{"id":121888,"date":"2025-12-18T13:34:00","date_gmt":"2025-12-18T16:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-geral\/terapias-avancadas-e-tecnologia-apontam-o-futuro-para-canceres-hematologicos-mas-acesso-e-desafio\/"},"modified":"2025-12-18T13:34:00","modified_gmt":"2025-12-18T16:34:00","slug":"terapias-avancadas-e-tecnologia-apontam-o-futuro-para-canceres-hematologicos-mas-acesso-e-desafio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-geral\/terapias-avancadas-e-tecnologia-apontam-o-futuro-para-canceres-hematologicos-mas-acesso-e-desafio\/","title":{"rendered":"Terapias avan\u00e7adas e tecnologia apontam o futuro para c\u00e2nceres hematol\u00f3gicos, mas acesso \u00e9 desafio"},"content":{"rendered":"<p>Especialistas do Brasil e do mundo participaram de debates promovidos no espa\u00e7o do Einstein no congresso mundial mais importante da especialidade.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, os tratamentos que envolvem terapias g\u00eanicas para c\u00e2nceres hematol\u00f3gicos, como leucemias e linfomas, evolu\u00edram rapidamente, assim como novas tecnologias para diagn\u00f3stico e novas abordagens para transplantes de medula \u00f3ssea. Mas ainda h\u00e1 muitos desafios para tornar essas solu\u00e7\u00f5es mais \u00e1geis e, sobretudo, mais acess\u00edveis.<\/p>\n<p>Para discutir estes temas, reuniram-se especialistas do Einstein e de outras organiza\u00e7\u00f5es de excel\u00eancia nacionais e internacionais no espa\u00e7o de debates do hospital no Encontro Anual da Sociedade Americana de Hematologia (ASH), maior encontro da especialidade do mundo.<\/p>\n<p>No congresso, que reuniu mais de 30 mil pessoas em Orlando (EUA) entre 6 e 9 de dezembro, o Einstein teve sua maior participa\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje, com 43 trabalhos cient\u00edficos aceitos, incluindo dois em apresenta\u00e7\u00e3o oral, categoria de maior destaque cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Em um dos debates, sobre terapias celulares, Marcos de Lima, diretor de Terapias Avan\u00e7adas da Ohio State University, nos Estados Unidos, destacou o impacto positivo que a &#8220;revolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica&#8221; pela qual a hematologia est\u00e1 passando pode ter no futuro da medicina em geral. Segundo ele, a tecnologia, que hoje tem foco em c\u00e2nceres hematol\u00f3gicos como linfomas e mieloma m\u00faltiplo, deve se expandir para tratar outras doen\u00e7as nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>&#8220;Um dos grandes avan\u00e7os nesse aspecto \u00e9 perceber que os princ\u00edpios b\u00e1sicos desse tipo de tecnologia usada para c\u00e2nceres hematol\u00f3gicos est\u00e3o migrando para outros tipos de doen\u00e7as, como as autoimunes e as neurol\u00f3gicas, e tumores s\u00f3lidos (os pulmonares e os gastrointestinais), por exemplo&#8221;, afirmou. &#8220;Acho que, nos pr\u00f3ximos anos, vamos ver uma explos\u00e3o de indica\u00e7\u00f5es e mais curas&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Os especialistas destacaram ainda que o Brasil vem participando ativamente dessa revolu\u00e7\u00e3o, que tem acontecido de forma r\u00e1pida, com grande aprendizado para todo o mundo. &#8220;Tamb\u00e9m \u00e9 importante que a gente consiga desenvolver um produto que possa ser oferecido para a popula\u00e7\u00e3o com valores mais baixos e capaz de chegar ao SUS&#8221;, disse Nelson Hamerschlak, coordenador do Departamento de Hematologia do Einstein.<\/p>\n<p>O debate ainda abordou a import\u00e2ncia de se pensar na sustentabilidade dos projetos, citando a recente revis\u00e3o da lei de pesquisa cl\u00ednica, pois possibilita que empresas pequenas e grandes possam produzir e comercializar produtos no Brasil. &#8220;Como temos um sistema regulat\u00f3rio de aprova\u00e7\u00e3o muito bom e similar ao dos Estados Unidos e da Europa, o pa\u00eds \u00e9 atraente nesse sentido, com posi\u00e7\u00e3o de destaque na Am\u00e9rica Latina&#8221;, apontou Lucila Kerbauy, coordenadora do Centro de Excel\u00eancia em Terapia Celular do Einstein.