{"id":125327,"date":"2026-03-09T10:45:00","date_gmt":"2026-03-09T13:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/redescoberta-de-acervo-sonoro-revela-historias-ineditas-sobre-usina-do-rio-grande-do-su-l\/"},"modified":"2026-03-09T11:11:35","modified_gmt":"2026-03-09T14:11:35","slug":"acervo-sonoro-usina-rio-grande-do-sul-historias-ineditas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/acervo-sonoro-usina-rio-grande-do-sul-historias-ineditas\/","title":{"rendered":"Redescoberta de acervo sonoro revela hist\u00f3rias in\u00e9ditas sobre usina do Rio Grande do Su l"},"content":{"rendered":"<p>A Mem\u00f3ria da Eletricidade concluiu, em mar\u00e7o, o tratamento t\u00e9cnico de um conjunto de registros sonoros que ajudam a contar parte pouco conhecida da hist\u00f3ria da energia no Brasil. O material re\u00fane depoimentos de trabalhadores e moradores ligados \u00e0 Usina Termel\u00e9trica de S\u00e3o Jer\u00f4nimo, no Rio Grande do Sul, e agora passa a integrar o acervo hist\u00f3rico digital da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O trabalho foi realizado com incentivo realizado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que possibilitou a organiza\u00e7\u00e3o, digitaliza\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de documentos hist\u00f3ricos da institui\u00e7\u00e3o. A iniciativa busca preservar e ampliar o acesso a fontes que ajudam a compreender a forma\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico brasileiro e seus impactos sociais, econ\u00f4micos e culturais.<\/p>\n<p>Ao todo, foram 13 grava\u00e7\u00f5es de entrevistas digitalizadas, originalmente registradas em fitas cassete, produzidas em 2003 no \u00e2mbito do programa de Hist\u00f3ria Oral. Ap\u00f3s o processo de preserva\u00e7\u00e3o, o conjunto passou a somar mais de 10 horas de depoimentos e 13 documentos de transcri\u00e7\u00e3o, que totalizam cerca de 600 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p><b>Desenvo<\/b><b>l<\/b><b>vimento da UTE S\u00e3o Jer\u00f4nimo<\/b><\/p>\n<p>A Usina Termel\u00e9trica de S\u00e3o Jer\u00f4nimo foi implantada na d\u00e9cada de 1950, em um momento de expans\u00e3o da infraestrutura energ\u00e9tica no pa\u00eds. Com 20 MW de capacidade instalada, a usina utilizava carv\u00e3o mineral britado como combust\u00edvel prim\u00e1rio, sendo a primeira brasileira a adotar esse tipo de insumo.<\/p>\n<p>Localizada a cerca de 70 quil\u00f4metros de Porto Alegre, a usina rapidamente se tornou um s\u00edmbolo de moderniza\u00e7\u00e3o para o munic\u00edpio, impulsionando a gera\u00e7\u00e3o de empregos e movimentando a economia local.<\/p>\n<p>Em 1974, ap\u00f3s 21 anos de opera\u00e7\u00e3o, o governo federal decidiu desativar o empreendimento sob a justificativa de inviabilidade econ\u00f4mica, provocando uma mobiliza\u00e7\u00e3o na cidade. Moradores e trabalhadores se organizaram para defender a retomada das atividades e, dois anos depois, a usina voltou a operar.<\/p>\n<p>Segundo o historiador Lucas Nascimento, um dos respons\u00e1veis pelo trabalho de preserva\u00e7\u00e3o do acervo, os depoimentos revelam a intensidade dessa mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA usina fazia parte do cotidiano da cidade. As pessoas tinham um apego emocional muito grande, principalmente pelo desenvolvimento econ\u00f4mico que ela trouxe. Nos relatos, a reabertura aparece como um momento de grande emo\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o significava apenas uma usina voltando a funcionar, mas a recupera\u00e7\u00e3o de uma fonte de renda para muitas fam\u00edlias.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_125332\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-125332\" class=\"wp-image-125332\" src=\"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/historiador-lucas-nascimento-acervo-ute-sao-jeronimo-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"950\" height=\"713\" srcset=\"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/historiador-lucas-nascimento-acervo-ute-sao-jeronimo-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/historiador-lucas-nascimento-acervo-ute-sao-jeronimo-300x225.jpg 300w, https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/historiador-lucas-nascimento-acervo-ute-sao-jeronimo-768x576.jpg 768w, https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/historiador-lucas-nascimento-acervo-ute-sao-jeronimo.