{"id":103047,"date":"2024-11-12T12:37:00","date_gmt":"2024-11-12T15:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-geral\/politica-nacional-do-cancer-aprovada-demanda-regulamentacao-e-dialogo\/"},"modified":"2024-11-12T12:37:00","modified_gmt":"2024-11-12T15:37:00","slug":"politica-nacional-do-cancer-aprovada-demanda-regulamentacao-e-dialogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/releases\/releases-geral\/politica-nacional-do-cancer-aprovada-demanda-regulamentacao-e-dialogo\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica Nacional do C\u00e2ncer aprovada demanda regulamenta\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo"},"content":{"rendered":"<p><b>Johnson &amp; Johnson e Estad\u00e3o Blue Studio<\/b><\/p>\n<p><i>Para que ela saia do papel e aconte\u00e7a na pr\u00e1tica, \u00e9 fundamental entender &#8211; e discutir &#8211; os desafios da sua implementa\u00e7\u00e3o<\/i><\/p>\n<p>Dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) apontam que a popula\u00e7\u00e3o mundial continuar\u00e1 aumentando, assim como o envelhecimento. Hoje somos 8 bilh\u00f5es de pessoas; em 2050, seremos 9,7 bilh\u00f5es. Ainda de acordo com a ONU, em 2050, o n\u00famero de idosos com mais de 65 anos ser\u00e1 igual ao de crian\u00e7as at\u00e9 12. O crescimento populacional e o envelhecimento podem refletir em um aumento acelerado da incid\u00eancia de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) prev\u00ea mais de 35 milh\u00f5es de novos casos em 2050, 77% a mais do que os 20 milh\u00f5es estimados em 2022. Os fatores de risco, como tabaco, \u00e1lcool e obesidade, al\u00e9m da polui\u00e7\u00e3o do ar, seguir\u00e3o influenciando os casos. De acordo com o mesmo estudo, a estimativa \u00e9 de que, no Brasil, eles subam 54%, comparando 2022 e 2050.<\/p>\n<p>Apesar desses n\u00fameros, a oncologia est\u00e1 em plena evolu\u00e7\u00e3o, e novos tratamentos j\u00e1 d\u00e3o outro rumo \u00e0 jornada dos pacientes.<\/p>\n<p>&#8220;Cada tipo de c\u00e2ncer \u00e9 diferente, assim como os desafios enfrentados pelos pacientes. Nossos esfor\u00e7os de pesquisa, desenvolvimento e colabora\u00e7\u00e3o est\u00e3o focados em \u00e1reas nas quais nossa profunda experi\u00eancia e compreens\u00e3o da doen\u00e7a e da ci\u00eancia nos permitem criar inova\u00e7\u00f5es que fazem diferen\u00e7a e d\u00e3o oportunidade de uma vida melhor, independente do est\u00e1gio da doen\u00e7a&#8221;, explica Christel Arce, diretora de Acesso ao Mercado e Assuntos Regulat\u00f3rios da Johnson &amp; Johnson.<\/p>\n<p>&#8220;Temos orgulho de realizar avan\u00e7os disruptivos no tratamento de doen\u00e7as como mieloma m\u00faltiplo, linfomas, leucemias, c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, de pulm\u00e3o e outras, resultado do investimento global de US$ 11,9 bilh\u00f5es em pesquisa e desenvolvimento, s\u00f3 em 2023&#8221;, completa ela.<\/p>\n<p>Diante das proje\u00e7\u00f5es sobre o c\u00e2ncer, fica claro que \u00e9 preciso pens\u00e1-lo como um problema de sa\u00fade p\u00fablica em agravamento, para o qual a abordagem deve ser ampla e coletiva, envolvendo governo, sociedade civil, entidades m\u00e9dicas e cient\u00edficas e companhias que desenvolvem tecnologias para tratamento e cura.<\/p>\n<p>&#8220;Como parte do setor de sa\u00fade, nosso papel \u00e9 apoiar iniciativas com o potencial de fortalecer e aprimorar um sistema de sa\u00fade cada vez mais complexo. Por isso, valorizamos o di\u00e1logo com gestores e formadores de pol\u00edticas p\u00fablicas&#8221;, ressalta Arce.<\/p>\n<p>No Brasil, um importante passo j\u00e1 foi dado com a Pol\u00edtica Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Controle do C\u00e2ncer (PNPCC) e o Programa Nacional de Navega\u00e7\u00e3o da Pessoa com Diagn\u00f3stico de C\u00e2ncer, instrumentos criados com a ajuda de v\u00e1rios setores e sancionados pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, em 2023.<\/p>\n<p>Em 18 de junho, completaram-se os 180 dias da san\u00e7\u00e3o sem que a PNPCC tenha sido regulamentada, como prev\u00ea a legisla\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ainda muito a ser definido para que a lei entre em vigor.