{"id":124390,"date":"2026-02-19T15:30:00","date_gmt":"2026-02-19T18:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/a-luz-que-demorou-a-chegar-a-historia-da-eletrificacao-rural-no-brasil\/"},"modified":"2026-02-19T15:30:00","modified_gmt":"2026-02-19T18:30:00","slug":"a-luz-que-demorou-a-chegar-a-historia-da-eletrificacao-rural-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/a-luz-que-demorou-a-chegar-a-historia-da-eletrificacao-rural-no-brasil\/","title":{"rendered":"A luz que demorou a chegar: a hist\u00f3ria da eletrifica\u00e7\u00e3o rural no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto as cidades se iluminavam e aceleravam a industrializa\u00e7\u00e3o, o campo seguia outro compasso. \u00c0 noite, a claridade vinha das lamparinas, e o progresso parecia algo distante, limitado pelas estradas de terra e pela falta de infraestrutura. A eletrifica\u00e7\u00e3o rural no Brasil enfrentou, desde o in\u00edcio, obst\u00e1culos econ\u00f4micos, geogr\u00e1ficos e sociais.<\/p>\n<p>O marco inicial ocorreu em 1923, em Batatais, no interior de S\u00e3o Paulo, quando o fazendeiro Jo\u00e3o Nogueira de Carvalho fez o primeiro pedido de instala\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica para poder operar uma m\u00e1quina agr\u00edcola. Experi\u00eancias pioneiras como a de Batatais se mostraram pouco lucrativas para as empresas concession\u00e1rias, devido ao baixo consumo de energia el\u00e9trica e \u00e0 alta dispers\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o rural.<\/p>\n<p>Dado o pequeno interesse da iniciativa privada pela implanta\u00e7\u00e3o de sistemas el\u00e9tricos no meio rural, algumas comunidades come\u00e7aram a formar cooperativas de eletrifica\u00e7\u00e3o a partir dos anos 1940, com o apoio de governos locais. Mais tarde esse modelo de eletrifica\u00e7\u00e3o rural veio a ganhar respaldo federal com o Estatuto da Terra, de 1964, e ajudou a fomentar a ideia de pol\u00edticas p\u00fablicas para garantir energia no campo.<\/p>\n<p><b>A entrada do Estado e os avan\u00e7os lentos<\/b><\/p>\n<p>Foi s\u00f3 a partir da d\u00e9cada de 1940 que o debate sobre eletrifica\u00e7\u00e3o rural entrou na agenda nacional. A presen\u00e7a do Estado no setor el\u00e9trico come\u00e7ou a ganhar forma com a cria\u00e7\u00e3o de empresas como a Companhia Hidro El\u00e9trica do S\u00e3o Francisco (Chesf) e, mais tarde, a Eletrobras \u2013 hoje A XIA Energia, que promoveram amplo programa de investimentos em gera\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de energia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mesmo assim, os avan\u00e7os eram lentos e desiguais em compara\u00e7\u00e3o aos centros urbanos e industriais. O censo de 1950 mostrava que menos de 4% dos domic\u00edlios rurais dispunham de eletricidade.\u00a0J\u00e1 nos anos 1960, o contraste entre cidade e campo permanecia evidente: dos 13,5 milh\u00f5es de domic\u00edlios existentes no pa\u00eds, apenas 597 mil resid\u00eancias rurais contavam com ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, apesar de a popula\u00e7\u00e3o rural ainda representar 55% dos brasileiros, uma estimativa de 71 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>O campo seguia \u00e0 margem dos benef\u00edcios que a energia j\u00e1 dispunha \u00e0s cidades.<\/p>\n<figure>\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/AME20260219153009068481-20260219artigoal-1.jpg\" alt=\"Mesa do Segundo Simp\u00f3sio de Eletrifica\u00e7\u00e3o Rural em mar\u00e7o de 1970. Foto: Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade\"><figcaption>Mesa do Segundo Simp\u00f3sio de Eletrifica\u00e7\u00e3o Rural em mar\u00e7o de 1970. Foto: Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>Programas nacionais e moderniza\u00e7\u00e3o do campo<\/b><\/p>\n<p>Uma esperan\u00e7a surge a partir dos anos 1970 com a cria\u00e7\u00e3o dos Programas Nacionais de Eletrifica\u00e7\u00e3o Rural (PNER) e o fortalecimento de institui\u00e7\u00f5es como a Eletrobras. Investimento em novas linhas de transmiss\u00e3o e a expans\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica permitiram levar energia a \u00e1reas mais afastadas. Isto impulsionou a moderniza\u00e7\u00e3o ao permitir o uso de novos equipamentos e da mecaniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. A vida cotidiana do campo foi transformada.