{"id":132251,"date":"2026-06-25T15:35:00","date_gmt":"2026-06-25T18:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pressworks\/brasil-lidera-ranking-mundial-de-rotatividade-e-cultura-de-controle-excessivo-aparece-como-um-dos-principais-fatores\/"},"modified":"2026-06-25T15:35:00","modified_gmt":"2026-06-25T18:35:00","slug":"brasil-lidera-ranking-mundial-de-rotatividade-e-cultura-de-controle-excessivo-aparece-como-um-dos-principais-fatores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pressworks\/brasil-lidera-ranking-mundial-de-rotatividade-e-cultura-de-controle-excessivo-aparece-como-um-dos-principais-fatores\/","title":{"rendered":"Brasil lidera ranking mundial de rotatividade e cultura de controle excessivo aparece como um dos principais fatores"},"content":{"rendered":"<p><i>Pa\u00eds registra taxa de turnover de 51,3% ao ano, a mais alta do mundo. Para consultores e pesquisadores, parte do problema est\u00e1 na forma como as organiza\u00e7\u00f5es tratam seus profissionais: como se eles precisassem de permiss\u00e3o para pensar<\/i><\/p>\n<p>O Brasil tem a maior taxa de rotatividade de profissionais do mundo. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego, 51,3% dos trabalhadores formais foram desligados ou pediram demiss\u00e3o nos \u00faltimos 12 meses. Em termos pr\u00e1ticos: 1 em cada 2 colaboradores n\u00e3o permanece na mesma empresa por mais de um ano. O custo financeiro \u00e9 imediato. A Society for Human Resource Management (SHRM) estima que substituir um colaborador pode custar entre 50% e 200% do sal\u00e1rio anual do profissional desligado. No Brasil, c\u00e1lculos da BGC Brasil apontam que repor uma posi\u00e7\u00e3o de R$ 120 mil ao ano pode gerar um custo de R$ 81,5 mil, sem considerar a perda de produtividade e o impacto no clima das equipes.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o amplamente debatidos. As causas, nem tanto. Pesquisa da Gallup aponta que 41% dos profissionais que pedem demiss\u00e3o acreditam que sua decis\u00e3o poderia ter sido revertida com mudan\u00e7as internas, sobretudo no relacionamento com gestores. Levantamento da McKinsey indica que mais de 40% dos l\u00edderes evitam dar feedbacks diretos por medo de rea\u00e7\u00f5es desproporcionais. E pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral mostra que 53% das empresas relatam dificuldade crescente em lidar com profissionais que n\u00e3o aceitam cobran\u00e7a direta. Para Burlamaqui, esses dados apontam para um mesmo diagn\u00f3stico: o problema n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 nos profissionais. Est\u00e1 na forma como as organiza\u00e7\u00f5es foram constru\u00eddas para trat\u00e1-los.<\/p>\n<p>\u201cExiste um fen\u00f4meno que raramente aparece nas pesquisas de clima, mas que est\u00e1 presente na maioria das empresas que atendo: a infantiliza\u00e7\u00e3o do profissional. A organiza\u00e7\u00e3o cria processos, hierarquias e din\u00e2micas que, na pr\u00e1tica, retiram do adulto a capacidade de decidir, errar e aprender. A\u00ed ela estranha quando ele n\u00e3o se engaja\u201d, avalia Louis Burlamaqui, estrategista em cultura organizacional com 38 anos de atua\u00e7\u00e3o e autor de 12 livros sobre gest\u00e3o e desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>O conceito de infantiliza\u00e7\u00e3o organizacional n\u00e3o \u00e9 novo na literatura de gest\u00e3o, mas ganhou nova relev\u00e2ncia com a entrada da Gera\u00e7\u00e3o Z no mercado de trabalho e com a dissemina\u00e7\u00e3o do modelo h\u00edbrido, que tornou o controle presencial muito mais dif\u00edcil. Na pr\u00e1tica, o fen\u00f4meno manifesta-se em formas variadas: gest\u00e3o por microcontrole, processos de aprova\u00e7\u00e3o excessivos, culturas que punem o erro em vez de aprender com ele, lideran\u00e7as que preferem delegar tarefas a desenvolver pessoas. O resultado \u00e9 um profissional que aprende a esperar instru\u00e7\u00f5es em vez de tomar iniciativas.<\/p>\n<p>\u201cO l\u00edder que infantiliza n\u00e3o \u00e9, necessariamente, mal-intencionado. Na maioria das vezes, ele foi formado em uma cultura que confunde controle com seguran\u00e7a. Ele acha que est\u00e1 protegendo a opera\u00e7\u00e3o. O que ele n\u00e3o percebe \u00e9 que est\u00e1 formando uma equipe que s\u00f3 funciona quando ele est\u00e1 presente\u201d, diz Burlamaqui.<\/p>\n<p>O impacto \u00e9 mensur\u00e1vel. Dados da Gallup mostram que o baixo engajamento gerou um preju\u00edzo estimado de US$ 10 trilh\u00f5es em produtividade na economia mundial em 2025. No Brasil, o custo anual com turnover e presente\u00edsmo chega a R$ 77 bilh\u00f5es, o equivalente a 0,66% do PIB nacional. A rotatividade brasileira cresceu 56% em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-pandemia, segundo levantamento da Robert Half com base no CAGED, e o pa\u00eds lidera o ranking global com folga, \u00e0 frente de Reino Unido e Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEm mais de 500 organiza\u00e7\u00f5es pelas quais passei nos \u00faltimos 38 anos, vi um padr\u00e3o se repetir: quanto mais a empresa controla, menos as pessoas pensam. E quanto menos as pessoas pensam, mais a empresa sente que precisa controlar. \u00c9 um c\u00edrculo que s\u00f3 se quebra quando a lideran\u00e7a decide confiar antes de exigir&#8221;, afirma o especialista.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia, segundo Burlamaqui, \u00e9 que o movimento inverso tamb\u00e9m \u00e9 mensur\u00e1vel. Dados da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) mostram que empresas reconhecidas como melhores lugares para trabalhar podem registrar resultados financeiros at\u00e9 170% superiores ao Ibovespa no longo prazo. A autonomia, a transpar\u00eancia e o desenvolvimento real de pessoas n\u00e3o s\u00e3o pautas de bem-estar corporativo: s\u00e3o vari\u00e1veis de competitividade.<\/p>\n<p>\u201cCultura organizacional n\u00e3o \u00e9 o que a empresa declara nos seus valores. \u00c9 o que acontece quando ningu\u00e9m est\u00e1 olhando. Quando o gestor some e a equipe paralisa, isso \u00e9 cultura. Quando o gestor some e a equipe acelera, isso tamb\u00e9m \u00e9 cultura. A diferen\u00e7a entre os dois cen\u00e1rios \u00e9 constru\u00edda ao longo de anos de escolhas cotidianas\u201d, comenta Burlamaqui.<\/p>\n<p>O debate sobre infantiliza\u00e7\u00e3o organizacional chega em um momento em que o mercado de trabalho brasileiro n\u00e3o pode mais ignor\u00e1-lo. Com a taxa de desemprego em 6,4% e 2,8 milh\u00f5es de novas microempresas abertas s\u00f3 em 2024, os profissionais t\u00eam mais op\u00e7\u00f5es do que antes. Reter talentos numa era de alta mobilidade exige muito mais do que benef\u00edcios e sal\u00e1rio competitivo. Exige que as empresas repensem, de forma estrutural, como est\u00e3o tratando os adultos que contrataram.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>PressWorks<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pa\u00eds registra taxa de turnover de 51,3% ao ano, a mais alta do mundo. 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