{"id":112974,"date":"2025-07-07T08:55:00","date_gmt":"2025-07-07T11:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/alexandre-victor-de-carvalho-propoe-absolvicao-no-caso-de-porte-ilegal-entenda-o-voto-vencido-que-desafia-a-lesividade-da-norma\/"},"modified":"2025-07-07T08:55:00","modified_gmt":"2025-07-07T11:55:00","slug":"alexandre-victor-de-carvalho-propoe-absolvicao-no-caso-de-porte-ilegal-entenda-o-voto-vencido-que-desafia-a-lesividade-da-norma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/saftec-digital\/alexandre-victor-de-carvalho-propoe-absolvicao-no-caso-de-porte-ilegal-entenda-o-voto-vencido-que-desafia-a-lesividade-da-norma\/","title":{"rendered":"Alexandre Victor de Carvalho prop\u00f5e absolvi\u00e7\u00e3o no caso de porte ilegal: entenda o voto vencido que desafia a lesividade da norma"},"content":{"rendered":"<p>\nConforme explica o desembargador Alexandre Victor de Carvalho, o porte ilegal de arma de fogo \u00e9 um dos crimes mais debatidos no \u00e2mbito penal brasileiro, especialmente quando o caso envolve armas desmuniciadas e aus\u00eancia de risco concreto \u00e0 coletividade. No processo de apela\u00e7\u00e3o criminal n\u00ba 1.0005.04.005596-3\/001, oriundo da Comarca de A\u00e7ucena (MG), o desembargador apresentou um voto t\u00e9cnico e garantista, defendendo a absolvi\u00e7\u00e3o dos r\u00e9us com base no princ\u00edpio da lesividade. <br \/>\nApesar de vencido, seu entendimento evidencia uma leitura constitucionalmente comprometida com os direitos fundamentais e os limites do poder punitivo estatal. Neste caso, os r\u00e9us foram condenados em primeira inst\u00e2ncia pela pr\u00e1tica dos crimes previstos no art. 14 da Lei n\u00ba 10.826\/03 (porte ilegal de arma de fogo) e no art. 19 da Lei de Contraven\u00e7\u00f5es Penais (porte de arma branca). Saiba mais sobre o caso abaixo:<\/p>\n<p><b>Porte ilegal de arma de fogo e o princ\u00edpio da lesividade no voto do desembargador<\/b><\/p>\n<p>O voto do desembargador centrou-se na aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da lesividade, que exige que a conduta penalmente relevante cause efetiva les\u00e3o ou, ao menos, represente um risco concreto ao bem jur\u00eddico protegido. Para ele, a aus\u00eancia de muni\u00e7\u00e3o e a impossibilidade de uso imediato das armas tornavam o fato at\u00edpico, ou seja, sem relev\u00e2ncia penal. O desembargador citou doutrina e jurisprud\u00eancia para sustentar que o Direito Penal deve se limitar a tutelar bens jur\u00eddicos relevantes.<br \/>\nEm seu voto, o desembargador destacou que o porte de armas desmuniciadas, sem possibilidade de pronto uso, n\u00e3o configura risco real \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica. Para Alexandre Victor de Carvalho, a incrimina\u00e7\u00e3o por mera presun\u00e7\u00e3o de perigo viola o princ\u00edpio da legalidade substancial, pois presume um dano inexistente. Ele argumentou que o Direito Penal moderno exige demonstra\u00e7\u00e3o de lesividade em cada caso concreto, afastando a ideia de incrimina\u00e7\u00e3o abstrata baseada unicamente na conduta formal do agente.<\/p>\n<p><b>Cr\u00edtica ao crime de perigo abstrato e ao uso excessivo do Direito Penal<\/b><\/p>\n<p>Outro ponto de destaque no voto do desembargador Alexandre Victor de Carvalho foi a cr\u00edtica \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de crimes de perigo abstrato, especialmente em um Estado Democr\u00e1tico de Direito. Segundo ele, considerar t\u00edpica qualquer conduta que formalmente se enquadre na descri\u00e7\u00e3o legal, sem verificar se h\u00e1 efetiva amea\u00e7a ao bem jur\u00eddico tutelado, \u00e9 permitir um uso desproporcional do poder punitivo. <br \/>\nNesse sentido, o desembargador observou que as armas estavam desmontadas, na carroceria do ve\u00edculo, e sem muni\u00e7\u00e3o acess\u00edvel, impossibilitando qualquer uso imediato que pudesse comprometer a seguran\u00e7a de terceiros. A aus\u00eancia de perigo concreto, para ele, era evidente. Assim, concluiu pela atipicidade da conduta dos r\u00e9us, por n\u00e3o haver lesividade ao bem jur\u00eddico da incolumidade p\u00fablica. Essa interpreta\u00e7\u00e3o, embora vencida, revela uma vis\u00e3o penal mais garantista e proporcional.