{"id":128242,"date":"2026-04-24T13:46:00","date_gmt":"2026-04-24T16:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-geral\/tratamento-do-cancer-feminino-avanca-com-medicina-de-precisao-mas-acesso-ainda-atrasa-inovacao\/"},"modified":"2026-04-24T13:46:00","modified_gmt":"2026-04-24T16:46:00","slug":"tratamento-do-cancer-feminino-avanca-com-medicina-de-precisao-mas-acesso-ainda-atrasa-inovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-geral\/tratamento-do-cancer-feminino-avanca-com-medicina-de-precisao-mas-acesso-ainda-atrasa-inovacao\/","title":{"rendered":"Tratamento do c\u00e2ncer feminino avan\u00e7a com medicina de precis\u00e3o, mas acesso ainda atrasa inova\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Meet Point Estad\u00e3o Think discute como novas terapias ampliam progn\u00f3stico, enquanto desigualdade limita sua chegada \u00e0s pacientes.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, falar em c\u00e2ncer de mama ou em tumores ginecol\u00f3gicos significava reunir doen\u00e7as diferentes sob um mesmo r\u00f3tulo. Hoje, a oncologia caminha na dire\u00e7\u00e3o oposta. Com o avan\u00e7o da medicina de precis\u00e3o, o que antes parecia uma \u00fanica enfermidade passou a ser entendido como um conjunto de tumores com origens, perfis biol\u00f3gicos e respostas terap\u00eauticas distintas. Essa mudan\u00e7a alterou o modo de diagnosticar, tratar e at\u00e9 prevenir a doen\u00e7a, sobretudo entre as mulheres.[1]<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio foi discutido no Meet Point Estad\u00e3o Think &#8220;Avan\u00e7os que transformam vidas de mulheres com c\u00e2ncer&#8221;, que reuniu Ang\u00e9lica Nogueira, presidente de honra da Sociedade Brasileira de Oncologia Cl\u00ednica (SBOC), Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia, Pascoal Marracini, diretor-geral do Instituto do C\u00e2ncer Arnaldo Vieira de Carvalho, e Isabel Ferreira, volunt\u00e1ria do Oncoguia e paciente em remiss\u00e3o, com media\u00e7\u00e3o da jornalista Camila Silveira.<\/p>\n<p>Para Ang\u00e9lica, o primeiro passo para compreender esse novo contexto \u00e9 desfazer simplifica\u00e7\u00f5es. &#8220;A ci\u00eancia entende c\u00e2ncer como um conjunto heterog\u00eaneo de doen\u00e7as&#8221;, afirmou. Segundo ela, h\u00e1 um denominador comum, a prolifera\u00e7\u00e3o descontrolada de c\u00e9lulas com potencial de invas\u00e3o e met\u00e1stase, mas os mecanismos que desencadeiam cada tumor s\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p>Alvos espec\u00edficos<\/p>\n<p>Essa diferencia\u00e7\u00e3o sustenta a medicina de precis\u00e3o. Em vez de recorrer apenas a tratamentos mais amplos, a oncologia passou a identificar alvos moleculares capazes de orientar terapias mais personalizadas.[2] &#8220;Quando eu acho esse alvo, eu chego \u00e0 medicina de precis\u00e3o. Eu sou espec\u00edfico&#8221;, disse Ang\u00e9lica.<\/p>\n<p>Segundo Danilo Lopes, diretor m\u00e9dico da AstraZeneca Brasil, essa transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m redefiniu a estrat\u00e9gia da ind\u00fastria farmac\u00eautica. &#8220;Hoje conseguimos compreender melhor as caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas e moleculares de cada tumor e adaptar o tratamento de forma mais individualizada&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Defasagem hist\u00f3rica<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a velocidade da ci\u00eancia n\u00e3o encontra acesso equivalente no sistema de sa\u00fade. Para Ang\u00e9lica, o Brasil acumulou um atraso importante justamente no per\u00edodo em que a oncologia mais avan\u00e7ou. &#8220;A nossa prioridade na oncologia ficou congelada por 20 anos. Esse bloco de gelo come\u00e7ou a quebrar, mas essa porta \u00e9 pesada&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Marracini chamou aten\u00e7\u00e3o para a dist\u00e2ncia entre incorpora\u00e7\u00e3o e acesso real. &#8220;N\u00e3o adianta voc\u00ea incorporar. Eu uso muito o termo ganhou, mas n\u00e3o levou&#8221;, disse. Para ele, a morosidade e as falhas de integra\u00e7\u00e3o ainda imp\u00f5em um percurso penoso \u00e0s pacientes.<\/p>\n<p>Para Danilo, a inova\u00e7\u00e3o s\u00f3 produz impacto quando sai da promessa e entra na rotina do cuidado. &#8220;Inova\u00e7\u00e3o s\u00f3 gera impacto real quando chega ao paciente certo, no momento certo&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00e3o e acolhimento<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o da oncologia n\u00e3o se mede apenas em biomarcadores, terapias-alvo ou exames mais sofisticados. Ela tamb\u00e9m depende da capacidade de fazer a informa\u00e7\u00e3o chegar, de acolher a paciente e reduzir o peso emocional e burocr\u00e1tico que acompanha o diagn\u00f3stico.