<\/p>\n<p><b>Melhor acesso a doadores de medula e novas tecnologias na hematologia<\/b><\/p>\n<p>O avan\u00e7o das terapias g\u00eanicas no Brasil e no mundo traz consigo o desafio de desenvolver formas para aumentar o acesso a esses tratamentos para um maior n\u00famero de pessoas. Um bom exemplo disso \u00e9 a terapia com c\u00e9lulas CAR-T, que utiliza os linf\u00f3citos T do pr\u00f3prio paciente, mas geneticamente modificados, para atacar as c\u00e9lulas tumorais. Esse tipo de tratamento apresenta altos custos justamente pela limita\u00e7\u00e3o de locais em que essas c\u00e9lulas possam ser fabricadas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o Einstein vem trabalhando na produ\u00e7\u00e3o nacional e no uso cl\u00ednico das c\u00e9lulas CAR-T, como parte do primeiro estudo nesta \u00e1rea aprovado pela Anvisa, em 2022. A iniciativa \u00e9 feita com o apoio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (PROADI-SUS) e tem como um dos objetivos tornar mais acess\u00edvel essa terapia g\u00eanica no Brasil e na Am\u00e9rica Latina. Os resultados deste estudo foram apresentados pela primeira vez durante a ASH 2025.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desse projeto, atualmente, outros 17 estudos cl\u00ednicos est\u00e3o em andamento no Einstein, voltados para o desenvolvimento de terapias celulares, g\u00eanicas e engenharia de tecidos.<\/p>\n<p>O hospital tem o primeiro e \u00fanico centro de pesquisa credenciado pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o Industrial (Embrapii) como um Centro de Compet\u00eancia em Produtos de Terapias Avan\u00e7adas, possibilitando a cria\u00e7\u00e3o de um ecossistema de inova\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o com a ind\u00fastria. Em 2025, a organiza\u00e7\u00e3o se tornou o primeiro membro internacional da CTMC Alliance (iniciativa do MD Anderson Cancer Center e da National Resilience), rede criada para acelerar o desenvolvimento e a oferta desses tratamentos para pacientes com doen\u00e7as sem op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas eficazes.<\/p>\n<p><b>Ampliando o transplante de medula \u00f3ssea<\/b><\/p>\n<p>Em outro painel, a import\u00e2ncia da amplia\u00e7\u00e3o de acesso dos pacientes a doadores de medula \u00f3ssea foi tema central. Um exemplo positivo foi mencionado por Fernando Barroso, presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula (SBTMO), que destacou a iniciativa entre o Einstein e a SBMTO para obter um registro de doadores mais completo. &#8220;\u00c9 importante aumentar a comunica\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina nesse sentido&#8221;, disse Barroso.<\/p>\n<p>Um estudo sobre o tema, tamb\u00e9m do Einstein com a SBTMO, foi apresentado durante o encontro da ASH 2025. Ele traz uma compara\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de transplantes de medula feitos no Brasil, mostrando que procedimentos haploid\u00eanticos (que usam doadores familiares 50% compat\u00edveis com o indiv\u00edduo) e com doadores n\u00e3o aparentados, mas 100% compat\u00edveis, t\u00eam resultados semelhantes, mesmo em pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 um marco hist\u00f3rico que reflete n\u00e3o apenas quantidade, mas qualidade, impacto e lideran\u00e7a cient\u00edfica. Estamos produzindo conhecimento que redefine crit\u00e9rios de tratamento e posiciona o Brasil na vanguarda da hematologia e na constru\u00e7\u00e3o de protocolos cada vez mais personalizados, seguros e eficazes para pacientes de todo o pa\u00eds&#8221;, afirma Nelson Hamerschlak.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi destaque no painel o tema do p\u00f3s-transplante, uma etapa delicada e que conta com pesquisas para manejos mais adequados e que favore\u00e7am a recupera\u00e7\u00e3o plena do paciente. &#8220;Ap\u00f3s o tratamento, as pessoas voltam para suas casas e precisamos fazer o seu acompanhamento, mesmo que estejam longe dos grandes centros. Isso \u00e9 um desafio&#8221;, afirmou Andreza Ribeiro, coordenadora do Centro de Excel\u00eancia em Transplante de Medula \u00d3ssea do Einstein.<\/p>\n<p>&#8220;Para isso, \u00e9 importante haver um bom treinamento de toda a equipe e investirmos em telemedicina&#8221;, completou Juliana Rol\u00f3n, presidente do Grupo Latino-americano de Transplante de Medula \u00d3ssea (LABMT). &#8220;Tamb\u00e9m precisamos focar no atendimento geri\u00e1trico, j\u00e1 que 65% dos pacientes com neoplasia t\u00eam mais de 60 anos&#8221;, acrescentou Barroso.<\/p>\n<p><b>IA e as novas fronteiras da tecnologia na medicina<\/b><\/p>\n<p>As novas tecnologias e como elas podem ser aplicadas na hematologia foram destaque em mais um painel no espa\u00e7o do Einstein durante a ASH 2025. Guillermo Garcia-Manero, chefe do Departamento de Leucemia do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, destacou que o sequenciamento gen\u00e9tico \u00e9 fundamental para ajudar a fazer a melhor abordagem do diagn\u00f3stico e do tratamento.