{"id":112923,"date":"2025-07-03T14:50:00","date_gmt":"2025-07-03T17:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/markable-comunicacao\/mais-juros-menos-credito-a-conta-vai-parar-no-prato-e-no-aluguel-do-brasileiro\/"},"modified":"2025-07-03T14:50:00","modified_gmt":"2025-07-03T17:50:00","slug":"mais-juros-menos-credito-a-conta-vai-parar-no-prato-e-no-aluguel-do-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/markable-comunicacao-homework\/mais-juros-menos-credito-a-conta-vai-parar-no-prato-e-no-aluguel-do-brasileiro\/","title":{"rendered":"Mais juros, menos cr\u00e9dito: a conta vai parar no prato e no aluguel do brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>*Por Henrique Galvani, CEO da Arara Seed<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 \u00e9 um dos pa\u00edses com maior taxa de juros reais do mundo, e isso por si s\u00f3 \u00e9 um dos maiores desincentivos ao empreendedorismo e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nacional. A Selic em patamares elevados encarece o cr\u00e9dito, inibe o investimento produtivo e gera um ambiente adverso para quem quer tirar projetos do papel.<\/p>\n<p>E agora, como se n\u00e3o bastasse, o governo cogita tributar os rendimentos de instrumentos essenciais para o financiamento do agro e do mercado imobili\u00e1rio, como LCIs, LCAs, CRIs e CRAs, at\u00e9 ent\u00e3o isentos. Uma medida que pode parecer t\u00e9cnica, mas que, na pr\u00e1tica, pune quem produz comida, gera moradia e movimenta a economia real.<\/p>\n<p>Esses t\u00edtulos, isentos h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, foram criados justamente para viabilizar o cr\u00e9dito privado em setores estrat\u00e9gicos. Retirar essa isen\u00e7\u00e3o pode comprometer a oferta de capital, aumentar o custo de produ\u00e7\u00e3o e impactar diretamente o bolso do consumidor com a alta dos pre\u00e7os dos alimentos e im\u00f3veis.<\/p>\n<p><b>Um risco real de freio no desenvolvimento<\/b><\/p>\n<p>A proposta de taxa\u00e7\u00e3o, atualmente em debate no governo federal, pode desorganizar o sistema de financiamento privado do pa\u00eds. Hoje, as LCAs e LCIs respondem por boa parte da aloca\u00e7\u00e3o de recursos para o cr\u00e9dito rural e imobili\u00e1rio, enquanto CRIs e CRAs estruturam opera\u00e7\u00f5es robustas com prazos longos e impacto direto na economia real.<\/p>\n<p>Os economistas alertam para o risco de fuga de investidores e encarecimento do cr\u00e9dito. O resultado? Menor oferta de recursos para quem mais precisa, e pre\u00e7os mais altos para quem consome.<\/p>\n<p><b>Plano Safra ainda \u00e9 insuficiente<\/b><\/p>\n<p>Mesmo com o an\u00fancio de R$ 400 bilh\u00f5es no Plano Safra 2024\/25, a demanda por cr\u00e9dito do agro j\u00e1 ultrapassa R$1 trilh\u00e3o, segundo o Boletim de Finan\u00e7as Privadas do Agro (MAPA). Isso escancara o \u00f3bvio, o cr\u00e9dito p\u00fablico \u00e9 insuficiente para dar conta das necessidades do setor.<\/p>\n<p>O agro brasileiro, respons\u00e1vel por cerca de 25% do PIB, precisa de m\u00faltiplas fontes de financiamento, e os instrumentos privados t\u00eam papel complementar e decisivo nessa engrenagem.<\/p>\n<p><b>O mercado de capitais como alavanca para o agro e o imobili\u00e1rio<\/b><\/p>\n<p>Em 2024, o mercado de capitais brasileiro consolidou seu papel como um dos principais canais de financiamento para os setores agr\u00edcola e imobili\u00e1rio. Segundo dados da ANBIMA, o volume total emitido pelo mercado ultrapassou R$ 783 bilh\u00f5es, com destaque para os instrumentos de securitiza\u00e7\u00e3o como CRIs, CRAs e FIDCs, que viabilizam a aloca\u00e7\u00e3o de recursos privados em ativos reais da economia.<\/p>\n<p>O estoque de CRAs (Certificados de Receb\u00edveis do Agroneg\u00f3cio) segue em torno de R$110 bilh\u00f5es, enquanto os CRIs (Certificados de Receb\u00edveis Imobili\u00e1rios) somam mais de R$ 225 bilh\u00f5es. J\u00e1 os  FIIs (Fundos Imobili\u00e1rios) continuam sendo uma das portas de entrada mais populares para o investidor pessoa f\u00edsica, com mais de 2 milh\u00f5es de cotistas e R$ 200 bilh\u00f5es em patrim\u00f4nio l\u00edquido.<\/p>\n<p>Outro destaque \u00e9 o avan\u00e7o do Fiagro  &#8211;  Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agroneg\u00f3cio, criado em 2021. Em 2024, o setor registrou crescimento de 19,6% no patrim\u00f4nio l\u00edquido, que atingiu R$ 41,5 bilh\u00f5es, consolidando o Fiagro como ponte estrat\u00e9gica entre o investidor de varejo e o agroneg\u00f3cio. As ofertas mensais de novas cotas chegaram a R$ 1,3 bilh\u00e3o em dezembro de 2024, o maior valor desde o in\u00edcio de 2023, mesmo com uma capta\u00e7\u00e3o l\u00edquida mais moderada ao longo do ano.<\/p>\n<p>Esses dados demonstram que o mercado de capitais tem sido uma alavanca fundamental para financiar o desenvolvimento sustent\u00e1vel e descentralizado do agro e da habita\u00e7\u00e3o. S\u00e3o instrumentos que, al\u00e9m de ampliar o acesso ao cr\u00e9dito, reduzem a depend\u00eancia do Estado e criam alternativas mais eficientes, transparentes e seguras para quem deseja investir com impacto real na economia.