{"id":117468,"date":"2025-10-14T17:10:00","date_gmt":"2025-10-14T20:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/blecautes-no-sistema-eletrico-brasileiro-2\/"},"modified":"2025-10-14T17:10:00","modified_gmt":"2025-10-14T20:10:00","slug":"blecautes-no-sistema-eletrico-brasileiro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/agencia-memoria-da-eletricidade\/blecautes-no-sistema-eletrico-brasileiro-2\/","title":{"rendered":"Blecautes no sistema el\u00e9trico brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><i>Pequena cronologia do hist\u00f3rico de blecautes no Brasil<\/i><\/p>\n<figure>\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/AME20251014171009290559-blecautesnosiste-1.jpg\" alt=\"Imagem 1 Livro Hist\u00f3ria da Opera\u00e7\u00e3o Nacional do Sistema Interligado Nacional | Mem\u00f3ria da Eletricidade\"><figcaption>Imagem 1 Livro Hist\u00f3ria da Opera\u00e7\u00e3o Nacional do Sistema Interligado Nacional | Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Brasil conta com centenas de usinas de diferentes tipos, dispersas numa grande extens\u00e3o territorial e interligadas por milhares de quil\u00f4metros de linhas de transmiss\u00e3o que formam o chamado Sistema Interligado Nacional ou SIN, como \u00e9 chamado de forma abreviada. Esse sistema \u00e9 respons\u00e1vel por levar energia a todos os estados do pa\u00eds (menos Roraima) e o Distrito Federal, ligando regi\u00f5es de caracter\u00edsticas f\u00edsicas, econ\u00f4micas e sociais diversas.<\/p>\n<p>As usinas e linhas de transmiss\u00e3o do Sistema Interligado Nacional pertencem a diferentes empresas, mas s\u00e3o operadas de forma coordenada e centralizada pelo Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico (ONS), entidade criada em 1998 no contexto da reforma institucional do setor el\u00e9trico brasileiro. At\u00e9 ent\u00e3o, essa fun\u00e7\u00e3o vinha sendo exercida pelo Grupo Coordenador para Opera\u00e7\u00e3o Interligada (GCOI), organismo dirigido pela Eletrobras com a participa\u00e7\u00e3o das principais concession\u00e1rias de energia el\u00e9trica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os benef\u00edcios da interliga\u00e7\u00e3o dos sistemas el\u00e9tricos s\u00e3o bem conhecidos no mundo. Sistemas interligados melhoram a confiabilidade do servi\u00e7o, proporcionam ajuda m\u00fatua em casos de emerg\u00eancia e permitem a possibilidade de troca de energia entre regi\u00f5es. Isto \u00e9 particularmente importante em um pa\u00eds como o Brasil, caracterizado pela predomin\u00e2ncia de hidrel\u00e9tricas situadas em regi\u00f5es com regimes hidrol\u00f3gicos diferentes.<\/p>\n<p>O Sistema Interligado Nacional sofre milhares de pequenos incidentes por ano, na sua maioria curtos-circuitos tempor\u00e1rios em linhas de transmiss\u00e3o, que n\u00e3o chegam a ser notados pelos consumidores. Um dos principais desafios do ONS consiste justamente em operar o sistema com n\u00edvel de seguran\u00e7a adequado, procurando evitar ou minimizar a ocorr\u00eancia de perturba\u00e7\u00f5es. Entretanto, perturba\u00e7\u00f5es de grande porte nem sempre s\u00e3o contidas. Foi o que aconteceu na manh\u00e3 de 15 de agosto de 2023, quando desligamentos em s\u00e9rie em linhas do SIN ocasionaram a interrup\u00e7\u00e3o do fornecimento de energia em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Segundo o ONS, houve a perda de 19 mil megawatts (MW), representando 27% da carga total do sistema no in\u00edcio do evento. As regi\u00f5es Norte e Nordeste foram as mais afetadas.