{"id":121176,"date":"2025-12-11T16:15:00","date_gmt":"2025-12-11T19:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/o-complexo-de-lajes-engenharia-ousada-que-transformou-o-abastecimento-do-rio-de-janeiro\/"},"modified":"2025-12-11T16:15:00","modified_gmt":"2025-12-11T19:15:00","slug":"o-complexo-de-lajes-engenharia-ousada-que-transformou-o-abastecimento-do-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/o-complexo-de-lajes-engenharia-ousada-que-transformou-o-abastecimento-do-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"O Complexo de Lajes: engenharia ousada que transformou o abastecimento do Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o Rio de Janeiro vivia um momento de expans\u00e3o acelerada e de reforma urbana do prefeito Pereira Passos, complementada com grandes obras do governo federal. A ent\u00e3o capital federal crescia em popula\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os, mas ainda n\u00e3o contava com um sistema el\u00e9trico compat\u00edvel com a sua demanda. Esse quadro se transforma com a chegada da Rio Light, que representou um marco fundamental na hist\u00f3ria da eletrifica\u00e7\u00e3o da cidade. A empresa executou de imediato projetos de grande envergadura para a \u00e9poca, contribuindo para o processo de moderniza\u00e7\u00e3o da capital federal e de expans\u00e3o das atividades urbano-industriais.<\/p>\n<p>A iniciativa come\u00e7ou com a <a href=\"https:\/\/www.memoriadaeletricidade.com.br\/acervo\/31810\/elevacao-da-barragem-do-ribeirao-das-lajes\" target=\"_blank\"><u>Usina de Fontes<\/u><\/a>, inaugurada em 23 de maio de 1908 e reconhecida como a primeira hidrel\u00e9trica de grande porte do Brasil. At\u00e9 ent\u00e3o, o pa\u00eds dependia fortemente do carv\u00e3o importado para gerar eletricidade, um modelo caro, inst\u00e1vel e insuficiente. Fontes trouxe uma virada estrutural.<\/p>\n<p>Nos anos 1940, sob lideran\u00e7a t\u00e9cnica do engenheiro Asa Billings, nasceu o plano para ampliar significativamente o aproveitamento de Ribeir\u00e3o das Lajes. Os estudos e o projeto do alteamento da barragem foram aprovados pelo Governo Federal em 1940.<\/p>\n<p>A obra avan\u00e7ou rapidamente, acompanhando a expans\u00e3o da demanda el\u00e9trica:<\/p>\n<li>Dezembro de 1940: cota elevada para 420 metros<\/li>\n<li>Agosto de 1943: nova eleva\u00e7\u00e3o para 432 metros<\/li>\n<p>Sobre a antiga barragem, constru\u00edda no in\u00edcio do s\u00e9culo, ergueu-se uma barragem de contrafortes de Fontes Nova, que atingiu a cota 423 e permitiu aumentar o volume de \u00e1gua represada de 180 milh\u00f5es para 752,3 milh\u00f5es de m\u00b3.<\/p>\n<p>Essa amplia\u00e7\u00e3o exigiu a constru\u00e7\u00e3o de dois t\u00faneis de adu\u00e7\u00e3o com 2.200 metros de comprimento, capazes de conduzir o novo volume de \u00e1gua acumulado. O passo mais arriscado foi a transfer\u00eancia das tomadas de \u00e1gua para a nova barragem, opera\u00e7\u00e3o que demandou a perfura\u00e7\u00e3o do paramento de concreto da estrutura antiga a 35 metros de profundidade, um feito de engenharia not\u00e1vel para a \u00e9poca.<\/p>\n<p>Para elevar ainda mais a capacidade do sistema da Rio Light, Asa Billings concebeu o ousado plano do desvio Para\u00edba\u2013Pira\u00ed. A obra previa captar as \u00e1guas dos rios Para\u00edba do Sul, Pira\u00ed e do c\u00f3rrego do Vig\u00e1rio e direcion\u00e1-las para o aproveitamento de Lajes.<\/p>\n<p>As etapas se sucederam de forma decisiva:<\/p>\n<p><b>1952: conclus\u00e3o da obra e in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es das usinas de bombeamento<\/b><\/p>\n<p>Santa Cec\u00edlia (rio Para\u00edba do Sul): 17.470 kW<\/p>\n<p>Vig\u00e1rio (rio Pira\u00ed): 45.410 kW<\/p>\n<p><b>1954: amplia\u00e7\u00e3o das capacidades<\/b><\/p>\n<p>Santa Cec\u00edlia passa a 34.960 kW<\/p>\n<p>Vig\u00e1rio alcan\u00e7a 90.820 kW<\/p>\n<p>Os novos reservat\u00f3rios formados pelo desvio foram essenciais para viabilizar a constru\u00e7\u00e3o da usina subterr\u00e2nea de Nilo Pe\u00e7anha, em Barra do Pira\u00ed.<\/p>\n<p><b>Nilo Pe\u00e7anha e a expans\u00e3o do sistema<\/b><\/p>\n<p>A usina Nilo Pe\u00e7anha foi inaugurada no final de 1953 com duas unidades geradoras de 35.000 kW cada. Entre mar\u00e7o e julho de 1954, mais quatro unidades, agora com 65.000 kW cada, entraram em opera\u00e7\u00e3o, totalizando 330.000 kW de capacidade instalada.