<\/p>\n<p><b>O que \u00e9 a Pol\u00edtica Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Controle do C\u00e2ncer<\/b><\/p>\n<p><i>Elabora\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o levou dois anos e teve contribui\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es de pacientes, oncologistas, sociedades m\u00e9dicas, ind\u00fastria e entidades de assist\u00eancia filantr\u00f3pica<\/i><\/p>\n<p>A Pol\u00edtica Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Controle do C\u00e2ncer (PNPCC) tem como objetivos garantir o acesso adequado ao cuidado integral, contribuir para a melhoria da qualidade de vida do paciente e reduzir a mortalidade e a incapacidade causadas pela doen\u00e7a, al\u00e9m de buscar a diminui\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A PNPCC estabelece uma abordagem nacional para a doen\u00e7a, que n\u00e3o existe hoje e resulta em desigualdades no SUS. Entre as novas determina\u00e7\u00f5es h\u00e1 ainda prioridade na an\u00e1lise de tecnologia ou procedimento relacionado \u00e0 assist\u00eancia da pessoa com c\u00e2ncer pela Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (Conitec), que decide o que ser\u00e1 oferecido pelo SUS, al\u00e9m do prazo de seis meses, depois da aprova\u00e7\u00e3o, para que ela esteja dispon\u00edvel para os pacientes.<\/p>\n<p>A PNPCC foi resultado de v\u00e1rios debates e da movimenta\u00e7\u00e3o da sociedade para o aperfei\u00e7oamento do modelo de cuidado oncol\u00f3gico. Constru\u00edda ao longo de dois anos, ela contou com a participa\u00e7\u00e3o de todas as partes implicadas. O primeiro passo foi a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados, presidida pelo deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG).<\/p>\n<p>&#8220;O c\u00e2ncer tem aumentado de forma significativa, sendo a segunda doen\u00e7a que mais mata no nosso pa\u00eds &#8211; e em muitos munic\u00edpios j\u00e1 \u00e9 a primeira. Essa legisla\u00e7\u00e3o vem ao encontro da necessidade de dar uma resposta r\u00e1pida para essas pessoas&#8221;, afirma Weliton Prado, que destaca as estimativas de 704 mil novos casos de c\u00e2ncer at\u00e9 2025, feitas pelo Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca).<\/p>\n<p>Os parlamentares puderam conhecer um amplo panorama sobre a doen\u00e7a no Pa\u00eds, n\u00famero de novos casos, dificuldade de acesso a tratamentos, financiamento, etc., a partir de conversas com associa\u00e7\u00e3o de pacientes, Inca, oncologistas, sociedades m\u00e9dicas, entidades de assist\u00eancia filantr\u00f3pica, representantes da ind\u00fastria farmac\u00eautica e diagn\u00f3stica. Todos puderam apresentar seus pontos sobre a abordagem \u00e0 doen\u00e7a no SUS e como melhor\u00e1-la.<\/p>\n<p>A partir desse aprendizado coletivo, foram desenhadas as propostas para o texto final.<\/p>\n<p>Agora, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade trabalha para regulamentar a Lei e, para isso, os principais eixos dela s\u00e3o debatidos dentro do Consinca, o Conselho Consultivo do Instituto Nacional do C\u00e2ncer, que conta com a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa luta agora \u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o. Essa pol\u00edtica tem que sair do papel e fazer diferen\u00e7a, de fato, na vida das pessoas. Lutamos para que ela seja realidade&#8221;, afirma o deputado Weliton Prado.<\/p>\n<p><b>Navega\u00e7\u00e3o do paciente<\/b><\/p>\n<p>A reboque da PNPCC, foi institu\u00eddo tamb\u00e9m o Programa Nacional de Navega\u00e7\u00e3o da Pessoa com Diagn\u00f3stico de C\u00e2ncer, estrat\u00e9gia que combina a busca ativa (ir ao encontro do paciente) e o acompanhamento individualizado. Na pr\u00e1tica, o paciente atravessa a sua jornada com ajuda de profissionais para agendar consultas, explicar procedimentos e at\u00e9 dar apoio emocional.<\/p>\n<p>&#8220;A navega\u00e7\u00e3o \u00e9 o fio condutor que mant\u00e9m a integridade e a continuidade do tratamento, proporcionando um suporte que vai al\u00e9m da medicina convencional&#8221;, diz Karla Mesquita, farmac\u00eautica que atua na Secretaria de Sa\u00fade do Estado de SP.