{"id":125762,"date":"2026-03-16T11:35:00","date_gmt":"2026-03-16T14:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/markable-comunicacao-homework\/bares-e-restaurantes-trocam-intuicao-por-dados-precisos-para-ampliar-a-margem-de-lucro-em-2026\/"},"modified":"2026-03-16T11:35:00","modified_gmt":"2026-03-16T14:35:00","slug":"bares-e-restaurantes-trocam-intuicao-por-dados-precisos-para-ampliar-a-margem-de-lucro-em-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/markable-comunicacao-homework\/bares-e-restaurantes-trocam-intuicao-por-dados-precisos-para-ampliar-a-margem-de-lucro-em-2026\/","title":{"rendered":"Bares e restaurantes trocam intui\u00e7\u00e3o por dados precisos para ampliar a margem de lucro em 2026"},"content":{"rendered":"<p>Durante anos, a qualidade da comida foi o principal diferencial no food service. Hoje, isso j\u00e1 n\u00e3o basta. O setor entrou em uma nova fase, em que efici\u00eancia da opera\u00e7\u00e3o, controle de custos, previsibilidade da demanda e experi\u00eancia do cliente definem competitividade e crescimento.<\/p>\n<p>\u201cPor muito tempo, o term\u00f4metro de um restaurante foi o movimento no sal\u00e3o. O problema \u00e9 que isso nem sempre significa lucro. Hoje, esse term\u00f4metro est\u00e1 nos dados\u201d, afirma Eduardo Ferreira, CCO da ACOM Sistemas, empresa de tecnologia respons\u00e1vel pelo EVEREST 3.0, ERP especializado em neg\u00f3cios do food service.<\/p>\n<p>Segundo o executivo, plataformas digitais, pain\u00e9is de controle e algoritmos de previs\u00e3o passaram a orientar decis\u00f5es que antes dependiam quase exclusivamente da experi\u00eancia do gestor ou do improviso do dia a dia. \u201cVendas, clima, eventos locais, canais digitais e o comportamento do consumidor passaram a ser analisados de forma integrada e hoje fazem parte da mesma equa\u00e7\u00e3o de gest\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p>Essa virada ficou evidente em eventos do setor, nacionais e internacionais, realizados no decorrer de 2025, que passaram a apontar, de forma convergente, o mesmo caminho: em 2026, efici\u00eancia no food service ser\u00e1 cada vez menos reativa e cada vez mais orientada por dados. &#8220;Os sistemas deixaram de registrar o que j\u00e1 aconteceu para antecipar o que ainda vai acontecer. \u00c9 esse movimento que o mercado define como gest\u00e3o preditiva&#8221;, diz Ferreira.<\/p>\n<p>O especialista da ACOM conta que, na pr\u00e1tica, softwares modernos cruzam informa\u00e7\u00f5es como previs\u00e3o do tempo, agenda de eventos, hist\u00f3rico de vendas, canais de pedido e comportamento dos clientes para estimar o movimento com anteced\u00eancia. Se a chuva ou um show no bairro tende a aumentar ou reduzir a clientela, o restaurante j\u00e1 sabe disso antes de abrir as portas e pode ajustar compras, estoque, escala de funcion\u00e1rios e at\u00e9 estrat\u00e9gias de marketing em tempo real.<\/p>\n<p>\u201cHoje, tecnologia n\u00e3o \u00e9 mais suporte, ela virou infraestrutura do neg\u00f3cio\u201d, diz o executivo. \u201cPlataformas como as que desenvolvemos integram etapas importantes do backoffice como vendas, estoque e financeiro, com dados relacionados ao consumo, em uma \u00fanica camada de intelig\u00eancia. Isso permite que o operador antecipe picos de demanda, reduza desperd\u00edcios e opere com margens mais previs\u00edveis.\u201d<\/p>\n<p>Dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostram que restaurantes que investem em tecnologia crescem cerca de 60% mais do que os que ainda resistem \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o. No mesmo levantamento, 38% dos estabelecimentos j\u00e1 utilizam algum n\u00edvel de automa\u00e7\u00e3o, 21% combinam bots com atendimento humano e 17% operam com intelig\u00eancia artificial em processos como gest\u00e3o, atendimento e controle operacional.<\/p>\n<p>Ainda assim, o setor segue enfrentando desafios estruturais, como custos elevados de insumos, alta rotatividade de equipes e press\u00e3o constante sobre as margens. Em \u00e2mbito internacional, o Restaurant Technology Landscape Report, da National Restaurant Association, mostra que 76% dos operadores afirmam que o uso de tecnologia oferece vantagem competitiva.