{"id":130807,"date":"2026-06-03T18:15:00","date_gmt":"2026-06-03T21:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/a-via-duravel-comeca-muito-antes-da-camada-de-asfalto\/"},"modified":"2026-06-03T18:15:00","modified_gmt":"2026-06-03T21:15:00","slug":"a-via-duravel-comeca-muito-antes-da-camada-de-asfalto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/a-via-duravel-comeca-muito-antes-da-camada-de-asfalto\/","title":{"rendered":"A via dur\u00e1vel come\u00e7a muito antes da camada de asfalto"},"content":{"rendered":"<p>Existe um n\u00famero que governa boa parte do crescimento do interior brasileiro em sil\u00eancio. Pouco mais de 12% da malha rodovi\u00e1ria do pa\u00eds \u00e9 pavimentada, e mesmo nessa fra\u00e7\u00e3o a Pesquisa CNT de Rodovias de 2025 aponta que cerca de 62% est\u00e1 em condi\u00e7\u00e3o regular, ruim ou p\u00e9ssima. O efeito sobre a economia \u00e9 direto e mensur\u00e1vel: o estudo anual do Instituto de Log\u00edstica e Supply Chain estima que o custo log\u00edstico brasileiro chegou a 15,5% do Produto Interno Bruto em 2025, perto de R$ 1,96 trilh\u00e3o, puxado pela depend\u00eancia da estrada, por onde circula cerca de 63% de tudo que se transporta no pa\u00eds. S\u00f3 a m\u00e1 qualidade do pavimento, segundo a CNT, eleva em 31,2% o custo operacional do transporte.<\/p>\n<p>Diante desses n\u00fameros, a rea\u00e7\u00e3o intuitiva \u00e9 pedir mais asfalto. Mas quem est\u00e1 no setor sabe que o problema raramente \u00e9 s\u00f3 de quantidade. \u00c9 de qualidade t\u00e9cnica. Uma via mal executada se deteriora em poucos anos, devolvendo ao custo log\u00edstico aquilo que a obra deveria ter resolvido. A pergunta certa, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas onde pavimentar, mas como pavimentar para que a via dure.<\/p>\n<p>O que sustenta uma via n\u00e3o \u00e9 o que se v\u00ea<\/p>\n<p>\u00c9 esse o ponto que <a href=\"https:\/\/fauzeyoussefskaff.com.br\/\" target=\"_blank\"><u>Fauze Youssef Skaff,<\/u><\/a> presidente da Skaff Construtora, costuma trazer para o centro da discuss\u00e3o sobre infraestrutura. &#8220;Quando falamos em pavimenta\u00e7\u00e3o, muita gente ainda enxerga apenas a camada final de asfalto, mas uma via dur\u00e1vel come\u00e7a muito antes disso&#8221;, afirma. A camada vis\u00edvel, a que o motorista pisa, \u00e9 a \u00faltima de uma sequ\u00eancia de decis\u00f5es t\u00e9cnicas que determinam se aquela via vai resistir a uma d\u00e9cada de tr\u00e1fego pesado ou come\u00e7ar a abrir patologias na primeira esta\u00e7\u00e3o de chuva.<\/p>\n<p>Essa sequ\u00eancia come\u00e7a no que ningu\u00e9m v\u00ea depois de pronto. No estudo do solo, que define o que aquele terreno aguenta. No dimensionamento correto das camadas, que distribui a carga at\u00e9 o subleito. Na escolha dos materiais, no controle da umidade, na compacta\u00e7\u00e3o bem executada, no tra\u00e7o adequado do CBUQ, o concreto betuminoso usinado a quente que forma o revestimento. Cada uma dessas etapas \u00e9 um ponto onde a via pode ser comprometida muito antes de receber a primeira camada de asfalto.<\/p>\n<p>E h\u00e1 um fator que atravessa todas elas: a presen\u00e7a de equipe t\u00e9cnica acompanhando a obra etapa por etapa. \u00c9 o que separa uma via projetada para durar de uma que apenas parece pronta. Uma base mal executada compromete todo o pavimento que vem em cima. Um controle tecnol\u00f3gico negligenciado antecipa patologias, eleva o custo de manuten\u00e7\u00e3o e reduz a vida \u00fatil da via. O barato, no canteiro, costuma sair car\u00edssimo no or\u00e7amento p\u00fablico dos anos seguintes.<\/p>\n<p>&#8220;A pavimenta\u00e7\u00e3o asf\u00e1ltica de alta resist\u00eancia \u00e9 resultado de engenharia, gest\u00e3o e responsabilidade&#8221;, resume o presidente da Skaff Construtora. A frase desloca a pavimenta\u00e7\u00e3o da categoria de obra bra\u00e7al para a de engenharia de precis\u00e3o, em que o resultado de longo prazo depende menos do volume de asfalto aplicado e mais do rigor com que cada decis\u00e3o \u00e9 tomada em campo.