<\/p>\n<p><b>O Sistema Interligado Nacional<\/b><\/p>\n<p>O sistema el\u00e9trico interligado brasileiro \u00e9 respons\u00e1vel pelo atendimento de quase todo o consumo de energia el\u00e9trica nacional. O consumo dos sistemas isolados, na maioria situados na regi\u00e3o Norte, representa menos de 1% da carga total do pa\u00eds. Boa Vista \u00e9 a \u00fanica capital n\u00e3o integrada ao Sistema Interligado Nacional.<\/p>\n<p>Atualmente, o SIN tem capacidade instalada 246.762 MW, composta em grande parte por hidrel\u00e9tricas. Nos \u00faltimos anos, a instala\u00e7\u00e3o de usinas e\u00f3licas, principalmente no Nordeste, apresentou um forte crescimento, aumentando a import\u00e2ncia dessa gera\u00e7\u00e3o para o atendimento do mercado. Houve tamb\u00e9m extraordin\u00e1rio avan\u00e7o da chamada micro e minigera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda (MMGD), aquela que \u00e9 gerada pelos pr\u00f3prios consumidores a partir sobretudo da energia solar fotovoltaica.<\/p>\n<p>De acordo com o ONS, a capacidade instalada do SIN apresenta a seguinte composi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<figure>\n  <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadaoconteudo.com.br\/RSS\/images\/AME20251014171009290559-blecautesnosiste-2.jpg\" alt=\"Imagem 2  Dados Operador Nacional do Sistema (ONS) | outubro de 2025\"><figcaption>Imagem 2  Dados Operador Nacional do Sistema (ONS) | outubro de 2025<\/figcaption><\/figure>\n<p>A rede b\u00e1sica de transmiss\u00e3o operada pelo ONS \u00e9 constitu\u00edda por linhas e subesta\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o igual ou superior a 230 quilovolts (kV). Com 179 mil km de extens\u00e3o, essa rede tem como principais fun\u00e7\u00f5es: a transmiss\u00e3o da energia gerada pelas usinas para os grandes centros de carga; a integra\u00e7\u00e3o entre os diversos elementos do sistema el\u00e9trico para garantir estabilidade e confiabilidade da rede; a interliga\u00e7\u00e3o entre as bacias hidrogr\u00e1ficas e regi\u00f5es com caracter\u00edsticas hidrol\u00f3gicas heterog\u00eaneas de modo a otimizar a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica; e a integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica com os pa\u00edses vizinhos.<\/p>\n<p><b>Forma\u00e7\u00e3o do SIN<\/b><\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o do sistema interligado brasileiro remonta \u00e0 d\u00e9cada de 1960 com o surgimento das linhas de transmiss\u00e3o inter-regionais e interestaduais, a par da implanta\u00e7\u00e3o de grandes hidrel\u00e9tricas, como Furnas, inaugurada em 1963. At\u00e9 ent\u00e3o, o setor el\u00e9trico compreendia um conjunto amplo de sistemas isolados ou com fraco n\u00edvel de interc\u00e2mbio. Os sistemas de transmiss\u00e3o representavam redes pouco complexas, ligando unidirecionalmente fontes geradoras e centros de consumo.<\/p>\n<p>A primeira forte interliga\u00e7\u00e3o el\u00e9trica no Brasil foi propiciada pela usina de Furnas, constru\u00edda no rio Grande, em Minas Gerais, em ponto equidistante das cidades de S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. As linhas de transmiss\u00e3o de Furnas na tens\u00e3o de 345 kV representaram o ber\u00e7o do sistema interligado brasileiro, integrando os sistemas das principais concession\u00e1rias da regi\u00e3o Sudeste.<\/p>\n<p>Inauguradas em 1984, as hidrel\u00e9tricas de Itaipu e Tucuru\u00ed e seus elos de transmiss\u00e3o viabilizaram a forma\u00e7\u00e3o de dois grandes sistemas interligados no pa\u00eds, o de maior porte abrangendo as regi\u00f5es Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e o outro, a regi\u00e3o Nordeste e parte do estado do Par\u00e1. Parte da primeira linha de 750 kV do tronco de transmiss\u00e3o de Itaipu come\u00e7ou a operar em 1982, estabelecendo forte interliga\u00e7\u00e3o entre as regi\u00f5es Sudeste e Sul e ensejando aproveitamento da diversidade hidrol\u00f3gica das bacias dessas regi\u00f5es. A interliga\u00e7\u00e3o Norte-Nordeste, composta por linhas de 500 kV entre as usinas de Sobradinho, na Bahia, e Tucuru\u00ed, no Par\u00e1, permitiu o interc\u00e2mbio energ\u00e9tico entre os sistemas da Eletronorte e Chesf.