<\/p>\n<p><b>Armas brancas e contraven\u00e7\u00e3o penal: distin\u00e7\u00e3o entre armas pr\u00f3prias e impr\u00f3prias<\/b><\/p>\n<p>Al\u00e9m da an\u00e1lise sobre o porte ilegal de arma de fogo, o voto do desembargador Alexandre Victor de Carvalho tamb\u00e9m se debru\u00e7ou sobre a imputa\u00e7\u00e3o relativa ao porte de arma branca, prevista no art. 19 da Lei de Contraven\u00e7\u00f5es Penais. Os r\u00e9us carregavam fac\u00f5es, usualmente utilizados para pesca. Para o magistrado, esses instrumentos s\u00e3o considerados armas impr\u00f3prias e, portanto, n\u00e3o se enquadram na contraven\u00e7\u00e3o penal, que exige o porte de arma pr\u00f3pria, destinada especificamente ao ataque ou \u00e0 defesa.<br \/>\nO desembargador reafirmou que o porte de instrumentos de uso comum, sem finalidade ofensiva comprovada, n\u00e3o pode ser criminalizado sob pena de violar o princ\u00edpio da legalidade. Segundo ele, admitir a puni\u00e7\u00e3o por portar facas de cozinha ou ferramentas seria penalizar pr\u00e1ticas cotidianas leg\u00edtimas, criando um risco de criminaliza\u00e7\u00e3o excessiva e seletiva. Com base nisso, tamb\u00e9m votou pela absolvi\u00e7\u00e3o dos r\u00e9us quanto \u00e0 contraven\u00e7\u00e3o, consolidando sua posi\u00e7\u00e3o pela inexist\u00eancia de crime em ambos os tipos imputados.<br \/>\nEm suma, a decis\u00e3o no processo n\u00ba 1.0005.04.005596-3\/001 ilustra bem os debates que envolvem o porte ilegal de arma de fogo, especialmente no que tange \u00e0 exig\u00eancia de perigo concreto e ao papel do princ\u00edpio da lesividade. Embora vencido, o voto do desembargador Alexandre Victor de Carvalho se destaca por seu embasamento te\u00f3rico e fidelidade aos preceitos constitucionais. Sua atua\u00e7\u00e3o nesse caso representa um exemplo de como a magistratura pode contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de uma justi\u00e7a penal mais equilibrada.<\/p>\n<p><b>Aviso Legal:<\/b><\/p>\n<p>\nTodos os textos, conte\u00fados e materiais criados pela Saftec Digital s\u00e3o protegidos por direitos autorais, conforme a Lei n\u00ba 9.610\/98, que regula os direitos autorais no Brasil. \u00c9 expressamente proibida a c\u00f3pia, reprodu\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o ou utiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada, total ou parcial, deste conte\u00fado, sob pena de responsabiliza\u00e7\u00e3o civil e criminal, incluindo a possibilidade de ajuizamento de a\u00e7\u00f5es judiciais para repara\u00e7\u00e3o de danos e aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es previstas em lei. Para solicita\u00e7\u00f5es de uso ou licenciamento, entre em contato diretamente com a Saftec Digital.<\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Ag\u00eancia Saftec<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Conforme explica o desembargador Alexandre Victor de Carvalho, o porte ilegal de arma de fogo \u00e9 um dos crimes mais debatidos no \u00e2mbito penal brasileiro, especialmente quando o caso envolve armas","protected":false},"author":1,"featured_media":112975,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[525],"tags":[],"class_list":["post-112974","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saftec-digital"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112974","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=112974"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112974\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/112975"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=112974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=112974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=112974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}