{"id":120204,"date":"2025-11-27T16:35:00","date_gmt":"2025-11-27T19:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/a-exposicao-nacional-de-1908-e-sua-arquitetura-que-revela-um-brasil-moderno-uma-conversa-com-ruth-levy\/"},"modified":"2025-11-27T17:25:51","modified_gmt":"2025-11-27T20:25:51","slug":"a-exposicao-nacional-de-1908-e-sua-arquitetura-que-revela-um-brasil-moderno-uma-conversa-com-ruth-levy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/a-exposicao-nacional-de-1908-e-sua-arquitetura-que-revela-um-brasil-moderno-uma-conversa-com-ruth-levy\/","title":{"rendered":"A Exposi\u00e7\u00e3o Nacional de 1908 e sua arquitetura que revela um Brasil moderno: uma conversa com Ruth Levy"},"content":{"rendered":"<p><i>Mem\u00f3ria da Eletricidade lan\u00e7ou mostra digital com fotos raras do evento; pesquisadora destaca a grandiosidade das constru\u00e7\u00f5es<\/i><\/p>\n<p>\u201cEram mais de trinta pr\u00e9dios, todos constru\u00eddos de uma forma muito imponente. A entrada era, de fato, monumental, com uma porta de trinta metros de largura. Depois, o visitante chegava em uma pra\u00e7a com quatro pavilh\u00f5es impressionantes: Distrito Federal, Bahia, Minas Gerais e S\u00e3o Paulo. Tinha o teatro Jo\u00e3o Caetano, muito maior do que os das outras cidades do pa\u00eds. No final, o Pal\u00e1cio da Ind\u00fastria, enorme, com um castelo d\u2019\u00e1gua. Fora a variedade de estilos arquitet\u00f4nicos: o pr\u00e9dio da F\u00e1brica Bangu foi inspirado numa mesquita; o Pavilh\u00e3o da M\u00fasica, em um templo eg\u00edpcio; o de Santa Catarina era um chal\u00e9 feito com 150 tipos de madeiras diferentes&#8230; E a exposi\u00e7\u00e3o inteira conectada por um trenzinho que circulava com os passageiros e com uma ilumina\u00e7\u00e3o fe\u00e9rica. Ent\u00e3o, era tudo muito fascinante\u201d, descreve a arquiteta e muse\u00f3loga Ruth Levy, autora do livro\u00a0 <i>Entre pal\u00e1cios e pavilh\u00f5es: a arquitetura ef\u00eamera da Exposi\u00e7\u00e3o Nacional de 1908.\u00a0<\/i><\/p>\n<p>A Mem\u00f3ria da Eletricidade inaugurou, no dia 16 de outubro de 2025, a sua segunda mostra,\u00a0 <a href=\"https:\/\/memoriadaeletricidade.com.br\/blog\/145224\/memoria-da-eletricidade-lanca-mostra-digital-sobre-a-exposicao-nacional-de-1908-no-google-arts-culture\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><u>\u201cA Exposi\u00e7\u00e3o Nacional de 1908\u201d<\/u><\/a>, na plataforma Google Arts &amp; Culture, que funciona como um grande museu virtual global. Por meio de fotografias raras dispon\u00edveis no acervo da institui\u00e7\u00e3o, o visitante mergulha na hist\u00f3ria do espet\u00e1culo que celebrava o centen\u00e1rio da abertura dos portos do Brasil e buscava mostrar para os pr\u00f3prios brasileiros e para o mundo como o pa\u00eds estava desenvolvido nos ideais europeus de civiliza\u00e7\u00e3o do per\u00edodo.\u00a0Para entender ainda mais sobre o evento, a equipe conversou com Levy.<\/p>\n<p>No decorrer do s\u00e9culo XIX, surgiu a tradi\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses de organizar exposi\u00e7\u00f5es para divulgar seus respectivos progressos econ\u00f4micos. O Brasil participou de algumas, como a de Londres (1867), Filad\u00e9lfia (1876) e Paris (1889). No entanto, nestas ocasi\u00f5es, as riquezas naturais do pa\u00eds sobressa\u00edram entre todos os outros fatores. A partir disso, no in\u00edcio do s\u00e9culo. XX, o\u00a0governo federal sentiu confian\u00e7a no desenvolvimento e decidiu promover a Primeira Exposi\u00e7\u00e3o Nacional de 1908, na Praia Vermelha, no ent\u00e3o desocupado bairro da Urca, no Rio de Janeiro. O espa\u00e7o ocupado foi de 182 mil m\u00b2 e, entre os dias 11 de agosto e 15 de novembro, recebeu mais de um milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>A pesquisadora Ruth Levy explica que a solenidade funcionou como um invent\u00e1rio de tudo o que estava acontecendo no Brasil: \u201cO grande foco era mostrar para o mundo em que p\u00e9 n\u00f3s est\u00e1vamos em termos de \u2018civiliza\u00e7\u00e3o\u2019, em que p\u00e9 nossas cidades estavam em termos de serem cosmopolitas&#8230; Havia uma ideia determinista e evolucionista muito forte, no sentido de que as na\u00e7\u00f5es v\u00e3o evoluindo at\u00e9 o momento em que elas chegam na \u2018idade do progresso\u2019 e devem apresentar isso. Ent\u00e3o, tinha esse car\u00e1ter de provar que est\u00e1vamos prontos para concorrer com os pa\u00edses mais desenvolvidos\u201d.<\/p>\n<p><b>Arquitetura imponente\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Foram exibidos produtos agr\u00edcolas, industriais, pastoris e de artes liberais do Estado. No entanto, o que mais impressionou os estrangeiros e at\u00e9 os pr\u00f3prios brasileiros foi a arquitetura dos trinta edif\u00edcios, inspirada no estilo do ecletismo, caracterizado pela grandiosidade das constru\u00e7\u00f5es, compostas por ornamentos ricos e luxuosos; mistura livre de diversos estilos arquitet\u00f4nicos (neocl\u00e1ssico, barroco, renascentista etc.); uso intenso de decora\u00e7\u00f5es e detalhes nas fachadas, colunas, janelas e portas, entre outros fatores.