<\/p>\n<p>O mercado global de tecnologia para restaurantes tamb\u00e9m confirma essa transforma\u00e7\u00e3o. Em 2025, o setor de restaurant technology foi avaliado em cerca de US$ 5,93 bilh\u00f5es, impulsionado principalmente pela ado\u00e7\u00e3o de sistemas de ponto de venda integrados, automa\u00e7\u00e3o e ferramentas anal\u00edticas para melhorar efici\u00eancia e experi\u00eancia do cliente.<\/p>\n<p>\u201cO que vimos nos principais eventos de 2025 e, que embasar\u00e3o muito do que veremos em 2026, foi uma converg\u00eancia muito clara entre tecnologia, efici\u00eancia operacional e experi\u00eancia do consumidor\u201d, afirma Eduardo. \u201cN\u00e3o se trata mais apenas de vender comida. Trata-se de gerir dados, processos e pessoas em um ambiente de concorr\u00eancia permanente.\u201d<\/p>\n<p><b>O que disseram os principais eventos de 2025 sobre o ano de 2026<\/b><\/p>\n<p>O Mesa S\u00e3o Paulo, evento promovido pela Prazeres da Mesa &#8211; uma das mais renomadas revistas e plataformas de gastronomia da Am\u00e9rica Latina -, no final de outubro de 2025, mostrou que a criatividade segue como ativo central do setor, mas agora caminha lado a lado com gest\u00e3o, tecnologia e prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Presente no Web Summit, realizado em Lisboa em novembro de 2025, Carlos Roberto Drechmer, CEO da ACOM Sistemas, refor\u00e7a que a tecnologia est\u00e1 encurtando dist\u00e2ncias f\u00edsicas na cadeia de suprimentos. &#8220;Pude observar solu\u00e7\u00f5es globais, como uma vinda da Gr\u00e9cia, focadas em conectar o produtor diretamente ao restaurante ou ao consumidor final. Essa elimina\u00e7\u00e3o de intermedi\u00e1rios via tecnologia garante produtos mais frescos e recupera a margem do operador&#8221;, analisa Carlos.<\/p>\n<p>J\u00e1 encontros como os promovidos pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Restaurantes (ANR) no decorrer do ano passado, colocaram no centro do debate temas como rentabilidade, escalabilidade e adapta\u00e7\u00e3o dos modelos de neg\u00f3cio a um consumidor cada vez mais h\u00edbrido, que transita entre sal\u00e3o, delivery, retirada e canais digitais com naturalidade.<\/p>\n<p>Na s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o do Hotel &amp; Food, um dos maiores eventos do setor de alimenta\u00e7\u00e3o e hospedagem da regi\u00e3o Nordeste, o recado foi ainda mais direto: efici\u00eancia operacional, redu\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcios e integra\u00e7\u00e3o da cadeia deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos b\u00e1sicos. Solu\u00e7\u00f5es de automa\u00e7\u00e3o de cozinha, controle de estoque em tempo real, plataformas de gest\u00e3o e intelig\u00eancia artificial aplicada \u00e0 previs\u00e3o de demanda dominaram estandes e pain\u00e9is durante o evento realizado no come\u00e7o do m\u00eas de novembro, em Pernambuco.<\/p>\n<p><b>Novo ingrediente dos estabelecimentos de sucesso: dados<\/b><\/p>\n<p>De acordo com Eduardo Ferreira, um dos consensos observados nos eventos \u00e9 que dados passaram a ser o novo ingrediente-chave do setor food. Relat\u00f3rios de consultorias globais destacam que o uso estruturado de analytics, automa\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia artificial melhora a efici\u00eancia operacional, aumenta a previsibilidade de demanda e apoia decis\u00f5es mais r\u00e1pidas sobre pre\u00e7os, card\u00e1pio e opera\u00e7\u00e3o, com empresas que adotam essas tecnologias relatando redu\u00e7\u00f5es significativas de custos e melhor desempenho geral. Estudos tamb\u00e9m mostram que analytics avan\u00e7ado pode reduzir custos operacionais em at\u00e9 20% e melhorar a precis\u00e3o da previs\u00e3o de demanda, ajudando a mitigar desperd\u00edcios e otimizar estoques.<\/p>\n<p>Tecnologias como intelig\u00eancia artificial e machine learning j\u00e1 aparecem em aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, como previs\u00e3o de fluxo de clientes, otimiza\u00e7\u00e3o de compras, ajuste de escalas e personaliza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia. Estudos internacionais mostram que o mercado global de food tech e solu\u00e7\u00f5es digitais para alimenta\u00e7\u00e3o cresce a taxas superiores a 8% ao ano, impulsionado principalmente por ganhos de efici\u00eancia e novas exig\u00eancias do consumidor.