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px\" \/><p id=\"caption-attachment-125332\" class=\"wp-caption-text\">Historiador Lucas Nascimento foi um dos respons\u00e1veis pelo tratamento t\u00e9cnico do acervo sobre a UTE S\u00e3o Jer\u00f4nimo. Foto: Leila Guimar\u00e3es \/ Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/p><\/div>\n<p><b>Mobiliza\u00e7\u00e3o feminina e forma\u00e7\u00e3o de trabalhadores<\/b><\/p>\n<p>Entre os aspectos que mais chamam a aten\u00e7\u00e3o do pesquisador nos depoimentos est\u00e1 o protagonismo das mulheres na mobiliza\u00e7\u00e3o pela reabertura da usina.<\/p>\n<p>\u201cEstamos falando da d\u00e9cada de 1970, quando movimentos liderados por mulheres eram muito menos comuns. Ainda assim, muitas companheiras de oper\u00e1rios se mobilizaram ativamente pela retomada das atividades da usina. Esse \u00e9 um dos elementos que mostram por que conhecer essa hist\u00f3ria \u00e9 t\u00e3o importante\u201d, afirma Nascimento.<\/p>\n<p>Os relatos tamb\u00e9m revelam iniciativas pioneiras de forma\u00e7\u00e3o profissional dentro da pr\u00f3pria usina. Nos primeiros anos de opera\u00e7\u00e3o, foram organizados programas de alfabetiza\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o para trabalhadores. Na \u00e9poca, a unidade empregava cerca de 300 oper\u00e1rios, muitos deles sem escolariza\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n<p>\u201cPara operar equipamentos como caldeiras e turbinas, era necess\u00e1rio um m\u00ednimo de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e capacidade de leitura. O engenheiro-chefe \u00c2ngelo Gaudi iniciou um projeto de alfabetiza\u00e7\u00e3o para ampliar a qualifica\u00e7\u00e3o da equipe e valorizar os trabalhadores\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p><b>Um acervo que ajuda a contar novas hist\u00f3rias do Brasil<\/b><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a reativa\u00e7\u00e3o nos anos 1970, a usina continuou em funcionamento at\u00e9 2013, quando foi substitu\u00edda por alternativas tecnol\u00f3gicas mais modernas de gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p>Agora, com a digitaliza\u00e7\u00e3o dos depoimentos e documentos, pesquisadores, estudantes e o p\u00fablico em geral passam a ter acesso a um conjunto de fontes hist\u00f3ricas capazes de revelar novas perspectivas sobre o desenvolvimento do setor el\u00e9trico e suas rela\u00e7\u00f5es com a vida cotidiana das comunidades.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do acervo de Hist\u00f3ria Oral, a trajet\u00f3ria da usina entre 1953 e 2003 tamb\u00e9m est\u00e1 registrada no livro \u201c <a href=\"https:\/\/memoriadaeletricidade.com.br\/acervo\/@id\/12495\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><u>S\u00e3o Jer\u00f4nimo: 50 anos gerando energia e desenvolvimento<\/u><\/a> \u201d, dispon\u00edvel para consulta na Rede Bibliotecas da Energia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaeletricidade.com.br\/acervo\/35779\/usina-termeletrica-de-sao-jeronimo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><u>Todo o material digitalizado<\/u><\/a> j\u00e1 pode ser acessado no site da Mem\u00f3ria da Eletricidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Entrevista Lucas Nascimento - S\u00e3o Jer\u00f4nimo - Conv\u00eanio Mem\u00f3ria da Eletricidade e FINEP\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/df8Si3jNMec?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<p>A\u00a0<strong>OESP<\/strong>\u00a0n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da\u00a0<strong>OESP<\/strong>\u00a0e s\u00e3o de inteira responsabilidade da\u00a0<strong><strong>Ag\u00eancia Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/strong><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Mem\u00f3ria da Eletricidade concluiu, em mar\u00e7o, o tratamento t\u00e9cnico de um conjunto de registros sonoros que ajudam a contar parte pouco conhecida da hist\u00f3ria da energia no Brasil. O material re\u00fane","protected":false},"author":1,"featured_media":125328,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1680],"tags":[],"class_list":["post-125327","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agencia-memoria-da-eletricidade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=125327"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125327\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":125333,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125327\/revisions\/125333"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/125328"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=125327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=125327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=125327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}