<\/p>\n<p>Para Levy, isso se deve, entre outros motivos, pela liberdade que os profissionais tinham para tra\u00e7ar os pr\u00e9dios de exposi\u00e7\u00f5es, por eles durarem poucos meses. \u201cAs exposi\u00e7\u00f5es t\u00eam arquiteturas produzidas para ter todo um aspecto de perenidade, de uma monumentalidade, e, ao mesmo tempo, s\u00e3o exemplares que v\u00e3o durar poucos meses. N\u00e3o \u00e9 um edif\u00edcio que vai precisar conviver no cen\u00e1rio urbano por d\u00e9cadas ou mais do que isso, ent\u00e3o o autor pode ousar mais, e isso definitivamente aconteceu em 1908\u201d, explicou.<\/p>\n<p>As imagens do acervo da Mem\u00f3ria da Eletricidade apresentadas na mostra destacam os dois principais pal\u00e1cios erguidos nos extremos da ent\u00e3o avenida dos Estados, hoje avenida Pasteur: o Pal\u00e1cio dos Estados, formado por estandes, vitrines e \u00e1reas expositivas que retratavam o pa\u00eds, e o Pal\u00e1cio das Ind\u00fastrias, que reunia manufaturas, inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e bens industriais. Um corredor de 560 metros unia simbolicamente os dois monumentos e conduzia aos pavilh\u00f5es destinados \u00e0s representa\u00e7\u00f5es estaduais, institucionais e culturais. Al\u00e9m dos espa\u00e7os j\u00e1 citados por Ruth Levy, a mostra tamb\u00e9m apresenta registros de outras instala\u00e7\u00f5es, como as do Corpo de Bombeiros, dos Correios e da Sociedade Nacional de Agricultura.<\/p>\n<p><b>Viabiliza\u00e7\u00e3o do desenvolvimento da Urca\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Um dos legados deixados pela Exposi\u00e7\u00e3o Nacional de 1908 foi, justamente, a abertura de caminhos que viabilizaram o desenvolvimento da Urca, hoje um dos bairros mais valorizados do Rio de Janeiro. De acordo com a pesquisadora, o\u00a0evento levou infraestrutura a uma \u00e1rea ent\u00e3o pouco habitada, com obras de aterro hidr\u00e1ulico e melhorias urbanas que prepararam o terreno para o futuro loteamento do bairro. \u201cA exposi\u00e7\u00e3o abriu esse novo vetor de crescimento para a cidade. Quando um lugar passa a ter eletricidade, transporte e acesso facilitado, naturalmente desperta interesse para novas constru\u00e7\u00f5es\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A ilumina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi um dos fatores que mais impactou os visitantes, mas essa hist\u00f3ria receber\u00e1 um tratamento \u00e0 parte. \u201cO resgate da mem\u00f3ria \u00e9 sempre muito importante para voc\u00ea viver o presente e projetar o futuro. Os relat\u00f3rios que temos de como era o Brasil de 1908 \u00e9 um retrato bem importante para a gente entender o momento, avaliar, de l\u00e1 para c\u00e1, tudo o que aconteceu, e corrigir rumos. Acho que o passado serve muito para isso\u201d, concluiu Ruth Levy.<\/p>\n<p><b>Confira a exposi\u00e7\u00e3o\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Acesse \u201c <a href=\"https:\/\/artsandculture.google.com\/story\/iwXBLUOIVBrbXQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><u><i>A Exposi\u00e7\u00e3o Nacional de 1908<\/i><\/u><\/a> \u201d, percorra os n\u00facleos e veja como 1908 ainda ilumina o nosso presente. N\u00e3o se esque\u00e7a de seguir a Mem\u00f3ria da Eletricidade na plataforma para acompanhar esse e outros lan\u00e7amentos. Esta \u00e9 a segunda mostra da institui\u00e7\u00e3o, a primeira, intitulada \u201c <a href=\"https:\/\/artsandculture.google.com\/story\/TQWBvMUUpFJMag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><u><i>Piabanha, um s\u00e9culo de hist\u00f3ria<\/i><\/u><\/a> \u201d, apresenta uma narrativa visual in\u00e9dita sobre a constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica Alberto Torres, marco da eletrifica\u00e7\u00e3o no estado do Rio.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mem\u00f3ria da Eletricidade lan\u00e7ou mostra digital com fotos raras do evento; pesquisadora destaca a grandiosidade das constru\u00e7\u00f5es \u201cEram mais de trinta pr\u00e9dios, todos constru\u00eddos de uma forma muito","protected":false},"author":1,"featured_media":120205,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1680],"tags":[],"class_list":["post-120204","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agencia-memoria-da-eletricidade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=120204"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120204\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":120207,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/120204\/revisions\/120207"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/120205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=120204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}