<\/p>\n<p>Oncologista e diretor-geral do Inca, Roberto de Almeida Gil considera que a melhor estrat\u00e9gia \u00e9 integrar a navega\u00e7\u00e3o \u00e0 aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, onde acontecem as consultas de rotina. &#8220;Temos que aumentar essa correspond\u00eancia; se o m\u00e9dico da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica n\u00e3o tem conhecimento da doen\u00e7a, ele n\u00e3o sabe o que fazer nem como orientar o paciente&#8221;, explica.<\/p>\n<p><b>Pa\u00eds destina s\u00f3 1,08% de recursos da sa\u00fade para combate ao c\u00e2ncer<\/b><\/p>\n<p><i>Financiamento e estrutura\u00e7\u00e3o de rede de dados s\u00e3o fundamentais para enfrentar segunda doen\u00e7a que mais mata no Brasil<\/i><\/p>\n<p>Embora o c\u00e2ncer seja a segunda causa de morte no Pa\u00eds j\u00e1 h\u00e1 duas d\u00e9cadas e 704 mil casos novos sejam esperados, por ano, no tri\u00eanio 2023-2025, segundo o Inca, s\u00f3 1,08% dos gastos p\u00fablicos em sa\u00fade foram destinados \u00e0 oncologia. Ou seja, em 2023, o combate ao c\u00e2ncer recebeu R$ 4,3 bilh\u00f5es em verbas, de um total de R$ 403,8 bilh\u00f5es. \u00c9 o que mostra um estudo do Instituto Lado a Lado pela Vida, apresentado no semin\u00e1rio Global Forum 2024.<\/p>\n<p>Oncologista, gestor hospitalar e ex-coordenador da Secretaria de Aten\u00e7\u00e3o Especializada \u00e0 Sa\u00fade (Saes) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Sandro Martins lembra que o d\u00e9ficit entre casos e a oferta de tratamento se amplia. &#8220;Tratar o c\u00e2ncer engloba muitas etapas, os pacientes precisam de cirurgias, radioterapia, quimioterapia, novos medicamentos e tecnologias. Os casos aumentam, e nosso sistema de sa\u00fade n\u00e3o acompanha esse crescimento&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>O ex-ministro da Sa\u00fade e oncologista Nelson Teich concorda que o Brasil enfrenta desafios. &#8220;O Pa\u00eds \u00e9 muito heterog\u00eaneo, temos problemas diferentes em v\u00e1rios lugares, mas na oncologia hoje h\u00e1 dificuldade em diagn\u00f3stico, tratamento, cuidado paliativo e navega\u00e7\u00e3o do paciente. \u00c9 uma doen\u00e7a muito complexa, e n\u00e3o temos uma estrutura de sa\u00fade, trabalhada nacionalmente, na qual se consiga atender como \u00e9 necess\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<p>O financiamento do SUS \u00e9 feito principalmente pelas esferas federal, estadual e municipal. &#8220;Cada uma contribui de maneira significativa, e esse financiamento \u00e9 crucial para garantir que os recursos cheguem ao ponto final e beneficiem quem precisa&#8221;, diz Igor Morbeck, l\u00edder m\u00e9dico regional do Grupo Oncocl\u00ednicas e membro do conselho cient\u00edfico do Instituto Lado a Lado pela Vida.<\/p>\n<p>Para ampliar os recursos, um projeto de lei de autoria do deputado federal Weliton Prado (Solidariedade-MG) estabelece um m\u00ednimo para cada ente investir em oncologia. A Uni\u00e3o teria que destinar ao menos 4% do or\u00e7amento da sa\u00fade para o c\u00e2ncer; estados, 3%; e capitais e munic\u00edpios com mais de 200 mil habitantes, 2%. Isso elevaria os recursos para R$ 13 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>No Reino Unido, onde existe um modelo de sa\u00fade p\u00fablica universal como no Brasil, foram investidos, s\u00f3 em diagn\u00f3stico e tratamento, o equivalente a R$ 27,28 bilh\u00f5es em 2022. L\u00e1 s\u00e3o 66,9 milh\u00f5es de pessoas, enquanto aqui somos 215,3 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a proposta da cria\u00e7\u00e3o do Fundo Nacional de Enfrentamento do C\u00e2ncer, o Funcancer, para financiar preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento da doen\u00e7a. Em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados, o projeto tamb\u00e9m \u00e9 de autoria de Weliton Prado. Os recursos viriam de dota\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias da Uni\u00e3o, doa\u00e7\u00f5es e percentuais da receita bruta proveniente da arrecada\u00e7\u00e3o de impostos sobre cigarros e bebidas alco\u00f3licas. Em agosto, outro projeto foi aprovado na Comiss\u00e3o de Sa\u00fade da C\u00e2mara para destinar ao Funcancer 30% do total de recursos de multas por infra\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil carece de uma rede de assist\u00eancia oncol\u00f3gica organizada e financiada. Os centros de orienta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, que hoje atendem cerca de 75% dos pacientes, s\u00e3o cruciais e precisam de mais recursos para encaminhar adequadamente os casos&#8221;, afirma Carmino Antonio de Souza, professor titular de Hematologia, Transfus\u00e3o de Sangue e Terapia Celular na Unicamp.