{"id":111784,"date":"2025-05-29T12:15:00","date_gmt":"2025-05-29T15:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-economia\/valorizacao-da-engenharia-e-essencial-para-o-desenvolvimento-do-pais\/"},"modified":"2025-05-29T12:15:00","modified_gmt":"2025-05-29T15:15:00","slug":"valorizacao-da-engenharia-e-essencial-para-o-desenvolvimento-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-economia\/valorizacao-da-engenharia-e-essencial-para-o-desenvolvimento-do-pais\/","title":{"rendered":"Valoriza\u00e7\u00e3o da Engenharia \u00e9 essencial para o desenvolvimento do Pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisa com profissionais das \u00e1reas de Engenharia, Agronomia e Geoci\u00eancias aponta perspectivas promissoras e alto \u00edndice de satisfa\u00e7\u00e3o, mas ainda assim o volume de novos formados vem caindo no Brasil.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre a disponibilidade de profissionais de Engenharia e o n\u00edvel de desenvolvimento e crescimento econ\u00f4mico de um pa\u00eds. &#8220;Todos os casos de quem conseguiu sustentar a economia forte ou passou por uma transforma\u00e7\u00e3o positiva nas \u00faltimas d\u00e9cadas envolvem a amplia\u00e7\u00e3o do \u00edndice de profissionais de Engenharia&#8221;, diz Vinicius Marchese Marinelli, presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).<\/p>\n<p>A m\u00e9dia atual brasileira \u00e9 de 5,5 engenheiros para cada mil habitantes. Proje\u00e7\u00e3o da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) indica que o ideal seria ter pelo menos tr\u00eas vezes mais. Em pa\u00edses como Alemanha, Jap\u00e3o e Estados Unidos, a propor\u00e7\u00e3o chega a 25 profissionais por mil habitantes. Marchese cita Portugal e Peru como exemplos de pa\u00edses que associaram recentemente a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de engenheiros ao desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Na China, que ele acaba de visitar, o \u00edndice vem subindo e j\u00e1 chega a 13 profissionais para cada mil habitantes, mesmo com a popula\u00e7\u00e3o de 1,4 bilh\u00e3o de pessoas. &#8220;H\u00e1 metas regionais para a forma\u00e7\u00e3o de engenheiros e uma forte cobran\u00e7a do governo central para que as metas sejam alcan\u00e7adas&#8221;, descreve o presidente do Confea. &#8220;Trata-se de um projeto de pol\u00edtica p\u00fablica, de pensamento de longo prazo, algo que est\u00e1 faltando no Brasil.&#8221;<\/p>\n<p><b>Gargalo estrutural<\/b><\/p>\n<p>Apesar do entendimento claro sobre a import\u00e2ncia de formar engenheiros, o Brasil enfrenta s\u00e9rias dificuldades nesse sentido. A queda m\u00e9dia no ingresso em cursos universit\u00e1rios das Engenharias no Pa\u00eds \u00e9 de 23% nos \u00faltimos oito anos, chegando a 52% quando se trata da Engenharia Civil, a especialidade mais procurada &#8211; trata-se da \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o de 44% dos profissionais registrados no Confea.<\/p>\n<p>Os fatores que levaram a esse cen\u00e1rio s\u00e3o m\u00faltiplos, a come\u00e7ar pela dificuldade estrutural do Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Ci\u00eancias Exatas. Disciplinas como Matem\u00e1tica e F\u00edsica s\u00e3o geralmente classificadas como &#8220;muito dif\u00edceis&#8221; desde os primeiros anos do ensino fundamental, o que contribui para que grande parte dos estudantes nem cogite as Engenharias e outros tantos desistam dos cursos depois do ingresso, por consider\u00e1-los dif\u00edceis de acompanhar.<\/p>\n<p>Outro ponto, na vis\u00e3o do presidente do Confea, \u00e9 que as diretrizes curriculares dos cursos de Engenharia n\u00e3o v\u00eam sendo atualizadas na velocidade exigida pelas transforma\u00e7\u00f5es do mercado. &#8220;\u00c9 preciso que haja aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas desde o in\u00edcio do curso, para que os estudantes se sintam realmente envolvidos com o aprendizado&#8221;, ele diz. Al\u00e9m das dificuldades espec\u00edficas dos cursos de Engenharia, \u00e9 justo ressaltar que h\u00e1 uma queda geral do interesse por cursos universit\u00e1rios no Brasil.<\/p>\n<p><b>Carreira bonita<\/b><\/p>\n<p>Para Marchese, o caminho \u00e9 fomentar desde cedo, e de forma l\u00fadica, o interesse das crian\u00e7as pelas Engenharias. &#8220;Mostrar que \u00e9 uma carreira bonita, que pode levar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios, foguetes, estradas.&#8221; Outro desafio \u00e9 atrair mais meninas, contrariando a vis\u00e3o arraigada na sociedade de que \u0093Engenharia \u00e9 profiss\u00e3o de homem\u0094.<\/p>\n<p>Hoje, 80% dos profissionais registrados no Confea s\u00e3o homens, mas a participa\u00e7\u00e3o feminina vem aumentando. Enquanto 36% das mulheres foram registradas nos \u00faltimos cinco anos, esse \u00edndice \u00e9 de 24% entre os homens. Outra evid\u00eancia da crescente participa\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 a m\u00e9dia de idade &#8211; 38 anos entre as mulheres, ante 43 anos entre os homens.