{"id":128853,"date":"2026-05-05T18:05:00","date_gmt":"2026-05-05T21:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/genetica-em-doencas-neuromusculares-da-evolucao-a-necessidade\/"},"modified":"2026-05-05T18:05:00","modified_gmt":"2026-05-05T21:05:00","slug":"genetica-em-doencas-neuromusculares-da-evolucao-a-necessidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/pulsebrand\/genetica-em-doencas-neuromusculares-da-evolucao-a-necessidade\/","title":{"rendered":"Gen\u00e9tica em Doen\u00e7as Neuromusculares: Da evolu\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista exclusiva ao Estad\u00e3o, os m\u00e9dicos Marco Orsini, Acary Bulle de Oliveira e o geneticista Miguel Mitne elucidam pontos positivos, negativos e situa\u00e7\u00f5es que exigem extrema destreza nas decis\u00f5es ap\u00f3s os resultados. Orsini aponta uma evolu\u00e7\u00e3o exponencial no n\u00famero de genes envolvidos com doen\u00e7as neuromusculares nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, mas adota uma postura cautelosa ao destacar que esses testes s\u00e3o um recurso importante n\u00e3o apenas para o diagn\u00f3stico, mas tamb\u00e9m para a identifica\u00e7\u00e3o de alvos terap\u00eauticos direcionados a muta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Ele ressalta que existe uma grande diferen\u00e7a entre solicitar exames com um objetivo cl\u00ednico bem definido e faz\u00ea-lo de maneira indiscriminada, refor\u00e7ando que o melhor teste gen\u00e9tico n\u00e3o \u00e9 o mais abrangente, mas aquele capaz de responder a uma pergunta cl\u00ednica espec\u00edfica, geralmente \u00fanica. Segundo ele, essa reflex\u00e3o faz parte do cotidiano m\u00e9dico e envolve questionamentos sobre o real valor do exame, o que se pretende descobrir, se haver\u00e1 possibilidade de tratamento, monitoramento ou orienta\u00e7\u00e3o familiar, al\u00e9m da elegibilidade para ensaios cl\u00ednicos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica m\u00e9dica, Orsini refor\u00e7a que o primeiro passo deve ser conhecer profundamente o paciente por meio de escuta, investiga\u00e7\u00e3o familiar, anamnese detalhada e exame cl\u00ednico e neurol\u00f3gico minucioso. Esses elementos, aliados a sintomas compat\u00edveis e a um rastreio completo com exames laboratoriais, biomarcadores, imagem, eletroneuromiografia e bi\u00f3psia, s\u00e3o fundamentais para direcionar corretamente a investiga\u00e7\u00e3o. Ele explica que a solicita\u00e7\u00e3o do teste gen\u00e9tico deve ser precisa, buscando um gene espec\u00edfico com base no racioc\u00ednio cl\u00ednico, e n\u00e3o baseada em achados inesperados que fogem \u00e0 l\u00f3gica m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Miguel Mitne destaca a complexidade envolvida na interpreta\u00e7\u00e3o dos testes gen\u00e9ticos ao comparar o resultado a um verdadeiro tribunal do j\u00fari, no qual as variantes s\u00e3o analisadas com base na literatura cient\u00edfica e na correla\u00e7\u00e3o com o quadro cl\u00ednico do paciente. Essa an\u00e1lise leva \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o em cinco categorias: patog\u00eanica, provavelmente patog\u00eanica, de significado incerto, provavelmente benigna ou benigna.<\/p>\n<p>Ele enfatiza que variantes de significado incerto representam um desafio importante, pois podem gerar confus\u00e3o, frustra\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas por parte dos pacientes, especialmente quando h\u00e1 uma tend\u00eancia de compreens\u00e3o simplificada, como associar diretamente uma variante gen\u00e9tica ao desenvolvimento inevit\u00e1vel de uma doen\u00e7a. Nesse contexto, fatores como variabilidade cl\u00ednica e penetr\u00e2ncia precisam ser considerados, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de uma solicita\u00e7\u00e3o bem direcionada e de um acompanhamento p\u00f3s-teste adequado, mantendo o paciente como protagonista do cuidado.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e do ac\u00famulo de conhecimento sobre milh\u00f5es de variantes gen\u00e9ticas, ainda h\u00e1 muitos casos em que n\u00e3o se identifica a altera\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pela doen\u00e7a, o que mant\u00e9m pacientes em uma longa jornada diagn\u00f3stica. Mitne ressalta que uma altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica pode indicar um caminho, mas n\u00e3o determina necessariamente o destino, al\u00e9m de destacar que os resultados impactam n\u00e3o apenas o indiv\u00edduo, mas toda a fam\u00edlia, tornando o processo compartilhado.<\/p>\n<p>Ao final, Orsini alerta que a pr\u00e1tica de solicitar testes amplos indiscriminadamente aumenta a chance de resultados inconclusivos, achados incidentais e informa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de interpretar, podendo gerar desconex\u00e3o entre os sintomas cl\u00ednicos e os achados gen\u00e9ticos. Ele sintetiza essa ideia ao afirmar que n\u00e3o adianta procurar respostas complexas sem compreender o contexto cl\u00ednico.<\/p>\n<p>No Brasil, as doen\u00e7as neuromusculares raras ainda representam um grande desafio diagn\u00f3stico, mas os avan\u00e7os recentes refor\u00e7am a necessidade de uma medicina de precis\u00e3o, com centros especializados preparados para esse tipo de demanda. O diretor do Hospital Niter\u00f3i D\u2019Or, m\u00e9dico Paulo, destaca a import\u00e2ncia de reduzir atrasos diagn\u00f3sticos, especialmente quando pacientes procuram atendimento em unidades de sa\u00fade ou emerg\u00eancias. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estima que milh\u00f5es de brasileiros convivam com doen\u00e7as raras, muitos ainda sem diagn\u00f3stico, embora haja avan\u00e7os em gen\u00e9tica diagn\u00f3stica, terapias g\u00eanicas e incorpora\u00e7\u00e3o de algumas condi\u00e7\u00f5es pelo SUS.<\/p>\n<p>Mitne, Orsini e Acary Bulle de Oliveira refor\u00e7am que o teste gen\u00e9tico n\u00e3o deve ser utilizado como triagem ampla para qualquer sintoma neuromuscular, sendo essencial alinhar o que se busca com o que se espera encontrar. Acary conclui com uma reflex\u00e3o ao comparar o uso indiscriminado da tecnologia a uma cartola m\u00e1gica, onde nem tudo \u00e9 o que parece, destacando que a realidade pode ser diferente do que se imagina e que interpretar corretamente os resultados \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>PulseBrand<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em entrevista exclusiva ao Estad\u00e3o, os m\u00e9dicos Marco Orsini, Acary Bulle de Oliveira e o geneticista Miguel Mitne elucidam pontos positivos, negativos e situa\u00e7\u00f5es que exigem extrema destreza nas","protected":false},"author":1,"featured_media":128854,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[7691],"tags":[],"class_list":["post-128853","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pulsebrand"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128853"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128853\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/128854"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}