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da necessidade de redimensionar o financiamento, com a nova Pol\u00edtica Nacional do C\u00e2ncer o papel do Departamento de Assist\u00eancia Farmac\u00eautica, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, deve ser fortalecido, j\u00e1 que, de acordo com a PNPCC, ele passa a ser central no processo de disponibiliza\u00e7\u00e3o dos tratamentos e ter\u00e1 que suprir todas as demandas vindas da oncologia.<\/p>\n<p><b>Sistema de dados<\/b><\/p>\n<p>Outro entrave a ser superado s\u00e3o os sistemas de informa\u00e7\u00e3o. Faltam bancos de dados sobre os pacientes, que registrem todas as etapas, como diagn\u00f3stico, tratamento, etc., algo fundamental n\u00e3o s\u00f3 para o indiv\u00edduo, mas tamb\u00e9m para o acompanhamento dos n\u00fameros da doen\u00e7a e a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que j\u00e1 existe uma base de dados do Sistema \u00danico de Sa\u00fade, o DataSUS, que pode ser aperfei\u00e7oada e servir como ponto de partida. &#8220;O DataSUS \u00e9 uma ferramenta poderosa que, se bem utilizada, pode fornecer informa\u00e7\u00f5es valiosas para o mapeamento do c\u00e2ncer no Brasil&#8221;, afirma Igor Morbeck.<\/p>\n<p><b>Sociedade civil tem papel importante tamb\u00e9m na implementa\u00e7\u00e3o de lei<\/b><\/p>\n<p><i>Entidades que lutam pelos direitos de pacientes oncol\u00f3gicos fazem parte de conselho que trabalha na regulamenta\u00e7\u00e3o da PNPCC<\/i><\/p>\n<p>Desde 2019, o Instituto Lado a Lado Pela Vida organiza o Global Forum Fronteiras da Sa\u00fade, evento anual que re\u00fane especialistas, representantes do governo e do sistema de sa\u00fade privado, pesquisadores e m\u00e9dicos, entre outros segmentos da sociedade, para refletir sobre a sustentabilidade econ\u00f4mica da sa\u00fade e pensar solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o especial deste ano do f\u00f3rum, o instituto apresentou um levantamento que apontou que apenas 1,08% da verba da sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 usada em oncologia. O estudo fez uma an\u00e1lise in\u00e9dita do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Or\u00e7amentos P\u00fablicos em Sa\u00fade (Siops) sobre o or\u00e7amento p\u00fablico aplicado no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) pelas secretarias estaduais e municipais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O levantamento tamb\u00e9m jogou luz nas diferen\u00e7as de financiamento regionais e como a aten\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer &#8211; que \u00e9 a segunda doen\u00e7a que mais mata no Brasil &#8211; est\u00e1 pulverizada. As disparidades na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, a porta de entrada no sistema p\u00fablico de sa\u00fade e na qual podem ser feitos diagn\u00f3stico, tratamento e reabilita\u00e7\u00e3o, entre outros cuidados, evidenciam profundas desigualdades de gest\u00e3o entre as capitais brasileiras.<\/p>\n<p>Em 2023, Rio Branco (AC) destinou 85,89% de seu recurso em sa\u00fade \u00e0 aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, enquanto Bel\u00e9m (PA) aplicou apenas 5,02%, representando os extremos dessa distribui\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de Rio Branco, apenas Florian\u00f3polis, S\u00e3o Paulo, Macap\u00e1, Manaus e Recife investiram mais de 40% de seus recursos em aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, com S\u00e3o Paulo aplicando 44,60% como par\u00e2metro referencial. Em contraste, capitais como S\u00e3o Lu\u00eds, Teresina, Goi\u00e2nia, Natal, Bras\u00edlia, Cuiab\u00e1, Salvador e Bel\u00e9m investiram menos de 10% de seus recursos em aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em