<\/p>\n<p>F\u00e1bio Pires, coordenador do Centro de Excel\u00eancia em Leucemias do Einstein, concorda que o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico trouxe ganhos importantes para a \u00e1rea. &#8220;Atualmente, j\u00e1 temos a morfologia integrada \u00e0 intelig\u00eancia artificial e a citogen\u00e9tica com novas tecnologias sendo usadas na doen\u00e7a linfoide com sucesso&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Daqui para frente, vamos conseguir entender melhor a biologia dessas doen\u00e7as, o que vai nos ajudar a personalizar a medicina, mas temos o desafio de trazer isso para a realidade de pa\u00edses em desenvolvimento&#8221;, acrescentou Guilherme Perini, coordenador do Centro de Excel\u00eancia em Linfomas do Einstein.<\/p>\n<p>Outro tema abordado foi o uso de intelig\u00eancia artificial para ajudar na identifica\u00e7\u00e3o de leucemia com at\u00e9 100% de acerto em casos cr\u00edticos e novos protocolos para idosos com irradia\u00e7\u00e3o total da medula e quimioterapia reduzida, melhorando a efic\u00e1cia e a seguran\u00e7a de tratamentos para pacientes com mais de 60 anos.<\/p>\n<p><b>Einstein tem participa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica na ASH 2025<\/b><\/p>\n<p>Desenvolvidos internamente ou em colabora\u00e7\u00e3o com centros nacionais e internacionais, estudos confirmam trabalho de vanguarda da hematologia do Einstein. Confira alguns deles:<\/p>\n<p>Desfechos de transplantes de medula \u00f3ssea com doadores parcialmente compat\u00edveis \u00e9 semelhante ao de doadores compat\u00edveis<br \/>\nLiderado pelo Einstein e pela Sociedade Brasileira de Transplante de Medula \u00d3ssea (SBTMO), o estudo comparou dois tipos de transplante de medula \u00f3ssea para pacientes adultos com leucemia aguda: usando doadores parcialmente compat\u00edveis (haploid\u00eanticos) ou doadores volunt\u00e1rios totalmente compat\u00edveis (n\u00e3o aparentados). Ap\u00f3s dois anos, os resultados foram muito parecidos entre os dois grupos e as taxas de reca\u00edda, complica\u00e7\u00f5es e mortalidade, semelhantes. Isso mostra que, no Brasil, ambos os tipos de doador s\u00e3o op\u00e7\u00f5es seguras e eficazes para quem n\u00e3o tem um irm\u00e3o compat\u00edvel, ampliando as chances de acesso ao transplante.<\/p>\n<p><b>Resultados do primeiro estudo latino-americano de CAR-T anti-CD19 produzido no local<\/b><\/p>\n<p>Este estudo do Einstein apresentou os primeiros resultados da terapia CAR-T feita inteiramente no Brasil para tratar pacientes com linfomas e leucemias B que n\u00e3o responderam a outros tratamentos. A equipe produziu as c\u00e9lulas modificadas no pr\u00f3prio hospital, reduzindo custos e tempo. Dos 11 pacientes tratados, 81% responderam, sendo que 72% tiveram resposta completa, mesmo ap\u00f3s v\u00e1rios tratamentos anteriores. Ap\u00f3s quase um ano de acompanhamento, a maioria dos pacientes continua viva e sem progress\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><b>Ferramenta de predi\u00e7\u00e3o de leucemia aguda por intelig\u00eancia artificial<\/b><\/p>\n<p>Avaliou a ferramenta AI-PAL, criada para identificar rapidamente o tipo de leucemia aguda usando apenas exames laboratoriais comuns. Isso \u00e9 importante porque o diagn\u00f3stico r\u00e1pido pode salvar vidas, especialmente em locais onde exames mais complexos demoram. A an\u00e1lise de 106 pacientes mostrou que<\/p>\n<p>a ferramenta acertou cerca de 84% dos casos, com desempenho muito bom para todos os subtipos, inclusive 100% para leucemia promieloc\u00edtica, que exige tratamento imediato.<\/p>\n<p>Preparo de medula para transplante de c\u00e9lulas hematopo\u00e9ticas em pacientes com 60 anos ou mais<br \/>\nEste estudo avaliou um novo esquema de preparo para transplante de medula \u00f3ssea em pacientes idosos (60 anos ou mais), usando irradia\u00e7\u00e3o total apenas da medula combinada com quimioterapia em doses reduzidas. O procedimento padr\u00e3o \u00e9 que haja a irradia\u00e7\u00e3o no corpo inteiro. A ideia \u00e9 oferecer um tratamento eficaz, mas menos t\u00f3xico para pessoas com sa\u00fade mais fr\u00e1gil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Especialistas do Brasil e do mundo participaram de debates promovidos no espa\u00e7o do Einstein no congresso mundial mais importante da especialidade.\nNos \u00faltimos anos, os tratamentos","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-121888","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-releases-geral"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=121888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121888\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=121888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=121888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=121888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}