<\/p>\n<p>Por que o rigor t\u00e9cnico \u00e9 uma decis\u00e3o estrat\u00e9gica<\/p>\n<p>Quando se conecta esse rigor \u00e0 escala do pa\u00eds, ele deixa de ser detalhe de engenharia para virar quest\u00e3o econ\u00f4mica. Num territ\u00f3rio onde boa parte da economia depende das rodovias para escoar produ\u00e7\u00e3o, conectar cidades e viabilizar novos empreendimentos, investir em qualidade t\u00e9cnica \u00e9 uma decis\u00e3o estrat\u00e9gica, n\u00e3o um luxo. O recorte do agroneg\u00f3cio torna isso evidente: em uma safra que se aproxima de 350 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os, estimativas do setor apontam que gargalos log\u00edsticos chegam a consumir at\u00e9 30% do custo de produ\u00e7\u00e3o no campo. Parte relevante dessa perda nasce de vias que se degradam r\u00e1pido demais.<\/p>\n<p>O interior produtivo de S\u00e3o Paulo ilustra o lado virtuoso da equa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso, o estado aparece de forma recorrente como o de melhor malha conservada do pa\u00eds nas avalia\u00e7\u00f5es da CNT, fruto de d\u00e9cadas de investimento cont\u00ednuo em pavimenta\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o. Vias bem executadas e mantidas sustentam o escoamento da produ\u00e7\u00e3o, o acesso a \u00e1reas industriais e loteamentos, a conex\u00e3o entre os polos regionais e os grandes eixos rodovi\u00e1rios. A qualidade t\u00e9cnica de hoje \u00e9 o custo log\u00edstico que n\u00e3o vai existir amanh\u00e3.<\/p>\n<p>No outro extremo do mapa, o Mato Grosso do Sul vive a corrida para ampliar e qualificar sua malha. O estado pavimentou 857 quil\u00f4metros entre 2023 e o in\u00edcio de 2026 e projeta alcan\u00e7ar 6.660 quil\u00f4metros de estradas asfaltadas at\u00e9 2030, marca que pela primeira vez deve superar a extens\u00e3o de vias n\u00e3o pavimentadas, desconsiderado o Pantanal. Em corredores que ligam plantas industriais e polos do agro ao restante do pa\u00eds, n\u00e3o basta o asfalto chegar: ele precisa chegar bem feito, sob pena de a obra virar passivo antes de se pagar.<\/p>\n<p>No canteiro, planejamento, t\u00e9cnica e execu\u00e7\u00e3o caminham juntos<\/p>\n<p>Para quem atua h\u00e1 d\u00e9cadas no setor, em pavimenta\u00e7\u00e3o asf\u00e1ltica, terraplanagem e infraestrutura urbana, essa l\u00f3gica \u00e9 di\u00e1ria. &#8220;\u00c9 por isso que eu sempre digo que, na infraestrutura, o detalhe importa&#8221;, diz Fauze Youssef Skaff. A durabilidade de uma obra, na leitura dele, n\u00e3o est\u00e1 apenas no material utilizado, mas na forma como cada decis\u00e3o \u00e9 tomada em campo. \u00c9 no canteiro, e n\u00e3o no projeto no papel, que planejamento, t\u00e9cnica e execu\u00e7\u00e3o precisam caminhar juntos.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m onde se decide o efeito da obra sobre o territ\u00f3rio que ela serve. Uma via bem planejada e bem executada valoriza o entorno de forma duradoura, viabiliza loteamentos, transforma um bairro perif\u00e9rico em vetor de expans\u00e3o urbana ordenada. Uma via que falha cedo faz o caminho inverso: encarece a manuten\u00e7\u00e3o, reduz a seguran\u00e7a, trava o investimento que viria atr\u00e1s dela. A diferen\u00e7a entre os dois cen\u00e1rios se constr\u00f3i nas camadas que ningu\u00e9m v\u00ea, com a equipe certa acompanhando cada uma.<\/p>\n<p>No fim, o argumento \u00e9 menos sobre asfalto e mais sobre o que ele torna poss\u00edvel quando \u00e9 bem feito. &#8220;Pavimentar bem \u00e9 mais do que entregar uma via, \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento, a seguran\u00e7a e a valoriza\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es inteiras&#8221;, afirma o presidente da Skaff Construtora.<\/p>\n<p>O Brasil precisa de quase R$ 101 bilh\u00f5es s\u00f3 para recuperar e manter a malha pavimentada que j\u00e1 tem, segundo a CNT. Diante desse n\u00famero, vale inverter a pergunta: talvez o problema mais caro n\u00e3o seja pavimentar pouco, mas pavimentar mal e ter de refazer. A via dur\u00e1vel, como lembra quem est\u00e1 no canteiro, nunca come\u00e7ou na camada final de asfalto. Come\u00e7ou muito antes, na decis\u00e3o de fazer cada camada do jeito certo.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>PulseBrand<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Existe um n\u00famero que governa boa parte do crescimento do interior brasileiro em sil\u00eancio. 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