suas visitas a centros de tratamento em todo o Pa\u00eds, a fundadora e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, Marlene Oliveira, observou que, al\u00e9m das disparidades de recursos, cada um deles apresenta especificidades. &#8220;\u00c9 preciso ter um olhar diferenciado, que entenda as necessidades de cada regi\u00e3o e se adapte a elas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>E isso tem a ver com os n\u00fameros da doen\u00e7a. Marlene ressalta que \u00e9 preciso come\u00e7ar a analis\u00e1-los de forma diferente. &#8220;Ao olhar para o registro de dados, precisamos lembrar que s\u00e3o n\u00fameros subnotificados. Precisamos melhorar os n\u00fameros, discutir isso no Consinca e levar esse tema ao Inca. \u00c9 importante tamb\u00e9m empoder\u00e1-lo, afinal ele \u00e9 o Instituto Nacional do C\u00e2ncer. O Inca tem que ser nacional, tem que retomar esse papel. N\u00e3o d\u00e1 para ter diferentes Incas pelo Pa\u00eds. Ele tem que representar o Pa\u00eds inteiro&#8221;, afirma a presidente do Lado a Lado pela Vida.<\/p>\n<p>O Consinca \u00e9 o Conselho Consultivo do Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca), no qual grupos de trabalho buscam regulamentar a Pol\u00edtica Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate ao C\u00e2ncer e torn\u00e1-la realidade.<\/p>\n<p>&#8220;O Consinca agora abriu espa\u00e7o para a contribui\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o civil. At\u00e9 ent\u00e3o era mais fechado, e essa gest\u00e3o foi quem abriu esse espa\u00e7o. O trabalho est\u00e1 sendo bem interessante; como em qualquer conselho, temos que ouvir a contribui\u00e7\u00e3o de todos os setores. \u00c9 um espa\u00e7o de interlocu\u00e7\u00e3o, no qual a gente consegue se comunicar. Acredito muito nele e na sua import\u00e2ncia, e acho que ele vai contribuir para que essa lei seja implementada&#8221;, conta Marlene.<\/p>\n<p>Entre as entidades que participaram das atividades que deram origem \u00e0 PNPCC est\u00e1 o Instituto Lado a Lado pela Vida, que passou tamb\u00e9m a integrar o Consinca.<\/p>\n<p>Esse, ali\u00e1s, \u00e9 um dos pontos mais celebrados por especialistas na elabora\u00e7\u00e3o da PNPCC: a participa\u00e7\u00e3o ativa de v\u00e1rios setores, como sociedades m\u00e9dicas, institui\u00e7\u00f5es de refer\u00eancia no tratamento e sociedade civil organizada, representada por diversas associa\u00e7\u00f5es que colocam os interesses dos pacientes oncol\u00f3gicos em primeiro lugar. Em comum, essas organiza\u00e7\u00f5es buscam levar informa\u00e7\u00e3o e dar apoio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de tamb\u00e9m atuar junto aos governos para melhorar as pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A presidente da entidade pontua, no entanto, que o andamento da regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o mais desejado. &#8220;N\u00e3o sei se o ritmo da implementa\u00e7\u00e3o \u00e9 aquele que o Instituto Lado a Lado pela Vida gostaria, mas vamos trabalhar sem medir esfor\u00e7os para que essa lei seja implementada. A PNPCC foi feita por todos n\u00f3s e precisa sair do papel, por isso que todos n\u00f3s nos reunimos e estamos trabalhando sem descanso. Isso n\u00e3o \u00e9 de um dia para o outro, principalmente porque ela \u00e9 muito desafiadora&#8221;, finaliza Marlene.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para que ela saia do papel e aconte\u00e7a na pr\u00e1tica, \u00e9 fundamental entender &#8211; e discutir &#8211; os desafios da sua implementa\u00e7\u00e3o\nDados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) apont","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-103047","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-releases-geral"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=103047"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103047\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=103047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=103047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bluestudio.estadao.com.br\/agencia-de-comunicacao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=103047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}