<\/p>\n<p>\u201cO que antes parecia distante hoje faz parte da rotina de muitos operadores. A tecnologia deixou de ser suporte e passou a ser estrutura do neg\u00f3cio\u201d, refor\u00e7a o CCO da ACOM.<\/p>\n<p><b>Sustentabilidade deixa o discurso e entra na conta<\/b><\/p>\n<p>Outro eixo central das discuss\u00f5es foi a sustentabilidade, agora tratada de forma pragm\u00e1tica e diretamente ligada ao resultado financeiro. Redu\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcio, uso racional de energia, gest\u00e3o de res\u00edduos e escolha consciente de fornecedores deixaram de ser apenas uma pauta reputacional e passaram a impactar o caixa das opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dados da FAO indicam que cerca de 30% dos alimentos produzidos no mundo s\u00e3o desperdi\u00e7ados, e o food service tem papel relevante nesse cen\u00e1rio. No Brasil, estimativas da Embrapa apontam perdas de at\u00e9 27 milh\u00f5es de toneladas de alimentos por ano ao longo da cadeia. N\u00e3o por acaso, nos eventos de 2025, solu\u00e7\u00f5es voltadas ao reaproveitamento inteligente de sobras, controle fino de perdas e efici\u00eancia energ\u00e9tica ganharam protagonismo.<\/p>\n<p>O que antes ia para o lixo, como cascas, aparas e excedentes de produ\u00e7\u00e3o, passou a ser tratado como insumo estrat\u00e9gico, seja para novos preparos, reaproveitamento interno ou parcerias com produtores locais. &#8220;A economia circular \u00e9 uma tend\u00eancia forte que observamos. Existem projetos s\u00f3lidos de reaproveitamento, como o uso da casca do camar\u00e3o ou da baga\u00e7a da uva p\u00f3s-vinho, transformando o que seria res\u00edduo em novos produtos. O mercado est\u00e1 olhando para o lixo como um ativo a ser reprocessado&#8221;, complementa Drechmer. Plataformas digitais tamb\u00e9m v\u00eam encurtando o caminho entre quem produz e quem cozinha, reduzindo intermedi\u00e1rios, garantindo alimentos mais frescos e ajudando a equilibrar pre\u00e7os em um cen\u00e1rio de alta constante dos insumos.<\/p>\n<p>O consumidor mudou, e o setor precisa acompanhar<\/p>\n<p>Se h\u00e1 um fio condutor entre todas as tend\u00eancias observadas, ele atende pelo nome de experi\u00eancia do consumidor. Pesquisas recentes mostram que mais de 60% dos clientes valorizam tanto a experi\u00eancia quanto o produto em si, considerando fatores como atendimento, agilidade, canais digitais e transpar\u00eancia.<\/p>\n<p>O crescimento do delivery, consolidado ap\u00f3s a pandemia, n\u00e3o substituiu o consumo presencial, mas redefiniu expectativas. O consumidor espera conveni\u00eancia, consist\u00eancia e personaliza\u00e7\u00e3o, independentemente do canal escolhido.<\/p>\n<p>\u201cOs eventos apontaram que o futuro do setor food \u00e9 h\u00edbrido, orientado por dados e centrado no cliente. Quem n\u00e3o entender isso vai ficar para tr\u00e1s\u201d, resume o executivo da ACOM.<\/p>\n<p>Assim, as discuss\u00f5es realizadas nos principais encontros do setor apontam para um futuro em que o food service ser\u00e1 cada vez mais tecnol\u00f3gico, eficiente e estrat\u00e9gico. Entre as tend\u00eancias que devem ganhar for\u00e7a nos pr\u00f3ximos anos, os executivos da ACOM apontam:<\/p>\n<li>maior uso de IA e automa\u00e7\u00e3o na opera\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>integra\u00e7\u00e3o total entre canais f\u00edsicos e digitais;<\/li>\n<li>modelos de neg\u00f3cio mais enxutos e escal\u00e1veis;<\/li>\n<li>foco em sustentabilidade com impacto mensur\u00e1vel;<\/li>\n<li>profissionaliza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o e uso intensivo de dados.<\/li>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Markable Comunica\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante anos, a qualidade da comida foi o principal diferencial no food service. 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