<\/p>\n<p>Um detalhe not\u00e1vel: seus geradores podiam operar em 50 ou 60 ciclos, permitindo que a energia produzida atendesse simultaneamente os sistemas do Rio de Janeiro (50 Hz) e de S\u00e3o Paulo (60 Hz). Essa flexibilidade foi decisiva para a integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica entre os dois estados.<\/p>\n<p>Completando o aproveitamento hidr\u00e1ulico de Ribeir\u00e3o das Lajes, a Rio Light iniciou em 1956 a constru\u00e7\u00e3o da usina de Ponte Coberta, localizada a 4 km das centrais de Fontes e Nilo Pe\u00e7anha. A usina seria inaugurada em 1962, consolidando o conjunto hidrel\u00e9trico que hoje reconhecemos como Complexo de Lajes.<\/p>\n<p><b>Um legado que moldou o Rio de Janeiro<\/b><\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.memoriadaeletricidade.com.br\/acervo\/2764\/barragem-da-usina-hidreletrica-de-fontes-nova\" target=\"_blank\"><u>Complexo de Lajes<\/u><\/a> n\u00e3o apenas garantiu seguran\u00e7a energ\u00e9tica para um estado em franco crescimento, como tamb\u00e9m impulsionou inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e solu\u00e7\u00f5es industriais que colocaram o Brasil entre os pa\u00edses com maior dom\u00ednio de engenharia hidrel\u00e9trica no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<figure>\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/AME20251211161507260428-ocomplexodelajes-1.jpg\" alt=\"Imagem 1.  Eleva\u00e7\u00e3o da barragem do Ribeir\u00e3o das Lajes, da Usina Hidrel\u00e9trica Fontes Nova | Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade\"><figcaption>Imagem 1.  Eleva\u00e7\u00e3o da barragem do Ribeir\u00e3o das Lajes, da Usina Hidrel\u00e9trica Fontes Nova | Acervo Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/figcaption><\/figure>\n<p>Com sua amplia\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o, o Complexo de Lajes tem capacidade instalada de\u00a0629 megawatts (MW). Seus oito reservat\u00f3rios garantem, ainda hoje, 95% da \u00e1gua consumida por toda a regi\u00e3o metropolitana do Rio.<\/p>\n<p>Mas a magnitude de Lajes n\u00e3o se mede apenas em pot\u00eancia el\u00e9trica. Hoje conhecida como Lajes-Light, o Complexo de Lajes recebeu a certifica\u00e7\u00e3o International REC Standard (I-REC) em reconhecimento ao compromisso do empreendimento em produzir energia sem poluentes atmosf\u00e9ricos ou res\u00edduos t\u00f3xicos. O I-REC \u00e9 um sistema global que possibilita comercializar, emitir e transferir certificados de energia renov\u00e1vel mediante um criterioso processo de verifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria do Complexo de Lajes \u00e9 tecida junto \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, mantendo um dos mais duradouros programas de reflorestamento do pa\u00eds e preservando a maior reserva privada de Mata Atl\u00e2ntica no Brasil.<\/p>\n<p><b>Sustentabilidade e pioneirismo<\/b><\/p>\n<p>O Programa de Recupera\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Degradadas da Light j\u00e1 plantou mais de 3,5 milh\u00f5es de mudas nativas, que s\u00e3o cultivadas em dois viveiros que podem produzir 55 mil mudas por ano. Por meio dessa restaura\u00e7\u00e3o ambiental, uma consider\u00e1vel \u00e1rea de floresta se tornou abrigo para uma diversa biodiversidade. Mais de 216 esp\u00e9cies de animais, entre on\u00e7a-parda, lobo-guar\u00e1, azul\u00e3o e pato-do-mato, s\u00e3o preservadas &#8211; sendo 64 delas monitoradas e 36 resgatadas e soltas em locais com autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure>\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/AME20251211161507260428-ocomplexodelajes-2.jpg\" alt=\"Imagem 2. Eleva\u00e7\u00e3o da barragem do Ribeir\u00e3o das Lajes, da Usina Hidrel\u00e9trica Fontes Nova | Mem\u00f3ria da Eletricidade\"><figcaption>Imagem 2. Eleva\u00e7\u00e3o da barragem do Ribeir\u00e3o das Lajes, da Usina Hidrel\u00e9trica Fontes Nova | Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Complexo de Lajes segue sendo um s\u00edmbolo de um pa\u00eds capaz de transformar desafios em energia e de gerar com inova\u00e7\u00e3o e compromisso ambiental.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o Rio de Janeiro vivia um momento de expans\u00e3o acelerada e de reforma urbana do prefeito Pereira Passos, complementada com grandes obras do governo federal. 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