<\/p>\n<p>Em 1999, a entrada em opera\u00e7\u00e3o do primeiro circuito de 500 kV da interliga\u00e7\u00e3o Norte-Sul entre Imperatriz (MA) e Samambaia (DF) conectou os dois grandes sistemas el\u00e9tricos do pa\u00eds, caracterizando a constitui\u00e7\u00e3o do Sistema Interligado Nacional. A interliga\u00e7\u00e3o Norte-Sul recebeu sucessivos refor\u00e7os de linhas e equipamentos de compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os estados do Acre e Rond\u00f4nia passaram a fazer parte do Sistema Interligado Nacional em 2010 com a chegada de linhas de 230 kV procedentes do Mato Grosso. Manaus e Macap\u00e1 foram integrados ao SIN em 2013 e 2015, respectivamente, por meio de extensas linhas de transmiss\u00e3o procedentes da usina de Tucuru\u00ed. Projetada para integra\u00e7\u00e3o de Roraima, a linha Manaus-Boa Vista com 720 km de extens\u00e3o permitir\u00e1 substituir as termel\u00e9tricas usadas atualmente para alimentar a capital e outras localidades do estado. O in\u00edcio imediato das obras foi recentemente anunciado pelo governo federal.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de grandes hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia, notadamente as usinas de Santo Antonio e Jirau, em Rond\u00f4nia, e Belo Monte, no Par\u00e1, demandou o refor\u00e7o das principais interconex\u00f5es do pa\u00eds com a regi\u00e3o Norte, assim como dos sistemas de transmiss\u00e3o regionais receptores.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das interliga\u00e7\u00f5es regionais, o SIN tem interliga\u00e7\u00f5es com sistemas el\u00e9tricos de pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, nomeadamente o Paraguai, Argentina, Uruguai e Venezuela.<\/p>\n<p><b>1984: o primeiro grande blecaute no Sudeste<\/b><\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, os sistemas interligados Sul-Sudeste e Norte-Nordeste sofreram graves perturba\u00e7\u00f5es, causadas principalmente por atrasos em obras de transmiss\u00e3o, segundo o engenheiro Jos\u00e9 Marcondes Brito de Carvalho, diretor de opera\u00e7\u00e3o da Eletrobras e um dos principais dirigentes do GCOI ao longo de toda sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O primeiro grande blecaute na regi\u00e3o Sudeste ocorreu em 18 de abril de 1984. Pouco antes das 17h, o fornecimento de energia el\u00e9trica aos estados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Esp\u00edrito Santo foi quase totalmente interrompido, em virtude dos desligamentos em cascata das linhas de 500 kV do sistema de transmiss\u00e3o das usinas de S\u00e3o Sim\u00e3o, Itumbiara e Emborca\u00e7\u00e3o, localizadas no rio Parana\u00edba, na divisa dos estados de Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e Goi\u00e1s. O blecaute foi originado pelo sobreaquecimento de transformadores da usina de Jaguara no rio Grande, em Minas, que acionou seus dispositivos de prote\u00e7\u00e3o, desligando-os automaticamente. Ocorreram ent\u00e3o oscila\u00e7\u00f5es de pot\u00eancia entre as usinas do rio Parana\u00edba e o restante do sistema interligado Sul-Sudeste, provocando os desligamentos em cascata.<\/p>\n<p>O hor\u00e1rio em que a perturba\u00e7\u00e3o ocorreu \u2013 pr\u00f3ximo \u00e0 ponta \u2013 o enorme montante de cargas desligadas e o elevado tempo de restabelecimento do sistema ocasionaram graves problemas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. No Rio de Janeiro, a situa\u00e7\u00e3o foi normalizada em cerca de uma hora. Em S\u00e3o Paulo, o apag\u00e3o foi mais prolongado, durando mais de tr\u00eas horas. Um relat\u00f3rio do GCOI destacou a insufici\u00eancia do sistema de transmiss\u00e3o para escoar em condi\u00e7\u00f5es segura a produ\u00e7\u00e3o das grandes hidrel\u00e9tricas do rio Parana\u00edba.