{"id":122452,"date":"2026-01-06T11:27:00","date_gmt":"2026-01-06T14:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-economia\/novos-modelos-do-sistema-financeiro-ampliam-desigualdades-entre-trabalhadores\/"},"modified":"2026-01-06T11:27:00","modified_gmt":"2026-01-06T14:27:00","slug":"novos-modelos-do-sistema-financeiro-ampliam-desigualdades-entre-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-economia\/novos-modelos-do-sistema-financeiro-ampliam-desigualdades-entre-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Novos modelos do sistema financeiro ampliam desigualdades entre trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p>Em encontro, representantes da Febraban, da Contraf-CUT e do meio acad\u00eamico analisam os efeitos da transforma\u00e7\u00e3o digital sobre direitos, regula\u00e7\u00e3o e tributa\u00e7\u00e3o no setor financeiro, e defendem avan\u00e7os para garantir tratamento equivalente a fun\u00e7\u00f5es equivalentes.<\/p>\n<p>Pix no celular, carteiras digitais e aplicativos que concentram praticamente toda a vida financeira do usu\u00e1rio consolidaram um novo desenho para o sistema financeiro brasileiro. Do lado de fora, para quem paga contas, contrata cr\u00e9dito ou investe, &#8220;tudo parece banco&#8221;. Por tr\u00e1s das telas, por\u00e9m, cresce um mosaico de institui\u00e7\u00f5es com regras distintas, enquadramentos tribut\u00e1rios variados e regimes de trabalho que criam, na pr\u00e1tica, profissionais de &#8220;primeira e segunda classe&#8221; dentro do mesmo setor.<\/p>\n<p>Esse foi o eixo da transmiss\u00e3o Meet Point Estad\u00e3o Think &#8211; Segmentos do sistema financeiro em debate: direitos desiguais entre trabalhadores, uma produ\u00e7\u00e3o do Estad\u00e3o Blue Studio com patroc\u00ednio da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban). Mediado pela jornalista Camila Silveira, o encontro reuniu Adauto Duarte, diretor executivo de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, Trabalhistas e Sindicais da Febraban; Juvandia Moreira Leite, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT Brasil; e Mois\u00e9s Marques, professor, pesquisador e consultor na \u00e1rea de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.<\/p>\n<p><b>Novo ecossistema<\/b><\/p>\n<p>Ao abrir o diagn\u00f3stico, o diretor executivo da Febraban ressaltou que a antiga estrutura de &#8220;casa banc\u00e1ria&#8221; j\u00e1 n\u00e3o representa o setor. &#8220;No passado, se algu\u00e9m quisesse fazer uma transa\u00e7\u00e3o, precisava ir a uma ag\u00eancia de banco comercial. Hoje, falamos em v\u00e1rios segmentos&#8221;, afirmou. Para ele, a combina\u00e7\u00e3o entre tecnologia, atualiza\u00e7\u00f5es legislativas e novas normas regulat\u00f3rias explica a multiplica\u00e7\u00e3o de atores que oferecem servi\u00e7os antes exclusivos dos bancos.<\/p>\n<p>&#8220;Somente dentro do Sistema Financeiro Nacional, existem 1.802 institui\u00e7\u00f5es autorizadas. Os bancos representam 9,9% desse universo&#8221;, detalhou. Muitas dessas institui\u00e7\u00f5es podem realizar atividades que, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, s\u00f3 aconteciam no balc\u00e3o de uma ag\u00eancia.<\/p>\n<p>O Pix exemplifica essa mudan\u00e7a. &#8220;H\u00e1 909 participantes que oferecem contas transacionais para o Pix, distribu\u00eddos em 12 tipos de institui\u00e7\u00f5es. O cliente enxerga um aplicativo \u00fanico, mas cada conjunto de transa\u00e7\u00f5es pode ser contabilizado por uma institui\u00e7\u00e3o diferente dentro de um mesmo conglomerado&#8221;, explicou Adauto.