[3]<\/p>\n<p>Luciana Holtz, resume a desigualdade do sistema: &#8220;Meu SUS n\u00e3o \u00e9 o seu SUS&#8221;. Segundo ela, h\u00e1 diferen\u00e7as dentro do pr\u00f3prio sistema p\u00fablico e at\u00e9 na sa\u00fade suplementar. &#8220;O que voc\u00ea oferece \u00e9 diferente do que, dentro da cidade de S\u00e3o Paulo, outros hospitais oferecem.&#8221;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dela, o problema est\u00e1 no desencontro entre o que a medicina j\u00e1 sabe fazer e o que chega \u00e0 paciente. &#8220;A gente n\u00e3o v\u00ea essas boas not\u00edcias chegando e beneficiando e salvando vidas&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Cuidado integral<\/p>\n<p>Se a incorpora\u00e7\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o segue em ritmo desigual, a informa\u00e7\u00e3o aparece como ferramenta imediata. &#8220;Informa\u00e7\u00e3o \u00e9 poder&#8221;, afirmou Luciana. &#8220;Hoje informa\u00e7\u00e3o \u00e9 apoio, \u00e9 acolhimento.&#8221;<\/p>\n<p>Para Lopes, compreender a doen\u00e7a tamb\u00e9m muda a rela\u00e7\u00e3o do paciente com o tratamento. &#8220;Quando a pessoa entende melhor sua condi\u00e7\u00e3o, ela participa de forma mais ativa das decis\u00f5es sobre sua sa\u00fade&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Vida concreta<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de Isabel Ferreira, volunt\u00e1ria do Instituto Oncoguia, d\u00e1 rosto a essa discuss\u00e3o. Diagnosticada com c\u00e2ncer de mama em 2017 e, depois, com c\u00e2ncer de ov\u00e1rio, ela contou que a descoberta de uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica BRCA2 provocou um abalo adicional. &#8220;Isso bagun\u00e7ou um pouco a minha cabe\u00e7a. Por que eu n\u00e3o testei antes?&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Seu relato tamb\u00e9m exp\u00f4s um problema recorrente na jornada do paciente oncol\u00f3gico: a burocracia. Isabel relatou a negativa do conv\u00eanio para uma medica\u00e7\u00e3o voltada ao fortalecimento dos ossos. &#8220;S\u00f3 o fato de estar em tratamento j\u00e1 \u00e9 desgastante o bastante para a gente&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Luciana adiantou dados de uma pesquisa do Oncoguia segundo a qual 82% dos pacientes que buscaram seus direitos relataram um sentimento de luta. &#8220;Est\u00e1 garantido. Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de ser conquistado?&#8221;, questionou.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o deixa claro que a oncologia avan\u00e7ou, mas a vida real das pacientes ainda exige mais do que novas terapias. Exige coordena\u00e7\u00e3o, clareza, menos barreiras e um sistema capaz de reconhecer que tratar o c\u00e2ncer n\u00e3o \u00e9 apenas enfrentar a doen\u00e7a, mas cuidar de quem a atravessa. &#8220;Quando a gente cuida do paciente, a gente aprende tamb\u00e9m com o paciente&#8221;, lembrou Isabel.<\/p>\n<p>Material destinado ao p\u00fablico geral. BR-49862. Aprovado em abril de 2026.<\/p>\n<p>[1] Cancer Genome Atlas Network. Comprehensive molecular portraits of human breast tumours. Nature. 2012;490:61-70.<br \/>\nDispon\u00edvel em: https:\/\/www.nature.com\/articles\/nature11412<\/p>\n<p>[2] Garraway LA, Verweij J, Ballman KV. Precision Oncology: An Overview. N Engl J Med. 2013;369:2243-2253. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ascopubs.org\/doi\/10.1200\/JCO.2013.49.4799<\/p>\n<p>[3] World Health Organization (WHO). Guide to cancer early diagnosis. Geneva: WHO; 2017. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.who.int\/publications\/i\/item\/9789241511940<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Meet Point Estad\u00e3o Think discute como novas terapias ampliam progn\u00f3stico, enquanto desigualdade limita sua chegada \u00e0s pacientes.\nDurante muito tempo, falar em c\u00e2ncer de mama ou em","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-128242","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-releases-geral"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128242","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128242"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128242\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}