{"id":114271,"date":"2025-08-08T11:55:00","date_gmt":"2025-08-08T14:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-geral\/apesar-de-aprovado-tratamento-do-cancer-de-mama-metastatico-continua-inacessivel-no-sus\/"},"modified":"2025-08-08T11:55:00","modified_gmt":"2025-08-08T14:55:00","slug":"apesar-de-aprovado-tratamento-do-cancer-de-mama-metastatico-continua-inacessivel-no-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-geral\/apesar-de-aprovado-tratamento-do-cancer-de-mama-metastatico-continua-inacessivel-no-sus\/","title":{"rendered":"Apesar de aprovado, tratamento do c\u00e2ncer de mama metast\u00e1tico continua inacess\u00edvel no SUS"},"content":{"rendered":"<p>Novartis e Estad\u00e3o Blue Studio<\/p>\n<p>Mesmo incorporados ao protocolo oficial, medicamentos que aumentam a sobrevida de pacientes seguem inacess\u00edveis na rede p\u00fablica ap\u00f3s tr\u00eas anos de espera. <\/p>\n<p>Em 2025, o Brasil deve registrar 74 mil novos casos de c\u00e2ncer de mama, segundo estimativas do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca)\u00b9. Cerca de 30% dessas pacientes poder\u00e3o evoluir para a forma metast\u00e1tica da doen\u00e7a, quando o tumor se espalha para outros \u00f3rg\u00e3os\u00b2. Para elas, a chance de viver mais e com qualidade depende do acesso a terapias espec\u00edficas, j\u00e1 aprovadas no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), mas ainda indispon\u00edveis na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Apesar de oficialmente incorporados ao SUS em 2021, os inibidores de ciclinas &#8211; classe de medicamentos que aumentam a sobrevida e retardam a quimioterapia &#8211; continuam fora do alcance da maioria das mulheres que dependem do sistema p\u00fablico. O novo Protocolo Cl\u00ednico e Diretrizes Terap\u00eauticas (PCDT), que regulamenta o uso dessas terapias, s\u00f3 foi publicado em dezembro de 2024, com quase tr\u00eas anos de atraso. Mesmo assim, seis meses depois, a promessa segue sem sair do papel.<\/p>\n<p>&#8220;O benef\u00edcio \u00e9 inquestion\u00e1vel. Com os inibidores de ciclina, conseguimos postergar a quimioterapia e aumentar uma sobrevida de 4 anos para 5, 6 anos. Isso significa mais tempo de vida com qualidade, com menos efeitos colaterais e mais possibilidade de a mulher seguir em sua rotina com dignidade&#8221;, afirma o oncologista Ruffo de Freitas, professor e pesquisador da Universidade Federal de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>Impactos na ponta<\/p>\n<p>Estudos recentes mostram que 38% dos diagn\u00f3sticos no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) j\u00e1 ocorrem em est\u00e1gio avan\u00e7ado da doen\u00e7a\u00b3. A aus\u00eancia de terapias modernas, como os inibidores de ciclinas, compromete o progn\u00f3stico. &#8220;Hoje, uma em cada duas mulheres com c\u00e2ncer de mama metast\u00e1tico pode estar viva ap\u00f3s cinco anos. Sem acesso \u00e0 medica\u00e7\u00e3o, esse n\u00famero despenca&#8221;, alerta Freitas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, na rede privada, o tratamento com os inibidores j\u00e1 \u00e9 realidade. &#8220;Essa discrep\u00e2ncia gera uma desigualdade brutal. Estima-se que, desde a incorpora\u00e7\u00e3o, cerca de 50 mil mulheres do SUS deixaram de se beneficiar com a terapia&#8221;, diz Alexandre Ben, gerente executivo da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Institui\u00e7\u00f5es Filantr\u00f3picas de Apoio \u00e0 Sa\u00fade da Mama (Femama).