<\/p>\n<p>Em 1985, ocorreram duas outras perturba\u00e7\u00f5es de grande porte quase que sucessivamente. A primeira, na noite de 18 de agosto, foi desencadeada pelo desligamento de dois circuitos de 500 kV da linha entre a usina de Marimbondo, no rio Grande, na divisa de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, e a subesta\u00e7\u00e3o de Araraquara (SP). O corte total de carga foi de cerca de 6.700 MW, com tempo m\u00e9dio de restabelecimento de trinta minutos. A segunda perturba\u00e7\u00e3o foi registrada na tarde de 17 de setembro. As causas foram as mesmas &#8211; as queimadas e o consequente desligamento do circuito Marimbondo-Araraquara. O corte total de carga foi de 1.550 MW, com tempo de restabelecimento de trinta minutos.<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o dos blecautes de 1985 e do atraso no cronograma de obras de transmiss\u00e3o, o GCOI implementou diversos esquemas de controle de emerg\u00eancia na malha de transmiss\u00e3o para contornar car\u00eancias nas instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas dos sistemas interligados. Em depoimento para a Mem\u00f3ria da Eletricidade, o engenheiro Hermes Chipp destacou o car\u00e1ter paliativo dos esquemas de controle de emerg\u00eancia: \u201cEsses esquemas foram concebidos no in\u00edcio em pequena escala e depois configurados equivocadamente como a salva\u00e7\u00e3o da falta de recursos\u201d.<\/p>\n<p><b>O blecaute de 1999<\/b><\/p>\n<p>O blecaute de 11 de mar\u00e7o de 1999 foi o mais severo da hist\u00f3ria do setor el\u00e9trico brasileiro. O corte de energia aconteceu numa quinta-feira \u00e0 noite, pouco depois das 22h, deixando completamente \u00e0s escuras os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Esp\u00edrito Santo e Mato Grosso do Sul. Tamb\u00e9m foram afetados, em menor escala, Minas Gerais, Mato Grosso e Goi\u00e1s e o Distrito Federal.<\/p>\n<p>O colapso do sistema teve origem numa descarga atmosf\u00e9rica que atingiu a subesta\u00e7\u00e3o Bauru, entroncamento de v\u00e1rias linhas de transmiss\u00e3o procedentes de usinas dos rios Paran\u00e1 e Paranapanema, que convergem para a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo. O defeito na subesta\u00e7\u00e3o Bauru, ent\u00e3o pertencente \u00e0 Companhia Energ\u00e9tica de S\u00e3o Paulo (Cesp), ocasionou uma sucess\u00e3o de desligamentos de linhas e usinas vitais para o funcionamento do sistema.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o Sul, a recomposi\u00e7\u00e3o do sistema foi iniciada logo ap\u00f3s o in\u00edcio da perturba\u00e7\u00e3o, sendo conclu\u00edda em 49 minutos. O restabelecimento das cargas interrompidas pela atua\u00e7\u00e3o do Esquema Regional de Al\u00edvio de Carga ( Erac ) da \u00e1rea Minas Gerais e da \u00e1rea Goi\u00e1s\/Distrito Federal\/Mato Grosso foi realizado em cerca de vinte minutos e trinta minutos, respectivamente. O processo de recomposi\u00e7\u00e3o do sistema nos demais estados foi mais demorado, sendo conclu\u00eddo por volta das 2h30 da madrugada de 12 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do blecaute e das a\u00e7\u00f5es desenvolvidas para a recomposi\u00e7\u00e3o do sistema ficou a cargo do ONS. Criado por lei em agosto de 1998, o ONS havia assumido a coordena\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o do Sistema Interligado Nacional apenas dez dias antes da ocorr\u00eancia. O relat\u00f3rio final do Operador confirmou a causa da perturba\u00e7\u00e3o como um curto-circuito na subesta\u00e7\u00e3o Bauru, ressaltando que falhas de equipamentos em diversas \u00e1reas, especialmente em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, impediram o religamento do sistema em menor tempo que o verificado.