{"id":128323,"date":"2026-04-27T13:31:17","date_gmt":"2026-04-27T16:31:17","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/?p=128323"},"modified":"2026-04-27T13:31:18","modified_gmt":"2026-04-27T16:31:18","slug":"terras-raras-brasil-verticalizacao-plano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-minera-brasil\/terras-raras-brasil-verticalizacao-plano\/","title":{"rendered":"A nova gera\u00e7\u00e3o quer levar o Brasil do min\u00e9rio ao \u00edm\u00e3 nas terras raras"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Plano elaborado por jovens talentos aposta em verticaliza\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e parcerias para o Brasil competir nas cadeias globais de terras raras.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O tema das terras raras e a estrutura\u00e7\u00e3o de uma cadeia desses elementos \u00e9 atualmente um dos mais sens\u00edveis do setor mineral brasileiro, na avalia\u00e7\u00e3o de Luis Eduardo Azevedo. Prestes a ingressar na Cornell University, de Nova York, o estudante elaborou, ao lado de quatro colegas, um plano estrat\u00e9gico que prev\u00ea a explora\u00e7\u00e3o e o processamento de terras raras desde a extra\u00e7\u00e3o at\u00e9 a verticaliza\u00e7\u00e3o desses elementos.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa, proposta durante a seletiva nacional para a Olimp\u00edada Internacional de Economia (IEO), realizada pela Olimp\u00edada Brasileira de Economia (OBECON), envolveu equipes de jovens com o objetivo de propor uma solu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para o tema dos minerais cr\u00edticos nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Luis Eduardo e sua equipe conquistaram a medalha de bronze ao propor uma solu\u00e7\u00e3o que, segundo ele, \u00e9 pragm\u00e1tica e funcional para o contexto brasileiro. A proposta \u00e9 dividida em tr\u00eas fases entre 2026 e 2039, e inclui financiamento via flow-through share, modelo canadense que elimina impostos na fase de explora\u00e7\u00e3o, permitindo maior viabilidade na implanta\u00e7\u00e3o dos projetos e visando aumentar a exporta\u00e7\u00e3o de concentrado.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda fase prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de plantas de separa\u00e7\u00e3o de terras raras, a implanta\u00e7\u00e3o de n\u00facleos de Pesquisa e Desenvolvimento em universidades brasileiras por meio de um Instituto Nacional de Terras Raras e o investimento na infraestrutura de beneficiamento intermedi\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o projeto prop\u00f5e a integra\u00e7\u00e3o dos \u00f3xidos de terras raras com empresas que produzem \u00edm\u00e3s, desbloqueando produtos industriais de maior valor agregado. O plano passa pelas etapas de concentrado, verticaliza\u00e7\u00e3o e por fim a integra\u00e7\u00e3o e competi\u00e7\u00e3o comercial da produ\u00e7\u00e3o brasileira, aproveitando todas as etapas de valor das terras raras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cO nosso plano foi baseado no que a Austr\u00e1lia e o Canad\u00e1 fizeram para desenvolver o setor mineral. Acreditamos que o sucesso deixa pistas e nos baseamos em estrat\u00e9gias vencedoras\u201d<\/strong>, <strong>afirma o estudante.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na quinta-feira( 30\/4), o Minera Brasil, em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Minera\u00e7\u00e3o (ABPM) realiza Webinar sobre o futuro das terras raras brasileiras. Os finalistas da OBECON, ao lado de executivos de refer\u00eancia do setor mineral brasileiro, como Marcelo de Carvalho, da Meteoric Resources, Thiago Amaral, da St George Mining Brasil,&nbsp; Pablo Ces\u00e1rio, presidente do Instituto Brasileiro de Minera\u00e7\u00e3o (IBRAM) e Luis Maur\u00edcio Azevedo, CEO da Bravo&nbsp; Mining e presidente do Conselho da ABPM,&nbsp; ir\u00e3o debater propostas dos estudantes para&nbsp; oxigenar&nbsp; o debate em torno das terras raras&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro estar\u00e1 dispon\u00edvel por meio do link: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/MUCGneQ5dwg?si=Ci7J-1n33PnblIX8\">https:\/\/www.youtube.com\/live\/MUCGneQ5dwg?si=Ci7J-1n33PnblIX8<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil possui a \u00fanica produ\u00e7\u00e3o comercial em larga escala de terras raras fora da \u00c1sia, a mina Pela Ema do grupo Serra Verde, <a href=\"https:\/\/minerabrasil.com.br\/usa-rare-earth-compra-serra-verde-por-us-28-bilhoes\/2026\/04\/20\/\">recentemente comprada pela norte-americana USA Rare Earth<\/a>. Al\u00e9m disso, conta com diversos outros projetos entre as fases de licenciamento ambiental e desenvolvimento, como o Carina da Aclara Resources, localizado em Goi\u00e1s, o Colossus da Viridis Mining e o Caldeira da Meteoric Resources, localizados em Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sustentabilidade e as vantagens do Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lu\u00eds Eduardo afirma que o trabalho considerou normas internacionais de ESG (Environmental, Social, Governance) e que a sustentabilidade permeia todas as etapas do plano. Ele destaca que o plano direciona, por exemplo, como lidar com minerais radioativos encontrados junto com os elementos de terras raras, como o t\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele contrasta que o Brasil, diferente da China, possui um mercado mineral com credibilidade na quest\u00e3o ambiental, al\u00e9m de uma matriz energ\u00e9tica 83% renov\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cNa China, especialmente