<\/p>\n<p>Falta de or\u00e7amento<\/p>\n<p>Embora o novo PCDT esteja em vigor, para os especialistas, faltam defini\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e operacionaliza\u00e7\u00e3o. &#8220;O protocolo foi lan\u00e7ado em coletiva de imprensa do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mas o que ele prev\u00ea n\u00e3o chega \u00e0 paciente&#8221;, critica Ben. Segundo ele, h\u00e1 dois caminhos poss\u00edveis para a oferta no SUS: a compra centralizada pelo minist\u00e9rio ou a inclus\u00e3o da medica\u00e7\u00e3o na Autoriza\u00e7\u00e3o de Procedimento Ambulatorial de Alta Complexidade\/Custo (Apac). Nenhum foi implementado at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Para Freitas, a solu\u00e7\u00e3o exige sinergia entre governo, setor farmac\u00eautico e academia. &#8220;A incorpora\u00e7\u00e3o foi feita, o benef\u00edcio \u00e9 comprovado. Falta apenas organiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 um processo que precisa sair da in\u00e9rcia com urg\u00eancia. Estamos perdendo vidas por inefici\u00eancia administrativa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias silenciadas<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s dos dados, h\u00e1 mulheres que vivem &#8211; ou tentam viver &#8211; enquanto esperam. A Femama relata casos de desestrutura\u00e7\u00e3o familiar, perda de emprego, abandono afetivo. &#8220;O diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer metast\u00e1tico j\u00e1 \u00e9 devastador. Sem acesso ao melhor tratamento, a ang\u00fastia se agrava. Muitas pacientes recorrem \u00e0 Justi\u00e7a. Mas isso n\u00e3o deveria ser a regra&#8221;, diz Ben.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de atuar politicamente, a entidade tem promovido campanhas como o &#8220;PCDT Rosa&#8221;, para conscientizar pacientes sobre seus direitos. &#8220;Nosso papel \u00e9 tamb\u00e9m letrar as mulheres em sa\u00fade, para que saibam o que podem cobrar do sistema e n\u00e3o se sintam sozinhas&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Urg\u00eancia real<\/p>\n<p>Para os especialistas, embora o Brasil tenha avan\u00e7ado em pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico precoce do c\u00e2ncer de mama, o cuidado integral ainda ignora quem mais precisa: as pacientes em est\u00e1gio avan\u00e7ado, que seguem invisibilizadas pelo sistema. &#8220;O tratamento est\u00e1 aprovado, o benef\u00edcio \u00e9 comprovado, o protocolo est\u00e1 publicado. S\u00f3 falta fazer chegar \u00e0 paciente. E isso n\u00e3o pode mais esperar&#8221;, afirma Freitas. O gerente executivo da Femama refor\u00e7a: &#8220;N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel continuar incorporando tecnologias no papel e deixando milhares de pessoas \u00e0 margem do acesso. O que estamos cobrando n\u00e3o \u00e9 um favor &#8211; \u00e9 o m\u00ednimo. \u00c9 fazer o sistema funcionar como deveria&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Cerca de 50 mil mulheres do SUS deixaram de se beneficiar com a terapia&#8221;, diz Alexandre Ben, gerente executivo da Femama.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>1. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Estimativas 2023-2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/?p=7897<\/p>\n<p>2. Femama. &#8220;Brasileiros acreditam que met\u00e1stase \u00e9 rara em tumores de mama.&#8221; Dispon\u00edvel em: https:\/\/femama.org.br\/site\/noticias-recentes\/brasileiros-acreditam-que-metastase-e-rara-em-tumores-de-mama-indica-pesquisa-inedita\/<\/p>\n<p>3. Observat\u00f3rio de Oncologia. &#8220;Diagn\u00f3stico tardio do c\u00e2ncer no SUS.&#8221; Dispon\u00edvel em: https:\/\/observatoriodeoncologia.com.brM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Novartis e Estad\u00e3o Blue Studio\nMesmo incorporados ao protocolo oficial, medicamentos que aumentam a sobrevida de pacientes seguem inacess\u00edveis na rede p\u00fablica ap\u00f3s tr\u00eas anos de es","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-114271","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-releases-geral"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=114271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114271\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=114271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=114271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=114271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}