<\/p>\n<figure>\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/AME20260219153009068481-20260219artigoal-2.jpg\" alt=\"Trabalhadores durante a instala\u00e7\u00e3o da rede de distribui\u00e7\u00e3o el\u00e9trica em Ouro Preto. Foto: Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade\"><figcaption>Trabalhadores durante a instala\u00e7\u00e3o da rede de distribui\u00e7\u00e3o el\u00e9trica em Ouro Preto. Foto: Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre os anos 1990 e o in\u00edcio dos anos 2000, iniciativas como o Programa Luz no Campo transformaram o meio rural, mas foi a partir da lei n\u00ba 10.438, de 2002, que veio a virada da eletrifica\u00e7\u00e3o rural. A regulamenta\u00e7\u00e3o consagrava a universaliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o como direito do cidad\u00e3o e criou mecanismos de financiamento, como a Conta de Desenvolvimento Energ\u00e9tico. Ent\u00e3o, em 2003, o lan\u00e7amento do Programa Luz para Todos (LPT) veio como um divisor de \u00e1guas, colocando a inclus\u00e3o social como ponto focal da pol\u00edtica energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Sob essa nova l\u00f3gica, o processo de erradicar a exclus\u00e3o el\u00e9trica vinha para levar energia gratuita \u00e0s fam\u00edlias rurais, comunidades ind\u00edgenas, quilombolas, etc. Foi preciso alinhar governo e empresas do setor el\u00e9trico para que o programa pudesse incluir regi\u00f5es antes consideradas invi\u00e1veis de serem acessadas por meio da extens\u00e3o de redes e solu\u00e7\u00f5es descentralizadas. Os resultados foram expressivos com milh\u00f5es de domic\u00edlios atendidos, melhoria da renda <i>per capita<\/i>, maior fortalecimento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, avan\u00e7os na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e qualidade de vida no campo.<\/p>\n<p><b>O cen\u00e1rio atual da eletrifica\u00e7\u00e3o rural no Brasil<\/b><\/p>\n<p>Os dados mais recentes refletem esse esfor\u00e7o hist\u00f3rico. O Censo de 2022 revelou que 99,8% dos domic\u00edlios brasileiros possuem acesso \u00e0 energia el\u00e9trica, um patamar pr\u00f3ximo da universaliza\u00e7\u00e3o plena. Mais do que postes e fios, a eletrifica\u00e7\u00e3o levou dignidade e esperan\u00e7a ao campo, reduzindo a dist\u00e2ncia entre o Brasil urbano e o Brasil rural.<\/p>\n<p>Para entender mais sobre o tema, acesse o livro \u201c <a href=\"https:\/\/memoriadaeletricidade.com.br\/acervo\/@id\/19186\" target=\"_blank\"><u><i>Eletrifica\u00e7\u00e3o rural no Brasil \u2013 Uma vis\u00e3o hist\u00f3rica<\/i><\/u><\/a> \u201d, produzido pela <a href=\"https:\/\/memoriadaeletricidade.com.br\/\" target=\"_blank\"><u>Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/u><\/a> e dispon\u00edvel em seu acervo.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>Livro:<\/p>\n<p><b>Eletrifica\u00e7\u00e3o rural no Brasil<\/b> <b> &#8211; <\/b> <i>Uma vis\u00e3o hist\u00f3rica<\/i> <a href=\"https:\/\/memoriadaeletricidade.com.br\/acervo\/@id\/19186\" target=\"_blank\"><u><i>https:\/\/memoriadaeletricidade.com.br\/acervo\/@id\/19186<\/i><\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brsa.org.br\/wp-content\/uploads\/wpcf7-submissions\/6674\/ENABER.com-autores.pdf\" target=\"_blank\"><u>https:\/\/brsa.org.br\/wp-content\/uploads\/wpcf7-submissions\/6674\/ENABER.com-autores.pdf<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/seer.unisc.br\/index.php\/redes\/article\/view\/9816\" target=\"_blank\"><u>https:\/\/seer.unisc.br\/index.php\/redes\/article\/view\/9816<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mme\/pt-br\/destaques\/Programa%20Luz%20para%20Todos\/sobre-o-programa\" target=\"_blank\"><u>https:\/\/www.gov.br\/mme\/pt-br\/destaques\/Programa%20Luz%20para%20Todos\/sobre-o-programa<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.mme.gov.br\/luzparatodos\/downloads\/Livro_LPT_portugues.pdf\" target=\"_blank\"><u>https:\/\/www.mme.gov.br\/luzparatodos\/downloads\/Livro_LPT_portugues.pdf<\/u><\/a><\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Enquanto as cidades se iluminavam e aceleravam a industrializa\u00e7\u00e3o, o campo seguia outro compasso. \u00c0 noite, a claridade vinha das lamparinas, e o progresso parecia algo distante, limitado pelas","protected":false},"author":1,"featured_media":124391,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1680],"tags":[],"class_list":["post-124390","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agencia-memoria-da-eletricidade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=124390"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/124390\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124391"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=124390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=124390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=124390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}