<\/p>\n<p><b>Rea\u00e7\u00e3o pol\u00edtica refor\u00e7a a import\u00e2ncia do cr\u00e9dito privado<\/b><\/p>\n<p>A recente decis\u00e3o do Congresso Nacional de derrubar o veto presidencial e afastar a cobran\u00e7a de IVA sobre fundos de investimento mostra que h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima com os impactos que medidas fiscais podem ter sobre o cr\u00e9dito produtivo. A rea\u00e7\u00e3o pol\u00edtica reflete a press\u00e3o de setores estrat\u00e9gicos, como o agroneg\u00f3cio, que enxergam nas propostas de tributa\u00e7\u00e3o um risco real \u00e0 competitividade e \u00e0 sustentabilidade financeira do pa\u00eds. O recado \u00e9 claro, o Brasil n\u00e3o pode inviabilizar seus pr\u00f3prios motores de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Por isso, medidas que retiram os incentivos fiscais desses instrumentos  &#8212;  como a proposta de tributa\u00e7\u00e3o de LCIs, LCAs, CRIs e CRAs  &#8212;  n\u00e3o atacam privil\u00e9gios, mas sim fragilizam mecanismos j\u00e1 estabelecidos de financiamento da produ\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><b>Isen\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio  &#8212;  \u00e9 estrat\u00e9gia<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o faz sentido penalizar os setores que constroem e alimentam o pa\u00eds. A isen\u00e7\u00e3o desses t\u00edtulos nunca foi um &#8220;benef\u00edcio exclusivo&#8221;, mas uma pol\u00edtica p\u00fablica inteligente para reduzir o custo de capital em \u00e1reas onde o Brasil \u00e9 protagonista global. <\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o do Congresso mostra que parte da classe pol\u00edtica reconhece a import\u00e2ncia de proteger instrumentos que viabilizam o cr\u00e9dito em setores que respondem por uma fatia expressiva do PIB nacional. A tentativa de tributar essas aplica\u00e7\u00f5es ignora que os recursos captados por meio de LCI, LCA, CRI e CRA financiam diretamente quem est\u00e1 no campo e nas obras, produzindo com impacto social, econ\u00f4mico e ambiental.<\/p>\n<p>Tributar indiscriminadamente esses instrumentos seria um tiro no p\u00e9: aumentaria o custo de produ\u00e7\u00e3o, desestimularia o investimento privado e pressionaria ainda mais a infla\u00e7\u00e3o nos alimentos e na habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como especialistas em investimentos nas startups do agroneg\u00f3cio, compreendemos que o caminho para o fortalecimento do Brasil passa pela valoriza\u00e7\u00e3o de quem constr\u00f3i e alimenta o pa\u00eds. Tributar os instrumentos que viabilizam o cr\u00e9dito produtivo significa encarecer a produ\u00e7\u00e3o, penalizar o consumidor e desincentivar a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Caminho \u00e9 estimular, n\u00e3o desestimular<\/b><\/p>\n<p>Como especialistas em investimentos nas startups do agroneg\u00f3cio, compreendemos que o caminho para o fortalecimento do Brasil passa pela valoriza\u00e7\u00e3o de quem constr\u00f3i e alimenta o pa\u00eds. Tributar os instrumentos que viabilizam o cr\u00e9dito produtivo significa encarecer a produ\u00e7\u00e3o, penalizar o consumidor e desincentivar a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Defendemos a amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao mercado de capitais, a valoriza\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es financeiras descentralizadas e a manuten\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que estimulem, e n\u00e3o desincentivem,  o investimento em setores produtivos e sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p><b>Henrique Galvani \u00e9 s\u00f3cio-fundador e CEO da Arara Seed, primeira plataforma de equity crowdfunding voltada exclusivamente para startups do agroneg\u00f3cio. Formado em Ci\u00eancias Cont\u00e1beis pela Universidade Paulista, Galvani atua h\u00e1 10 anos no setor, com passagens pelo Grupo BLB e pela BLB Ventures. Em 2024, foi reconhecido pela Forbes como um dos talentos do agro na lista Under 30.<\/b><\/p>\n<p>A <b>OESP<\/b> n\u00e3o \u00e9(s\u00e3o) respons\u00e1vel(is) por erros, incorre\u00e7\u00f5es, atrasos ou quaisquer decis\u00f5es tomadas por seus clientes com base nos Conte\u00fados ora disponibilizados, bem como tais Conte\u00fados n\u00e3o representam a opini\u00e3o da <b>OESP<\/b> e s\u00e3o de inteira responsabilidade da <b>Markable Comunica\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"*Por Henrique Galvani, CEO da Arara Seed O Brasil j\u00e1 \u00e9 um dos pa\u00edses com maior taxa de juros reais do mundo, e isso por si s\u00f3 \u00e9 um dos maiores desincentivos ao empreendedorismo e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o","protected":false},"author":1,"featured_media":112924,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[552],"tags":[],"class_list":["post-112923","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-markable-comunicacao-homework"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=112923"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112923\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/112924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=112923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=112923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=112923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}