no in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o, eles despejavam res\u00edduos nos rios e meio ambiente, causando impacto ambiental significativo\u201d<\/strong>, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Lu\u00eds Eduardo, o manejo cauteloso na extra\u00e7\u00e3o aumenta o custo econ\u00f4mico, mas gera maior seguran\u00e7a, credibilidade para o produto e abre as portas para mercados como o europeu e americano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cPor mais que a gente n\u00e3o consiga igualar o custo da China, o nosso pre\u00e7o de venda poderia ultrapassar o que os chineses conseguem vender\u201d<\/strong>, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudante menciona que o mercado ocidental paga um pr\u00eamio de 15% a 30% nas terras raras externas \u00e0 China, medida que ele afirma ter como motiva\u00e7\u00e3o a busca por fornecedores&nbsp; que respeitam o meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desafios de implementa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O plano de neg\u00f3cios do grupo, proposto pela consultoria Bain Consulting, tinha como tarefa estabelecer uma estrat\u00e9gia brasileira na quest\u00e3o das terras raras. O Brasil possui a segunda maior reserva do mundo atr\u00e1s da China, no entanto, na extra\u00e7\u00e3o fica atr\u00e1s de pa\u00edses com reservas menores, como o Vietn\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cTivemos dois caminhos: o de ser apenas um exportador ou de verticalizar totalmente. A gente escolheu um caminho h\u00edbrido por ser mais vi\u00e1vel financeiramente, ao inv\u00e9s de nacionaliza\u00e7\u00e3o completa ou ser mero fornecedor de commodities\u201d<\/strong>, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>O plano apresenta nove entraves estruturais no desenvolvimento de uma cadeia brasileira de terras raras. Entre eles, a aus\u00eancia de uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para minerais cr\u00edticos, o fato do Brasil ainda n\u00e3o ter capacidade de separa\u00e7\u00e3o de terras raras e a dificuldade de acesso a financiamento.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o estudante, a dificuldade tecnol\u00f3gica \u00e9 o principal entrave para a implementa\u00e7\u00e3o do plano, pois impede que o Brasil chegue \u00e0 etapa de verticaliza\u00e7\u00e3o, etapa que ele afirma ser \u201cterrit\u00f3rio que ainda n\u00e3o foi explorado\u201d no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, o plano prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de um Instituto Nacional de Terras Raras, de forma a incentivar Pesquisa e Desenvolvimento e negociar parcerias de transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica com empresas l\u00edderes no setor. Ele argumenta que parcerias com empresas privadas que possuem capacidade de refino seria o tipo de acordo mais ben\u00e9fico, j\u00e1 que o Brasil ainda n\u00e3o tem essa capacidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cUm exemplo \u00e9 a MP Materials, que tem essa condi\u00e7\u00e3o de verticaliza\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos. Al\u00e9m disso, empresas australianas tamb\u00e9m j\u00e1 demonstraram esse interesse<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>de fazer parceria tecnol\u00f3gica com o Brasil\u201d,<\/strong> afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, \u00e9 fundamental pensar numa perspectiva neutra e ben\u00e9fica para o Brasil quando se trata de recursos naturais.<strong> \u201cA gente estaria, sim, obtendo benef\u00edcio firmando uma parceria com os Estados Unidos\u201d<\/strong>, ele diz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cAo mesmo tempo, uma poss\u00edvel parceria com a China, caso venha a emergir, n\u00e3o deveria ser visto como algum alinhamento pol\u00edtico mais profundo. A gente est\u00e1 negociando a nossa capacidade de prosperar, n\u00e3o ideologia\u201d<\/strong>, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudante afirma que o aspecto t\u00e9cnico da minera\u00e7\u00e3o foi o maior desafio para os grupos que participaram da seletiva, mas n\u00e3o para ele, pessoalmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cEu j\u00e1 tenho um background de ber\u00e7o nessa \u00e1rea, trabalhando numa empresa de minerais cr\u00edticos, a Bravo Mining\u201d<\/strong>, diz. Ele destaca que, gra\u00e7as a experi\u00eancia, possu\u00ed&nbsp; um conhecimento t\u00e9cnico acima do esperado, que usou para elevar o n\u00edvel da proposta do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00a0<strong>OESP\u00a0<\/strong>n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da\u00a0<strong>OESP\u00a0<\/strong>e s\u00e3o de inteira responsabilidade da\u00a0<strong>Ag\u00eancia Minera Brasil<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Plano elaborado por jovens talentos aposta em verticaliza\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e parcerias para o Brasil competir nas cadeias globais de terras raras.","protected":false},"author":16,"featured_media":128324,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[351],"tags":[],"class_list":["post-128323","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agencia-minera-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128323"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128323\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":128325,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128323\/revisions\/128325"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/128324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}