que muda quando voc\u00ea entende a l\u00f3gica do lado que cobra?<\/b><\/p>\n<p>A negocia\u00e7\u00e3o de uma d\u00edvida com empresa de cobran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 diferente de qualquer outra negocia\u00e7\u00e3o: quem tem mais informa\u00e7\u00e3o tende a sair em melhor posi\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a \u00e9 que, nesse contexto espec\u00edfico, a assimetria de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande e t\u00e3o consistente que a maioria das pessoas nunca percebe que estava negociando em desvantagem.<\/p>\n<p>Entender que a empresa comprou a d\u00edvida com des\u00e1gio relevante, que tem press\u00e3o de tempo para fechar acordos, que n\u00e3o pode executar o que n\u00e3o documenta e que enfrenta limites jur\u00eddicos reais sobre o que pode cobrar e como pode cobrar transforma a posi\u00e7\u00e3o do devedor na conversa. N\u00e3o elimina a obriga\u00e7\u00e3o de pagar o que \u00e9 devido. Mas garante que o acordo fechado reflita a realidade do mercado, n\u00e3o apenas a urg\u00eancia constru\u00edda pela empresa do outro lado da linha. Felipe Rassi pontua que o consumidor que entende como o mercado de cr\u00e9ditos estressados funciona n\u00e3o negocia em p\u00e2nico nem ignora o problema. Negocia com informa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 exatamente o recurso que a outra parte prefere que ele n\u00e3o tenha.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quem cobra conhece o mercado por dentro. Quem deve raramente sabe como esse mercado funciona. Essa assimetria define quem sai ganhando na negocia\u00e7\u00e3o. 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