<\/p>\n<p>Outro poss\u00edvel avan\u00e7o destacado pelo presidente do Confea \u00e9 criar melhores condi\u00e7\u00f5es de atratividade para o servi\u00e7o p\u00fablico, respons\u00e1vel por empregar 11% dos profissionais atualmente registrados no Conselho. Entre os demais, 40% trabalham em empresas privadas com carteira assinada, 20% s\u00e3o empres\u00e1rios\/empregadores, 16% trabalham para empresas privadas como pessoas jur\u00eddicas e 13% atuam como profissionais liberais.<\/p>\n<p><b>Distribui\u00e7\u00e3o de renda<\/b><\/p>\n<p>Em contrapartida \u00e0s dificuldades para formar engenheiros, a demanda \u00e9 crescente. Todos os setores vistos como promissores na economia brasileira oferecem espa\u00e7o para profissionais com essa forma\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso de constru\u00e7\u00e3o civil, tecnologia, energia, sustentabilidade, infraestrutura e agroneg\u00f3cio. Al\u00e9m do mercado financeiro, cada vez mais interessado em contar com profissionais habilitados em racioc\u00ednio l\u00f3gico.<\/p>\n<p>O Censo Confea 2024, pesquisa recente realizada pelo Sistema Confea\/Crea e M\u00fatua, em parceria com o Instituto Quaest, deixou claro que o problema certamente n\u00e3o est\u00e1 na falta de atrativos da carreira. Foram ouvidos 48 mil profissionais das \u00e1reas de Engenharia, Agronomia e Geoci\u00eancias, registrados no Conselho Federal, e as conclus\u00f5es gerais apontam para uma s\u00e9rie de atributos positivos: renda acima da m\u00e9dia, ascens\u00e3o r\u00e1pida, empregabilidade, alto n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o e sensa\u00e7\u00e3o de que a atividade contribui para melhorar a sociedade (confira mais detalhes no infogr\u00e1fico acima).<\/p>\n<p>A pesquisa revelou que as Engenharias oferecem melhores condi\u00e7\u00f5es de remunera\u00e7\u00e3o do que outra carreira cl\u00e1ssica, o Direito. Enquanto 68% dos profissionais registrados no Confea possuem renda mensal familiar superior a cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos, esse \u00edndice \u00e9 de 48% entre os advogados, de acordo com levantamento semelhante realizado recentemente pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). &#8220;Acredito que um dos motivos \u00e9 que nas empresas de Engenharia h\u00e1 uma melhor distribui\u00e7\u00e3o de renda do que nos escrit\u00f3rios de advocacia&#8221;, compara o presidente do Confea. Outro ponto destacado por Marchese \u00e9 que os engenheiros muitas vezes caminham naturalmente para cargos de gest\u00e3o &#8211; o que, em geral, envolve aumento da renda.<\/p>\n<p>Outra constata\u00e7\u00e3o da pesquisa \u00e9 que grande parte dos profissionais registrados no Confea &#8211; 78% &#8211; tem feito todos os movimentos de carreira sem abandonar a \u00e1rea original de forma\u00e7\u00e3o. Destacam-se nesse ponto as \u00e1reas de Geologia (85%), Engenharia Civil (83%) e Seguran\u00e7a no Trabalho (83%).<\/p>\n<p><b>Informar e inspirar<\/b><\/p>\n<p>Maior pesquisa quantitativa realizada na hist\u00f3ria do Sistema, o Censo ouviu 44 mil registrados no Confea, o que corresponde a 3,5% do quadro atual do Conselho, composto por 1,25 milh\u00e3o de profissionais. A coleta dos dados foi realizada em todos os Estados brasileiros entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025.<\/p>\n<p>Para Felipe Nunes, CEO da Quaest, a pesquisa demonstra a for\u00e7a do mercado de Engenharia no Brasil. &#8220;Al\u00e9m de satisfeitos, os engenheiros t\u00eam renda muito acima da m\u00e9dia nacional, e se sentem vocacionados a contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de projetos de impacto para o Pa\u00eds.&#8221; Nunes observa que o estudo vai ajudar jovens de todas as partes do Pa\u00eds a compreender melhor o futuro que espera por eles nas Engenharias. &#8220;Os resultados s\u00e3o inspira\u00e7\u00e3o para quem sonha em seguir a carreira.&#8221;<\/p>\n<p>O Confea pretende aprofundar ainda mais o conhecimento da categoria. &#8220;Essa pesquisa \u00e9 o in\u00edcio de um mapeamento que ajudar\u00e1 a reverter um quadro muito desfavor\u00e1vel ao Brasil&#8221;, diz Marchese. &#8220;Somos um pa\u00eds que est\u00e1 se adaptando \u00e0 falta de profissionais especializados, mas n\u00e3o podemos simplesmente aceitar isso.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisa com profissionais das \u00e1reas de Engenharia, Agronomia e Geoci\u00eancias aponta perspectivas promissoras e alto \u00edndice de satisfa\u00e7\u00e3o, mas ainda assim o volume de novos formados","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[130],"tags":[],"class_list":["post-111784","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-releases-economia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=111784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111784\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=111784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=111784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=111784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}