<\/p>\n<p>Para o usu\u00e1rio, importa que o sistema funcione. Para o mercado, por\u00e9m, a multiplicidade de modelos opera sob normas, tributos e rela\u00e7\u00f5es de trabalho distintas. &#8220;Hoje a organiza\u00e7\u00e3o ainda se apoia muito no tipo de institui\u00e7\u00e3o, quando o que importa \u00e9 o servi\u00e7o. Se produtos iguais recebem tratamentos legais diferentes, a sociedade deixa de ter um padr\u00e3o de concorr\u00eancia equilibrado&#8221;, avaliou.<\/p>\n<p><b>Direitos desiguais<\/b><\/p>\n<p>Do lado dos trabalhadores, a fotografia n\u00e3o \u00e9 menos assim\u00e9trica. Juvandia Moreira Leite lembrou que cooperativas, fintechs e institui\u00e7\u00f5es de pagamento passaram a oferecer o mesmo conjunto de servi\u00e7os dos bancos &#8211; abertura de contas, cart\u00f5es, pagamentos, transfer\u00eancias e cr\u00e9dito -, mas com condi\u00e7\u00f5es de trabalho mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>&#8220;Se o servi\u00e7o \u00e9 o mesmo, as exig\u00eancias de qualifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o. A diferen\u00e7a aparece na jornada, na remunera\u00e7\u00e3o e na prote\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou. Segundo ela, a jornada m\u00e9dia em cooperativas chega a ser 50% maior que a dos banc\u00e1rios; a perman\u00eancia no emprego gira em torno de tr\u00eas anos, enquanto em bancos tradicionais se aproxima de dez. &#8220;Eles trabalham mais, com per\u00edodos de seis ou oito horas, e recebem, em m\u00e9dia, metade do sal\u00e1rio de um banc\u00e1rio&#8221;, criticou.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da dirigente, trabalhadores de fintechs e cooperativas integram o mesmo ramo e poderiam acessar direitos semelhantes caso estivessem enquadrados sob a mesma base sindical. &#8220;Eles perdem prote\u00e7\u00e3o em sa\u00fade, ambiente de trabalho, igualdade e tecnologia&#8221;, disse.<\/p>\n<p>J\u00e1 o professor Mois\u00e9s Marques acrescentou que o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico acelerou a prolifera\u00e7\u00e3o das fintechs &#8211; mais de 1,4 mil, segundo entidades do setor. &#8220;Precisamos separar o joio do trigo. Vemos empresas que se apresentam como financeiras oferecendo produtos estranhos, muitas vezes \u00e0 margem de controles que bancos tradicionais cumprem&#8221;, afirmou. Essa brecha regulat\u00f3ria amplia riscos, inclusive de viola\u00e7\u00f5es \u00e0 Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (LGPD) e de golpes contra consumidores.<\/p>\n<p>Juvandia destacou ainda o uso equivocado de enquadramentos tribut\u00e1rios. Empresas escolhem c\u00f3digos gen\u00e9ricos (CNAES) para reduzir impostos e evitar sindicatos mais estruturados. &#8220;O resultado \u00e9 um trabalhador que faz a mesma coisa, com jornada maior, sal\u00e1rio menor e quase nenhuma prote\u00e7\u00e3o social&#8221;, resumiu.<\/p>\n<p><b>Debate destaca revis\u00e3o do arcabou\u00e7o e isonomia no setor financeiro<\/b><\/p>\n<p>Depois de mapear as distor\u00e7\u00f5es entre trabalhadores de diferentes segmentos financeiros, a discuss\u00e3o voltou-se \u00e0s solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, come\u00e7ando pela necessidade de rever o arcabou\u00e7o regulat\u00f3rio que sustenta o setor.<\/p>\n<p>Para o diretor executivo da Febraban, \u00e9 preciso revisar o marco regulat\u00f3rio com foco no servi\u00e7o, e n\u00e3o no tipo de institui\u00e7\u00e3o. &#8220;Mesmo produto deve ter mesma regra, mesmo tributo e mesmas rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Isso vale para tributa\u00e7\u00e3o, regula\u00e7\u00e3o e contratos de trabalho. \u00c9 uma forma de respeitar o princ\u00edpio de igualdade da Constitui\u00e7\u00e3o e garantir concorr\u00eancia justa&#8221;, afirmou Adauto.