<\/p>\n<p><b>Outras ocorr\u00eancias<\/b><\/p>\n<p>O Brasil sofreu novos blecautes de grande porte, ocasionados por diversas raz\u00f5es, como a falta de investimentos em expans\u00e3o da rede de transmiss\u00e3o, falhas em equipamentos de controle e fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos.<\/p>\n<p>O blecaute de 21 de janeiro de 2002, que afetou dez estados das regi\u00f5es Sudeste, Centro-Oeste e Sul, foi provocado pelo rompimento de um cabo condutor da linha de transmiss\u00e3o de 440 kV entre a usina de Ilha Solteira e a subesta\u00e7\u00e3o Araraquara (SP). A perda da linha foi seguida pelo desligamento autom\u00e1tico de outros circuitos de 440 kV no estado de S\u00e3o Paulo, acarretando o desligamento em cascata das usinas e principais troncos de transmiss\u00e3o nas regi\u00f5es Sudeste e Centro-Oeste. O corte de fornecimento de energia aconteceu ainda na vig\u00eancia do programa de racionamento decretado em maio do ano anterior pelo governo federal.<\/p>\n<p>O apag\u00e3o de 10 de novembro de 2009 foi provocado por descargas atmosf\u00e9ricas que atingiram as tr\u00eas linhas de transmiss\u00e3o de 765 kV do tronco de transmiss\u00e3o de Itaipu. O fornecimento de energia el\u00e9trica foi interrompido em grandes \u00e1reas dos estados de Minas Gerais, Goi\u00e1s, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Mato Grosso, Esp\u00edrito Santo, Pernambuco, Paran\u00e1, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, al\u00e9m do Paraguai.<\/p>\n<p>O blecaute de 21 de mar\u00e7o de 2018, que atingiu com maior intensidade e dura\u00e7\u00e3o as regi\u00f5es Norte e Nordeste, decorreu da atua\u00e7\u00e3o indevida de disjuntor da subesta\u00e7\u00e3o Xingu, no Par\u00e1, que recebe energia da usina de Belo Monte. Por causa do efeito domin\u00f3, o dist\u00farbio desligou cerca de 25% da carga do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de an\u00e1lise preliminar do ONS sobre o apag\u00e3o de 15 de agosto passado informou que o ponto de partida do dist\u00farbio foi a LT 500 kV Quixad\u00e1-Fortaleza, no Cear\u00e1. A atua\u00e7\u00e3o incorreta no sistema de prote\u00e7\u00e3o da linha ocasionou seu desligamento. O pr\u00f3prio Operador ressaltou, no entanto, que esse evento de forma isolada n\u00e3o seria suficiente para provocar o apag\u00e3o generalizado.<\/p>\n<p>Independentemente do esclarecimento completo da ocorr\u00eancia, especialistas no planejamento e opera\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico vem chamando a aten\u00e7\u00e3o para os novos desafios do SIN em virtude do aumento da participa\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica e mini e microgera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda (MMGD) na matriz el\u00e9trica brasileira.<\/p>\n<p><b>Sobre a Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/b><\/p>\n<p>A Mem\u00f3ria da Eletricidade \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos dedicada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da hist\u00f3ria do setor el\u00e9trico brasileiro. Desde 1986, realiza projetos de pesquisa hist\u00f3rica, conserva\u00e7\u00e3o de acervos, produ\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es e coleta de relatos de hist\u00f3ria oral, promovendo o conhecimento sobre a trajet\u00f3ria e os desafios da energia no Brasil. Seu acervo re\u00fane milhares de documentos, fotografias, v\u00eddeos e registros sonoros que contam a evolu\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico e podem ser acessados gratuitamente pelo site<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.memoriadaeletricidade.com.br\" target=\"_blank\"><u>www.memoriadaeletricidade.com.br<\/u><\/a>.<\/p>\n<p>Acesse o livro <a href=\"https:\/\/memoriadaeletricidade.com.br\/acervo\/@id\/12309\" target=\"_blank\"><u>clicando aqui.<\/u><\/a><\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p>CENTRO DA MEM\u00d3RIA DA ELETRICIDADE NO BRASIL. Ciclo de palestras: a Eletrobras e a hist\u00f3ria do setor de energia el\u00e9trica no Brasil. Rio de Janeiro: 1995.<\/p>\n<p>_____. Hist\u00f3ria da opera\u00e7\u00e3o do Sistema Interligado Nacional. Rio de Janeiro, 2003<\/p>\n<p>_____. Panorama do setor de energia el\u00e9trica no Brasil. Panorama of electric power sector in Brazil. 2\u00aa. ed. Rio de Janeiro, 2006.<\/p>\n<p>COUTO, Fabio. ONS reduz envio de energia renov\u00e1vel do NE. Valor Econ\u00f4mico, 18 ago. 2023<\/p>\n<p>DOMINGUES, Paulo Cesar Magalh\u00e3es. As interliga\u00e7\u00f5es de sistemas el\u00e9tricos regionais: um enfoque mundial e as possibilidades no Brasil. In: SNPTEE &#8211; SEMIN\u00c1RIO NACIONAL DE PRODU\u00c7\u00c3O E TRANSMISS\u00c3O DE ENERGIA EL\u00c9TRICA, 18, Curitiba, 2005.<\/p>\n<p>GOMES, Paulo; LIMA, Jos\u00e9 Wanderley Marangon; SCHILLING, Marcus Theodor. Estrat\u00e9gias para aumento da seguran\u00e7a da malha el\u00e9trica nacional: li\u00e7\u00f5es extra\u00eddas dos grandes blecautes. In: SNPTEE &#8211; SEMIN\u00c1RIO NACIONAL DE PRODU\u00c7\u00c3O E TRANSMISS\u00c3O DE ENERGIA EL\u00c9TRICA, 16, Campinas, 2001.<\/p>\n<p>GOMES, Roberto (Org.). A gest\u00e3o do sistema de transmiss\u00e3o do Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2012.<\/p>\n<p>NEDER, Vinicius. Aumento da gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica e solar causa \u201ctrancos\u201d no fluxo de eletricidade, diz especialista. O Globo, 15 ago. 2023.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/noticia\/2023\/08\/15\/aumento-da-geracao-eolica-e-solar-causa-trancos-no-fluxo-de-eletricidade-diz-especialista.ghtml\" target=\"_blank\"><u>https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/noticia\/2023\/08\/15\/aumento-da-geracao-eolica-e-solar-causa-trancos-no-fluxo-de-eletricidade-diz-especialista.ghtml<\/u><\/a><\/p>\n<p>VIEIRA FILHO, Xisto et al. Blecaute de 11 de mar\u00e7o de 1999: medidas de Curto Prazo para Aumento da Seguran\u00e7a do Sistema El\u00e9trico e Principais Aspectos dos Relat\u00f3rios Elaborados por Especialistas Internacionais. In SEPOPE &#8211; SIMP\u00d3SIO DE ESPECIALISTAS EM PLANEJAMENTO DA OPERA\u00c7\u00c3O E EXPANS\u00c3O EL\u00c9TRICA, 7, Curitiba, 2000.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Mem\u00f3ria da Eletricidade<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pequena cronologia do hist\u00f3rico de blecautes no Brasil Imagem 1 Livro Hist\u00f3ria da Opera\u00e7\u00e3o Nacional do Sistema Interligado Nacional | Mem\u00f3ria da Eletricidade O Brasil conta com centenas de usinas","protected":false},"author":1,"featured_media":117469,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1680],"tags":[],"class_list":["post-117468","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agencia-memoria-da-eletricidade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=117468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117468\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/117469"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=117468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=117468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=117468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}