<\/p>\n<p>Ele defende uma atualiza\u00e7\u00e3o do arcabou\u00e7o legal e interpreta\u00e7\u00f5es judiciais que acelerem o equil\u00edbrio competitivo. &#8220;O primeiro passo \u00e9 uma mudan\u00e7a na legisla\u00e7\u00e3o. Enquanto isso n\u00e3o ocorre, decis\u00f5es judiciais poderiam contribuir para equalizar a aplica\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios constitucionais, como a igualdade e a livre concorr\u00eancia&#8221;, disse. Paralelamente, considera essencial fortalecer a negocia\u00e7\u00e3o coletiva para produzir solu\u00e7\u00f5es equilibradas.<\/p>\n<p><b>Caminhos poss\u00edveis<\/b><\/p>\n<p>Na leitura do professor Marques, as sa\u00eddas combinam regula\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o e mecanismos de prote\u00e7\u00e3o ao trabalhador. Ele citou discuss\u00f5es recentes do Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais (BIS), que prop\u00f5em modelos regulat\u00f3rios baseados na atividade desempenhada. &#8220;N\u00e3o faz sentido tratar de forma distinta quem faz a mesma coisa&#8221;, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>O professor defendeu a cria\u00e7\u00e3o de algo semelhante a um &#8220;fundo garantidor de trabalhadores&#8221;, inspirado em pa\u00edses como Finl\u00e2ndia e Canad\u00e1, para financiar requalifica\u00e7\u00e3o profissional diante da automa\u00e7\u00e3o. &#8220;Mudou o sistema, o regramento precisa mudar junto. Enquanto isso n\u00e3o ocorre, precisamos preparar pessoas para esse ambiente e oferecer apoio psicol\u00f3gico, porque a transforma\u00e7\u00e3o atinge a forma de trabalhar, de conviver e de planejar o futuro.&#8221;<\/p>\n<p>Para Juvandia, o avan\u00e7o depende de nova regula\u00e7\u00e3o para fintechs, revis\u00e3o de c\u00f3digos de atividade econ\u00f4mica, fortalecimento da fiscaliza\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de uma mesa nacional que re\u00fana bancos, cooperativas, institui\u00e7\u00f5es de pagamento e plataformas digitais. &#8220;A experi\u00eancia de negocia\u00e7\u00e3o nacional j\u00e1 existe. Falta vontade pol\u00edtica e corre\u00e7\u00e3o dessas assimetrias para que um acordo amplo se viabilize.&#8221;<\/p>\n<p>No encerramento, os tr\u00eas convidados convergiram em um ponto: inova\u00e7\u00e3o e direitos caminham juntos. Adauto defendeu a\u00e7\u00e3o coordenada entre Legislativo, Executivo e Judici\u00e1rio. Marques destacou que debates p\u00fablicos como o promovido pelo Estad\u00e3o ampliam a compreens\u00e3o do tema. Juvandia refor\u00e7ou a necessidade de &#8220;colocar lupa&#8221; sobre um problema que afeta consumidores, trabalhadores, concorr\u00eancia e arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em um sistema financeiro em constante reinven\u00e7\u00e3o, o debate refor\u00e7ou um ponto central: a expans\u00e3o tecnol\u00f3gica n\u00e3o substitui a necessidade de direitos equivalentes para trabalhadores e de um ambiente regulat\u00f3rio que assegure competi\u00e7\u00e3o equilibrada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em encontro, representantes da Febraban, da Contraf-CUT e do meio acad\u00eamico analisam os efeitos da transforma\u00e7\u00e3o digital sobre direitos, regula\u00e7\u00e3o e tributa\u00e7\u00e3o no setor financeiro,","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[130],"tags":[],"class_list":["post-122452","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-releases-economia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=122452"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/122452\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=122452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=122452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=122452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}